O fogo que arde

fogo

Cada dia mais acredito que somos meros contadores de história…

De tempos em tempos me deparo com a inquietude de saber se existe algo ao invés do nada. Que existe, isto parece certo, pois parecemos existir. Mas, ao mesmo tempo, quando fechamos os olhos, o que resta, se não apenas sensações? Emoções flutuando numa holograma de luz e cor. Esses dias fui caminhar na beira mar e fechei os olhos e continuei caminhando de olhos fechados. Nossa completa dependência da visão trás um pouco de estranheza, mas depois de alguns segundos nos deparamos com um enorme e repleto vazio.

Existem sons, existe o caminhar automático, mas acima de tudo existe o sentimento. Como a gente decidiu se sentir naquele momento. Muitas coisas podem acontecer em nossas vidas e parecerem incontroláveis e externas a nós mesmos. Causas irrefreáveis. Calamidades inevitáveis. No entanto, dentro de nós, um sentimento só pode existir se permitirmos que ele exista.

Quando fechamos os olhos e caminhamos, tudo que existe no exterior desaparece. Não só no sentido de aparecer visualmente. Mas simplesmente perde o sentido… Percebemos que nada do que existe fora importa se dentro estamos nos sentindo mal. Que não conseguimos perceber a beleza fora, se não a sentimos ali dentro.

Quando você fecha os olhos, algo queima dentro de você. O que é isto? É angústia ou amor? Pois a sensação é a mesma, os dois queimam igual. Apenas o modo que o nomeamos que é diferente…

Se este queimar te angustia, então tudo vai ser desespero e ansiedade. Você vai procurar de todo jeito um modo de sufocar, apagar, eliminar, extinguir este fogo que arde e te consome. Que sufoca, que fecha a garganta, que suprime a respiração, que constringe qualquer força e energia. Reprime, aniquila e condiciona.

No entanto, diametralmente oposto, se você escolher chamar este fogo de amor, tudo muda completamente. Este fogo interno vira a chama da vida, o calor do dia, a razão de existir, sorrir, cantar. A força incontestável para atingir qualquer objetivo. É tão bom que sufoca, que faz perder o sono, os sentidos, os parâmetros. É uma explosão de energia, incontrolável e que precisa fluir. Precisa ser compartilhada. Precisa ser doada…

No fim, quem além de nós é capaz de escolher qual o significado deste fogo que arde em nosso peito. Ininterruptamente somos lembrados de sua existência. Ininterruptamente o nomeamos do modo como escolhemos nomeá-lo. Ininterruptamente escolhemos e decidimos o modo como queremos nos sentir.

Parece impossível, mas tantas vezes uma pequena cintila, trás a tona um universo de sentimentos. As vezes basta apenas querer.

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