O sonho e a Realidade

O-Sonho-e-a-Realidade

Hoje comecei a pensar sobre os sonhos.

Como é possível que, fora do mundo “real”, quando aparentemente sequer existimos, pois estamos dormindo, ao mesmo tempo, ali, em outra dimensão, consigamos, criar e ser, tudo que é percebível?

Comecei a pensar conscientemente sobre o ato de criar o sonho. Como isto ocorre? Como o fazemos enquanto dormimos? Quando devaneamos acordados e conseguimos criar imagens na nossa mente através da imaginação, seria também parcialmente um sonho?

Pensando sobre o sonho em si, dividi em 3 tipos: Às vezes somos como diretores de um filme, onde tudo ocorre porque desejamos, criamos a história, seus personagens mas não atuamos nesta, somos apenas espectadores oniscientes. Em outros, fazemos parte, somos seus diretores e atores, além de criarmos os acontecimentos também os vivenciamos, como se fôssemos o próprio Deus onipotente. Por fim, temos aqueles sonhos que parecem continuação do mundo “real”, aparentemente não criamos nada conscientemente, somos apenas um personagem vivendo uma história que não conseguimos controlar facilmente, mesmo tendo sido esta criada inconscientemente por nós mesmos.

Assim, no sonho, o pensar, o ser, o experienciar, o ver e o sentir acontecem simultaneamente, sem distinção. Ao pensarmos criamos o mundo e somos o próprio mundo. Isto pode ser percebido quando no decorrer do sonho nos teleportamos imediatamente para lugares e histórias completamente diferentes, conectados apenas pela vontade da mente. Pensamos, criamos, e, ao mesmo tempo, somos esse mundo criado, pois foi criado por nós, dentro de nosso próprio existir. Assim, somos alguém que experiencia esse mundo, o vê e o sente, dentro de nós mesmos. Se não fosse o bastante, ainda criamos outros seres com quem interagimos, os quais, normalmente também existem no “mundo real” fora dos sonhos. O interessante é que, às vezes, mesmo sendo as mesmas pessoas de fora, são pessoas fisicamente diferentes. Como se a ideia que temos da pessoa, formada no decorrer de nossa interação no “mundo real”, ou seja, aquilo que ela representa para nós, se manifestasse naquele sonho com uma aparência diferente. Assim, a ideia manifestada da pessoa no sonho, representa algo que queremos experenciar naquele momento, mesmo desconexa da aparência que esta tem no mundo externo. Materializamos aquela pessoa, pelas sensações que vivenciamos junto dela. Como se, além da aparência, cheiro, gosto, toque, sons, ou seja, do modo como sensorialmente percebemos alguém, além de tudo isto, a pessoa é uma ideia que eu tenho dentro de mim, ela é como uma bola de energia pulsante de informações, que forma uma imagem ou percepção no meu cérebro.

No entanto, ao refletirmos no fato de que, ao pensarmos nos tornamos o mundo exatamente como está sendo pensando, leva a outra pergunta:

Quem está pensando todo este sonho?

Quem é o ser que pensa o sonho antes mesmo de ser o sonho? Quem que tem a ideia de ser o ambiente, de tecer a história do sonho e de materializar os personagens com quem sonhamos? Quem concebeu tudo isso? Se nosso sonho acontece somente dentro de nós mesmos, afinal estamos na cama dormindo, então somos nós que criamos tudo. Somos nós, capazes de materializar mundos e personagens com os quais coexistimos com tanta realidade, que na maioria das vezes, nem sequer percebemos que estamos dormindo.

Seria este o Deus onipresente e onipotente? Aquele capaz de criar e ser o mundo ao mesmo tempo? Aquele que apenas é? Que é indivisível por ser tudo.

No entanto, é estranho pensar que temos este ser ali dentro da gente, aquele que cria tudo e pensa o próprio pensamento, aquele que examina o mundo perceptível e toma as decisões do que deve ser feito, e, ao mesmo tempo, não o percebemos nitidamente como um ser. Como sendo nós mesmos. Percebemos que estamos pensando, mas não entendemos da onde vem este pensamento, opostamente a quando percebemos algo que se expressa concretamente através dos 5 sentidos. Neste último caso, sempre sabemos a procedência de uma imagem, som, cheiro, toque ou gosto.

