A libertação do prazer

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Será que tudo que dá prazer é realmente bom? Este tema pode criar muita confusão em nossas vidas. Inicialmente parece que tudo que é mais intenso é o melhor. Tomar coca-cola é muito mais intenso que tomar água, por isso muitas pessoas à preferem, mas nem por isso é o melhor para a saúde.

Tudo que é mais intenso vicia. Isto porque, provoca sensações que estimulam excessivamente os neurotransmissores, impedindo que consigamos sentir todo o resto que é mais sutil. Transformando tudo que é sutil em sem graça e desinteressante.

Muitas filosofias falam que vivemos em um mundo de ilusões. No qual o objetivo da vida seria a busca da Iluminação, ou da híper-consciência, ou seja, um estado mental que descortinaria o véu da ilusão e possibilitaria ao homem finalmente observar a verdade.

Aí me veio a pergunta: será que tudo que gera um prazer excessivo é ilusório? Afinal, a maioria das coisas intensas acabam sendo nocivas, além de eclipsarem o prazer que todo o resto poderia proporcionar.

Mas como diferenciar o que faz bem do que dá prazer?

A primeira coisa que me veio em mente foi que tudo que restringe a nossa liberdade não pode ser bom. Mas o que é a liberdade? É fazer o que se quer ou fazer o que é certo? Pois, quando queremos e cometemos atos viciosos, nos ligamos a um ciclo que restringe nossa liberdade, ou seja, que não nos possibilita fugir de sua cadeia de atos repetitivos, mesmo quando percebemos que estes são malignos. Mas ao mesmo tempo, se somos obrigados a fazer o que é certo, então parece não existir o livre arbítrio. Como podemos ser livres se somos obrigados a fazer o que é certo? A única solução é alinhar a nossa busca pelo prazer com a busca pelo que é certo, só assim esta coincidiria com a nossa própria liberdade.

Mas afinal o que é o certo? É o que dá prazer ou o que faz bem? Aí está o grande problema, pois nem sempre é fácil determinar o que nos faz bem. E talvez esta seja a verdadeira e grande busca pela libertação. Gradativamente eliminar tudo que nos faz mal, para poder descobrir o prazer nas coisas que nos fazem bem.

Com o tempo esta busca se torna cada vez mais sutil e refinada. Mas inicialmente podemos partir do conceito mais universalizado de que tudo que causa dor não pode ser bom ou certo. E assim, começarmos eliminando de nossas vidas todas as ações, palavras, alimentação, vestuário… que causem sofrimento. Este já é um grande e importante passo em busca do bom, do certo e principalmente da expansão de uma liberdade real e não ilusória.

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