Teoria da Salvação

soteriologia

Já perceberam que todas as religiões têm como princípio o fato de que somos seres decaídos, amaldiçoados, pecadores, traidores, ou qualquer outra entidade maligna que precisa ser salva?

Para os Católicos têm o pecado original, a expulsão do paraíso e a necessidade de voltar a viver junto a Cristo. Para os Hare Krishna, somos uma espécie de traidores de Krishna, que com nosso livre arbítrio decidimos escapar do mundo espiritual e nos aventurarmos no universo material, assim, decaindo em toda a podridão que nele existe e da qual devemos nos libertar. Outros buscam transcender a ilusão deste mundo material, no qual estamos confinados junto a nossos desejos…

O estudo da salvação humana se chama Soteriologia. Mas a pergunta que vem é: teríamos mesmo que ser salvos de alguma coisa?

Por que acreditar que nascemos no pecado ao invés de sermos puros por natureza? Será que já somos corruptos em nosso âmago e precisamos passar a vida redimindo este pecado original?

Se realmente precisamos ser salvos de alguma coisa, qual seria realmente o caminho da salvação? Temos tantas opiniões diferentes a respeito do que deveríamos ser salvos, e tantos caminhos ou religiões distintas que nos levam a um paraíso, salvação, luz ou vazio…

O grande problema disto é que, por sermos criados e educados dentro desta cultura repressora, acabamos, mesmo que inconscientemente, ficando presos a esta pergunta existencial. Como uma dívida que devemos pagar, uma busca, um obstáculo a ser superado. Uma âncora que nos afunda, um peso que nos reprime. Um grande monstro interno com o qual devemos lutar cotidianamente.

O grande problema é que, mesmo se formos conscientes dessa necessidade de salvação, e ela realmente for verdadeira, não é tão simples ser salvo. Não porque Deus não quer. Mas principalmente porque não conseguimos nos libertar de nossas raízes viciosas. Dos princípios nos quais alicerçamos nossas vidas. Como dizia Agostinho, e eu concordo, o grande problema existencial é a vontade. Pois muitas vezes sabemos qual destino gostaríamos de seguir, mas nossa vontade nos impele em outra direção. As paixões que movem os homens… Nunca entendi muito bem o porquê da palavra paixões. Ultimamente tenho percebido que alguns de nossos atos são basicamente incontroláveis. Temos a completa consciência e conhecimento prático de que aquilo não é bom, no entanto, somos repetidamente impelidos a refazer os mesmos erros. A executar os mesmos vícios que gostaríamos de sanar. Como a paixão, que brota incontrolavelmente em nosso peito, sem que tenhamos controle sobre ela. A vontade é fraca.

E é esta mesma paixão que trás o grande dilema: devo seguir o que eu sinto ou o que eu penso? Pois, a base da Salvação é exatamente superar o poder dos sentidos. Conseguir dominar as paixões para assim chegar a hiperconsciência, ao estado de graça e a beatitude. Ser capaz de dominar todas as vontades e humores. Ser o completo senhor de nós mesmos.

Mas quem disse que a razão é mais importante que o sentimento? Pois, seguramente é mais fraca…

Precisamos de instrumentos de poder, isto sim. Descobrir técnicas que aumentem nosso poder de realização e força de vontade para seguir aquilo que determinamos.

 

Sabedoria para entender nosso destino.

Força e coragem para segui-lo.

E poder para realizá-lo.

 

Que a força esteja com vocês! Como já diziam os Jedis.
🙂

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