Digo, sabemos que estamos pensando, mas não entendemos isto como uma materialização imagética da fração de um sonho. O QUÊ???

Quero dizer que, quando estamos dormindo, completamente fora do mundo perceptível de quando estamos acordados, somos capazes de criar todo o nosso mundo. Somos a própria materialização do Deus onipresente, onipotente e onisciente. Criamos o universo e o vivenciamos. No entanto, quando estamos acordados, nosso Deus interno, que a tudo cria em nossos sonhos, não tem poder suficiente para moldar toda a realidade externa, então, mostra seu poder sobre si mesmo, filtrando, analisando, processando e moldando tudo que é percebido externamente, antes de deixar qualquer percepção entrar no mundo da consciência. Deste modo, tudo que é percebido conscientemente pelo Eu estará adaptado ao seu modo interno de perceber o mundo.

Assim, ao percebermos que existe algo fora de nós mesmos, criamos uma camada protetora que nos impede de imergirmos completamente no universo externo e nos afogarmos, dissipando todo nosso poder de criação, nossa personalidade. Para isto, criamos um campo de força protetor, que nos impede de perceber tudo aquilo que não desejamos ver. Assim, para termos acesso a qualquer conhecimento externo, primeiramente precisamos focar toda a nossa atenção neste e consentir que este ultrapasse nossas camadas de proteção internas. Somente então este se tornará algo presente em nossas vidas e poderemos moldar e experienciar conscientemente.

Desta maneira, mesmo observando o mundo fora de nós mesmos, projetamos uma lente invisível que o filtra, selecionando apenas as informações e o grau de complexidade que queremos ou somos capazes de pensar/processar. Ou seja, a partir do nosso mundo interno feito da mesma matéria dos sonhos, projetamos holograficamente uma imagem d’avante nosso olhos, e, com esta lente, filtramos tudo que existe, percebendo apenas aquilo que condiz com nossa imagem interna do que somos, do que é o mundo e os outros.

Seguindo este ponto de vista, o sonho seria nossa capacidade criativa completa. Quanto mais conscientemente vivenciamos a realidade dos sonhos, maior nosso poder de realmente moldar a sua realidade. Já os pensamentos, são imagens que materializamos em nossas mentes quando acordados, estas imagens se sobrepõe a realidade que vivenciamos despertos, e por isso, apenas uma fração de um sonho. Um pequeno pedaço de toda nossa capacidade de criação sobreposta ao mundo que vivenciamos externamente, buscando moldá-lo àquilo que queremos ver e ser.

Começo a acreditar que toda esta artimanha de alienação da realidade projetada por nós mesmos, objetiva dar relevância a existência de nossa personalidade, criando a ilusão de separatividade que nos possibilita distinguirmo-nos do todo. Ou seja, somente quando acreditarmos ser diferentes do todo, que podemos dar luz a nossa personalidade própria. E para garantir sua existência, temos que manter esta crença de separatividade, do contrário apenas nos fundiríamos à consciência universal, em outras palavras Deus, e deixaríamos de existir como ser individual. Ou seja, temos que manter uma consciência limitada apenas aos nossos problemas simples e diários, para darmos sentido a nossa personalidade, pois, se tivéssemos real consciência da grandeza de todo o universo, desde as partículas atómicas até o infinito das galáxias, nossos problemas corriqueiros não teriam importância e nem seria relevante uma existência tão mesquinha, individualista, egoísta e egocêntrica como a da personalidade.

Concluindo, apesar do nosso infinito poder criador no mundo dos sonhos, limitamos nossa consciência aquilo que queremos ser no “mundo real”. Somos os muros que nos cercam, os véus que nos cegam e os escudos que nos protegem. Somente nos percebendo como seres limitados e isolados à personalidade, que podemos conceber a existência do mundo externo e dos outros. Somos limitados aquilo que achamos que somos. Por isto, liberte-se dos seus muros e viva a mais bela e verdadeira expressão de você mesmo. Como ela seria? Reflita e transforme-se nela. Basta começar.

 

 

 

 

Anúncios