O trabalho

o trabalho
Outro dia eu tava curtindo um show na Casa de Noca, quando se iniciou uma apresentação artística que seduziu e hipnotizou todo o público. Um espetáculo circense, de panos, alturas e arte. Ela girava, se alongava e deslizava pelos panos, acima de nossas cabeças, enquanto todos a observavam e admiravam. Todos inconscientemente agradeciam por ela ter decidido dedicar tanto tempo de sua vida para aprender a nos entreter.

Pequenos momentos de iluminação, quando, observando uma coisa cotidiana, percebemos significados mais profundos.

Acho que movidos pelas obrigações cotidianas acabamos tendo uma visão excessivamente determinista de tudo. Por exemplo, determinando que cada um é a sua profissão. Ele é médico, ele é artista, ele é veterinário, ele é palhaço, ele é músico… Percebemos como se ele fosse a profissão, e não, o fato de ter dedicado muito tempo de sua vida para nos oferecer alguma coisa. Quantificamos o produto mas muitas vezes não percebemos os valores.

Naquele momento eu não estava em um circo, e talvez por isso, me veio essa percepção. Mas, aquela linda garota estava ali, mostrando que ela tinha dedicado tanto tempo de sua vida para aprender alguma coisa que pudesse nos mostrar, nos entreter, nos encantar, nos seduzir.

O que é o trabalho, se não aquilo de decidimos dedicar tanto tempo para aprender, em modo a poder oferecer aos outros. Mudando essa visão, podemos mudar o sentido da vida. Ao invés de o objetivo da vida ser dedicar o tempo para ganhar o sustento, este passa a ser, aprender um modo de encantar, entreter, apaixonar… Tudo muda. Pois ao invés de buscar com o que queremos ganhar, buscamos o que queremos oferecer.

Muda nossa relação com o tempo, com o mundo, com as pessoas, com o dinheiro e o próprio sentido da existência. Pois você conscientemente percebe que precisa dedicar seu tempo para superar a si mesmo. Para assim conseguir oferecer ao mundo algo melhor, mais bonito, mais preciso. Algo que cure a solidão, o cansaço, a feiura, a miséria, a morte. Algo que transcenda a realidade cotidiana trazendo valores estéticos, éticos, sublimes. Algo que seduza o olhar e os sentidos, que tenha um propósito, mesmo que o propósito seja apenas ser belo.

Não que o dinheiro não seja importante, apenas se muda a relação de trabalho e remuneração. Não vendemos produtos, vendemos valores, gosto, sabor, bem estar, sonhos, saúde… Cada profissão tem os seus ideais. Não se vai ao médico em busca de remédio, mas sim para encontrar a cura. Não se contrata um arquiteto apenas para se ter uma casa, mas sim, para se construir um lar, uma família, um sonho. Não se contrata um designer para criar um logo, mas sim para traduzir a missão e identidade de uma empresa em imagens, formas e cores capazes de seduzir e se comunicar com o consumidor.

Não trabalhe apenas para ganhar dinheiro, mas sim, perceba dentro de si o que você quer oferecer ao mundo. Como você quer fazer do mundo um lugar melhor e mais bonito. E assim, quando você for capaz de realizar os sonhos do mundo, o mundo vai lhe retribuir e oferecer tudo que for necessário para realizar os seus sonhos.

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