Amor e expectativas

nuvens

Outro dia estava em meio a uma conversa maravilhosa com minha querida amiga Ana Paula Platt e, no meio da conversa, chegamos a pergunta: Porque não conseguimos amar todo mundo? Por que nos limitamos, ou não nos permitimos amar a todos? Engraçado que chegamos simultaneamente a mesma resposta: Expectativas.

Já perceberam a quantidade de expectativas e pré-requisitos que nos cercamos para possibilitar que uma pessoa se aproxime de nós? Temos uma completa catalogação das pessoas que podemos, queremos ou que nos disponibilizamos a conhecer e, se caso passem em todos os pré-requisitos, quem sabe, amar.

Quase como um comércio. Se você fizer isso, e mais isso e mais isso… se for assim, assado e tudo mais… então, e só então, eu posso realmente te amar. Do contrário nem se aproxime porque eu não tenho tempo nem disposição para falar contigo ou te conhecer.

Do mesmo modo, baseado nesse mesmo princípio, muitas vezes temos medo de não suprir as expectativas para alguém gostar de nós. Por alguma insegurança ou pelo fato de darmos excessivo poder ao que as pessoas podem pensar de nós. Isso acaba nos amedrontando, nos inibindo e acabamos nem sendo nós mesmos. Tudo em nome das expectativas.

E quando em relacionamento elas continuam presentes. Se eu fizer isso será que minha esposa ainda vai me amar? Se eu fizer aquilo será que meu marido ainda vai me amar? Se eu mudar minha atitude, será que meus amigos ainda vão gostar de mim? Ou será que todos vão me abandonar? O medo irracional de ser abandonado.

Castelos de expectativas ilusórias que nos possibilitam apenas julgar aos outros de acordo com aquilo que esperávamos deles. E, nem de perto, daquilo que eles realmente são. Expectativas que nos impossibilitam de conhecer pessoas diferentes. Que nos impossibilitam mudar de opinião. Que muitas vezes nos impossibilitam de falar verdadeiramente porque agimos de tal modo. Ou mesmo de questionar a legitimidade ou opressividade de nossas expectativas. Será que nossas expectativas não estão oprimindo e sufocando todos que “amamos”?

Certamente deve ser um sistema de autodefesa. Medo de se machucar? Pois, quando damos nosso amor esperamos coisas em troca. Se eu vou te amar, então você deve fazer isso, isso e mais isso… Limitações que só afastam as pessoas e nos impedem de conhecê-las.

Para começar, o importante é perceber quais são nossas expectativas e se nós mesmos somos capazes de supri-las. No que elas se baseiam? Afinal, porque temos que escolher tão meticulosamente a quem vamos possibilitar nos conhecer?

Talvez seja apenas normal selecionar quem queremos conhecer, já que não podemos conhecer a todos. Mas, talvez assim, acabemos por não conhecer ninguém.

As vezes parece que tudo que mais queremos é sermos amados pelos outros. Mas não nos disponibilizamos a amar ninguém. Só os poucos filtrados e sobreviventes de nossas inúmeras e irrevogáveis expectativas.

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