Como você se chama?

Quem sou eu

Como você se chama?

Alguns me chamam Glauber, mas eu me chamo Eu.

Alguns me chamam de filho, irmão, amigo, pai, mãe, primo, sobrinho cunhado ou neto, mas eu me chamo Eu.

Alguns me chamam de designer, médico, psicólogo, biólogo, dentista ou engenheiro, mas eu me chamo Eu.

Alguns me chamam de branco, negro, mulato, homem, menino, macho, gay, machista, feminista, gordo, magro, lindo, alto ou baixo, mas eu me chamo Eu.

Alguns me chamam de inteligente, ignorante, bondoso, mesquinho, generoso, egoísta, altruísta, egocêntrico, mas eu me chamo Eu.

Alguns me chamam de sua excelência, altíssimo, digníssimo, magnânimo, senhor, ilustre, santidade, mas eu me chamo Eu.

Hoje, pensando me dei conta que a cada dia vamos grudando mais e mais pedaços em torno desse Eu. Tantos modos de como as pessoas nos chamam, como as pessoas nos veem, o que queremos ser e representar no mundo… que acabamos esquecendo que, antes de todas estas máscaras que colamos em nós, antes de todos esses nomes e rótulos que atribuíram ou atribuímos a nós mesmos em busca de sentido ou identidade, antes de tudo isto, apenas somos. Somos o Eu. Quem é essa cola ou imã que a tudo isto atrai e que a tudo isto mantém grudado?

Um dia já fui menino, hoje sou homem, mas em todo esse tempo, Eu fui. Por mais que muitas coisas mudem e que em cada grupo nós sejamos chamados de um modo diferente, sempre existiu algo que permaneceu imutável, atemporal e eterno.

Constantemente buscamos novas oportunidades para expandir nossa contribuição e influência no mundo, procuramos novos conhecimentos externos para expressar nossa personalidade e interagir com o universo que nos cerca, colando em nós muitas informações, ideias e conceitos que não são nossos. Como se, em volta do vidro de uma lâmpada fôssemos colando muitos adesivos, até que, não consigamos mais ver a sua luz.

No entanto, além desta busca externa, também precisamos analisar dentro, quem é este Eu que a tudo isto busca e que a tudo isto dá um sentido? Temos que procurar, além da fragmentação de tantas personalidades que manifestamos, quem é realmente aquele que pensa, sente e precisa? Quem é o Eu que a todo o resto dá significado? Quem é esta vida pulsante, que faz bater o coração ao seu ritmo. Acredito que quanto mais buscarmos conhecer a nós mesmos, mais autênticos e insubstituíveis seremos. E maior e mais profunda poderá ser nossa contribuição.

Anúncios