Eu Sou o Propósito

Propósito

Tenho pensado sobre a diferenciação entre o Eu Sou e a Personalidade, e como estas se relacionam com o propósito de vida.

Já se deram conta que, sempre que pensamos Eu Sou, automaticamente o completamos com um substantivo ou adjetivo que nos defina? Ou seja, buscamos algo que limite o Eu Sou, pois, não entendemos a pura existência do Ser. Por exemplo: eu sou homem, eu sou mulher, eu sou bonito, eu sou feio, eu sou inteligente, eu sou ignorante, eu sou o João, eu sou a Maria…

Talvez, isto aconteça por nos identificarmos apenas com o ser manifestado. No meu caso o Glauber. O qual, para existir, precisa se diferenciar de tudo aquilo que não é. Neste processo, damos origem a Persona (Personalidade) que nos permite interagir com o que Não Somos e com os Outros.

Iniciando este pensamento, nos deparamos com 4 entidades:

  1. o Eu Sou: aquele que existe apesar do modo que eu decido me expressar no mundo. Nossa voz interna, nossa força de vontade.
  2. o Não Sou: quando entendemos que nada é capaz de criar a si mesmo, e nos percebemos parte de algo infinito e eterno, nos deparamos com o Não Sou. Pela sua abstração e imensidão nos é difícil de conceber racionalmente. E assim, erguemos uma fronteira que separa o Eu Sou daquilo que determinamos como sendo o Não Sou.
  3. a Personalidade: esta fronteira que permite ao Eu Sou se manifestar no universo material. Este personagem associado a um corpo limitado e perecível, que, para manter sua existência, precisa lutar para sobreviver (comida, abrigo). E, após suprir isto, necessita de amor e significado.
  4. os Outros: personalidades distintas e aparentemente separadas de nós mesmos.

Partindo desta premissa, conseguimos identificar que o Eu Sou não é a Personalidade. A Personalidade é a ferramenta ou a interface, que possibilita nos expressarmos no mundo manifestado. Assim, cabe ao Eu Sou definir como esta Personalidade deve se manifestar, e não o contrário.

Coloco isto em evidência, pois, inicialmente, o lapidar da própria Personalidade acontece de modo inconsciente.

Na infância, não temos autonomia para definir nossa Personalidade. Somos moldados de acordo com as percepções daqueles que nos criam e do ambiente que estamos inseridos. Damos origem ao nosso personagem. Somos uma criança.

Quando chegamos à adolescência, começa um novo estágio de maturidade. De costume, negamos tudo que já disseram que somos e buscamos nosso próprio modo de ver o mundo. Precisamos entender se aquilo que nos disseram que somos é realmente o que somos. Passamos a buscar experiências por nós mesmos e começamos a construir nossa Personalidade de forma ativa. É o despertar de uma consciência individual.

Com o passar do tempo, vamos lapidando esta Personalidade manifestada, mas, no entanto, cada vez mais, nos deparamos com uma necessidade de significado: Por que faço todo dia aquilo que faço? Onde quero chegar? Qual o propósito desta vida? Por que existo?

Aprofundando-nos nestas questões, chegamos a uma nova fase de amadurecimento. O simples existir não é mais suficiente. Queremos construir algo novo. Sentir que nossas ações têm um significado, que estão nos levando a algum lugar. E principalmente, que este lugar seja exatamente onde queremos estar.

E agora o que acontece? Para desenvolvermos este propósito precisamos de ferramentas, conhecimento, conexões… muitas vezes temos que conectar várias pessoas para trabalharmos juntos. Neste estágio, a Personalidade se transforma em um instrumento, aquilo que nos possibilita personificar este propósito. Neste ponto, começamos a traçar um caminho de desenvolvimento, buscando aquilo que precisamos aprender e conquistar para alinhar a Personalidade com a verdadeira expressão do Eu Sou.

Mesmo parecendo um processo linear, nos depararemos com muitos obstáculos e testes. E, um dos maiores obstáculos é o quinto elemento do post, nossa própria mente. Junto do Eu Sou e da Personalidade, cercado por tudo que Não Sou e os Outros, existe a Mente.

Tenho percebido a Mente como esta voz constante que coexiste ao Eu Sou. Nunca entendi muito bem como poderiam existir estas duas vozes dentro de mim mesmo. Como elas podiam conversar entre si? Mas acabo de pensar, agora enquanto escrevo, que esta mente talvez seja a voz da Personalidade. Aquela que foi criada através do contraste e da experiência com o mundo e com os outros. Por ser perecível, teme a morte e busca se manter viva. É esta voz da Personalidade que confronta a voz do Eu Sou, e normalmente coloca mil empecilhos para qualquer ideias de evolução. Afinal, toda mudança exige um esforço. E todo esforço será realizado pela Personalidade manifestada, que por natureza é preguiçosa e visa apenas o prazer dos sentidos.

A mente é sempre egoísta, pois seu único propósito é manter a Personalidade viva, confortável e descansada. Já o Eu Sou tem uma visão mais ampla, e percebe que a existência transcende a própria Personalidade, através de sua relação com os outros e com o Não Sou.

O que fica de conclusão hoje? Que precisamos buscar este propósito de vida. Aquilo que dá sentido às nossas ações e nos mostra o caminho a seguir. A busca de significado é essencial para nossa vida e autorrealização. Precisamos ser determinados e constantes, para conseguirmos remodelar a nossa personalidade e expressarmos quem realmente somos. Para isto, precisaremos antes de tudo, enfrentar nossa própria Mente, com sua preguiça e medos. Cerque-se de pessoas que busquem as mesmas coisas, pois sozinho, tudo fica mais pesado.

Boa jornada!

🙂

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