Como evitar a morte?

ampulheta-quebrada-grande

Existiria a morte, como um ente real, a nossa espreita, calculando nossos movimentos e escolhas, e pronta para terminar com nossa experiência se apropriado fosse? Como se a qualquer minuto pudéssemos atravessar a rua e morrer. Cair um meteoro e morrer. Encontrar um louco e morrer. Ter um súbito ataque crônico e morrer. Não por mero acaso, mas sim por termos nós mesmos gerado esse destino, a partir de nossos pensamentos, palavras e ações. Como suicidas inconscientes, que diariamente tomam o veneno da ilusão, rumo ao fatídico destino da inexistência.

Seria o tempo relativo a nossa consciência?

Se fosse, seria inversamente proporcional, quanto menos consciente somos, mais rápido o tempo passa. A busca da expansão da consciência seria a busca por parar o tempo, expandindo-o para a eternidade. Em um caminho de evolução, crescimento e união.

Percebemos esta relação, quando observamos que existem dias tão longos quanto anos, e anos tão rápidos, hipnoticamente corridos em tarefas corriqueiras e sem importância, que nem percebemos o seu passar. As coisas que realmente têm significado e importância nos elevam a um estado de adrenalina e potência, que o tempo para. Como se tivéssemos uma missão, e, quando alinhados a esta, tudo passasse lentamente. E, ao contrário, saíssemos do nosso caminho, por melhores cumpridores de tarefas que formos, estaríamos hipnotizados, vivendo de forma autômata e substituível.

Como evitar a morte?

Caso a morte realmente existisse, como um ser real, capaz de suprimir nossa vida, esta vida material momentânea ou mesmo toda a vida em si para toda eternamente, teríamos nós alguma ação ou função a realizar para podermos evitá-la? Teríamos nós que produzir bons frutos para não sermos lançados ao fogo do esquecimento? Seriam nossos atos os únicos capazes de prolongar a nossa existência?

De acordo com sua origem etimológica, a palavra existir (Esistere) deriva do verbo “stare” (estar). Assim, existir nada mais é do que estar aqui.

Seguindo esse raciocínio, para existir e gerar bons frutos, antes de tudo, devemos nos disciplinar e aprender a ouvir nossa vontade superior, em modo a vigiar nossos desejos superficiais e mesquinhos, e guiar nossos atos em busca de ações que levem à união e beneficiem a todos. Quando contribuímos com a natureza, e somos úteis para o mundo que nos circunda, toda a existência nos presenteia. Ao contrário, quando não damos bons frutos, somos apenas capim a ser queimado.

Teríamos um tempo, uma ampulheta, que nos determina quanto tempo podemos desperdiçar? Existiria algum significado na morte, ou seria esta mero acaso? Existiria o mero acaso? Ou, no caso de não encararmos a vida de forma consciente e não contribuirmos positivamente com o mundo, teria, sim, a morte o direito de nos ceifar a vida?

Continuarei a refletir…

Anúncios