Personagens de um mundo de ilusões

mascaras de veneza

Fechado no mundo fora, eu esqueço que existe um mundo dentro.
Fechado no mundo dentro, eu esqueço que existe um mundo fora.
Esquecendo que existe o dentro e o fora, eu existo.

Convivemos todo instante com o dentro e o fora, sem ao mesmo tempo entender quem é o dentro e o que é o fora.

Conseguiria o fora existir sem o dentro? Conseguiríamos ver sem identificar, jugar e rotular?
A todo existir foi dado um nome e a todo nome foi dado um existir.

Vivemos em uma materialização do mundo mental. Fomos expulsos do mundo real, do paraíso, para vivermos imersos na realidade do pensamento. Quase nada do que interagimos cotidianamente realmente existe. Tudo que existe, além da natureza, foi determinado, construído e disfarçado em realidade.

O dinheiro, a propriedade, o status e a comunicação, são frutos da linguagem. Sem linguagem e sem pensamento tudo que acreditamos deixa de existir. Na verdade, basta deixarmos de acreditar que quase tudo deixa de existir. Se o mundo deixar de acreditar que o dinheiro tem valor, este simplesmente não vale mais nada.

Sem o pensamento, o mundo vira a pura expressão dos sentidos. As pessoas pareceriam passar a vida fazendo ações repetitivas e absurdas. Sentadas sozinhas dentro de carros, negócios e em frente ao computador por horas, sozinhas. Eternamente paralisadas pela inércia de mover-se sem rumo, sem metas ou objetivos. Buscando por efemeridades cotidianas. Vendendo sonhos e conceitos em troca do seu tempo de vida. Vendendo seu tempo de vida por dinheiro e depois o gastando com ilusões.

Somos o reflexo de nossos rótulos. Cada característica nos determina.

Criamos nossa identidade a partir do feedback dos outros, daquilo que dizem a nosso respeito, de como os outros nos percebem no mundo. Assim, somos o reflexo do que nos dizem e daquilo que vemos no espelho. Sem os outros não existimos. De nada adianta saber, ser ou ter muito, sem ter ninguém com quem compartilhar. O muito e o pouco só existem quando comparados. Toda a linguagem existe a partir de comparações e referências. Uma coisa é determinada a partir de sua relação com as outras e com o mundo.

Das nossas vivências vamos modelando e limitando nossa visão do mundo, da realidade e do possível

Fomos adestrados a agir de um certo modo em cada e todo momento de nossas vidas. Ou, para não fazer as coisas de um certo modo específico. Algumas coisas devem ser feitas exatamente de um modo. Outras, não podem ser feitas absolutamente de um modo, mas de qualquer outro sim. Você não pode comer veneno, mas pode comer quase todo o resto. Você precisa escovar os dentes depois de comer. Novas experiências vão modelando novos modos de agir.

Quais são os rótulos que nos determinam:

NO MUNDO MATERIAL:
A cor da pele, a cor dos olhos, a cor dos cabelos, as unhas, o formato do rosto, o formato do corpo, o tom da voz, nosso sexo e identidade sexual, as roupas e acessórios, os bens que possuímos, que são nossos símbolos de poder. Entre eles, nossa casa, sua localização, arquitetura e decoração e nosso carro, qual o modelo e porque o escolhemos. Nosso companheiro, junto com todas as suas características precedentemente listadas.

NO MUNDO MENTAL:
Somos nossos pensamentos.
Somos nosso conhecimento teórico – escola, estudo, leitura. E prático – vivência, experiência.
Somos nossa religião, dogmas e filosofia de vida
Nosso trabalho e classe social
Nossos sonhos, metas e objetivos
Nossa percepção do que é o mundo e de qual o nosso papel dentro dele

EMOCIONAL
Somos o modo como nos relacionamos
Somos o modo como tratamos as pessoas
Somos carisma, modos, atitudes
Somos como percebemos a nós mesmo e como percebemos o outro

INTUICIONAL
Somos os insights, as sacadas, o sexto sentido, as premonições, os dejà vus, as iluminações.

Somente percebendo que realmente existe um mundo fora de nós é que conseguimos determinar mais facilmente a existência e a realidade. Somente eliminando a barreira de ilusão que nos impede de ver o fora e que nos mantém trancados dentro. Buscar o som e não apenas o que escutamos. Buscar a realidade e não apenas o que vemos. Buscar o outro e não apenas a projeção de nós mesmos.

Porque o mundo precisa saber que você existe?
Em que modo você vai contribuir para mudar o mundo ou a vida das pessoas?
Se este mundo criado pelo homem é um mundo de ilusões, tente perceber no que ele se baseia, quais são seus princípios e modos. Como você pode interagir com esse mundo? Existe alguma coisa além da ilusão? O que?
Se somos o reflexo de como os outros nos percebem, como queremos ser percebidos? Quem é o personagem que criamos? Como esse personagem é, como se veste? Quais valores ele representa? Como fala? Onde ele mora? Com quem se relaciona? Como se relaciona? O que come? Como respira? Quem ama, de que modo, com que intensidade, como demonstra esse amor?
Se os seus pensamentos que dão forma a sua vida, quais são os pensamentos que a estão moldando? Qual a vida dos seus sonhos? Quais as barreiras mentais que você criou para te impedir de realizá-la?

Continua…

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