Depressão Pós-Meta

Proposito de vida

Você já trabalhou muito para conquistar algo e logo depois que obteve, misteriosamente, ficou se sentido deslocado, sem energia, sem objetivos e sem entender qual o propósito de tudo aquilo? Se deparando com a fatídica pergunta: qual o propósito da minha vida afinal?

Mais uma vez me deparei com este problema, mas, pela primeira vez, comecei a vislumbrar a solução. Esta é ao mesmo tempo simples de entender, mas um pouco complexa de aplicar:

Acredito que isto acontece, porque precisamos definir e seguir um propósito de vida atemporal, ou seja, algo que, tanto hoje como em 50 anos, tenha o mesmo valor. Algo que dê real significado a nossa existência, que dê suporte a cada uma de nossas decisões e nos mostre o caminho a seguir, até o fim.

No entanto, ao invés disto, nos atemos apenas a metas temporais, fáceis ou difíceis, mas possíveis de serem realizadas no decorrer de uma vida. Deste modo, por um ano, seis meses, ou por tanto tempo quanto tivermos especificado e temporalizado a sua realização, teremos um propósito: acordaremos cedo, trabalharemos com afinco, superaremos limites, moveremos montanhas para conquistar aquilo que nos propusemos. Toda esta energia de realizar nosso “sonho” nos moverá incansavelmente, bem porque, muitas vezes não teremos outra escolha se não continuar. Quando finalmente finalizarmos aquele desafio e alcançamos nossa meta, sentiremos uma sensação de alívio enorme. Consegui!!! Acabou!!! Estou livre!!! Uhul!!! Dever cumprido.

No entanto, logo depois de obtido o prêmio, nos deparamos com o grande vácuo. E agora? Porque vou me levantar da cama hoje? Qual o propósito da minha existência agora? Consegui comprar o que eu queria, consegui pagar tudo… E agora? Muitas vezes, se o esforço, cansaço e dedicação foram longos e penosos, nos sentimos vazios. Valeu a pena todo esse esforço? Tudo isto me fez uma pessoa melhor, mais feliz? Muitas vezes caímos na Depressão Pós-Meta. Nos deparamos com o vácuo do existir, afinal, a vida só tem um propósito se escolhermos qual propósito dar a ela. Quando atingimos a zona de conforto e não sabemos mais porque estamos lutando, perdemos também o propósito pelo qual viver.

Assim, ao invés do propósito da nossa vida ser trabalhar para pagar a prestação do apartamento, ou do carro, ou a viagem no fim do ano, todas coisas que um dia, mesmo aparentemente distantes vão chegar e acabar. Deveríamos buscar um propósito de vida transcendental, que ultrapasse a temporalidade, e que, hoje e sempre valha a pena continuar lutando. Que, mesmo em 50 anos, ainda haverá um porquê de acordar e buscar. Que continuará significando a nossa existência e nos guiando na busca de nos tornarmos seres humanos melhores, na meta alquímica de nos transformarmos de chumbo em um ser humano de ouro, na realização da melhor expressão de nós mesmos.

Como seria a melhor expressão de você nos negócios? E em família? E socialmente: no tratamento dos outros, sejam amigos, familiares ou desconhecidos? Em saúde e corpo, como você seria melhor? Energeticamente: como cultivaria o entusiasmo em cada atividade? Emocionalmente: como você controlaria suas emoções, dominando-as e moldando-as, não apenas reprimindo-as? Intelectualmente: quais conhecimentos você poderia se especializar? Espiritualmente: quais ideais morais e virtudes você pode desenvolver a cada dia?

“Saber repetir, sem repetir-se e saber encontrar variações crescentes na aparente igualdade das repetições diárias”. Evoluir constantemente em cada pequeno gesto.

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