Expectativas e Projeções

expectativas

O filósofo Hume afirma que a expectativa de que um evento suceda a outro não reside nos objetos em si, mas na nossa consciência. Ou seja, a partir da observação e experimentação do mundo, vamos criando um infindável número de expectativas relacionadas a como cada coisa deve funcionar e quais respostas devem ser dadas para cada pergunta. A expectativa tem a ver com o hábito.

O filósofo afirma que quando se fala de leis da natureza, causa e efeito, senso comum… tudo isto tem a ver com o hábito das pessoas e não necessariamente com o que é racional ou real. A expectativa não é inata às pessoas. O mundo é como é, o experimentamos pouco a pouco, em cada ação. No entanto, depois de poucas experimentações já contamos que as coisas acontecerão automaticamente de um certo modo, não esperamos mais a consequência de cada ato.

O fato de uma coisa suceder a outra no tempo não necessariamente implica em uma relação causal. Por isso, não devemos tirar conclusões precipitadas. Ou seja, o fato de uma coisa acontecer depois de outra, não necessariamente indica que a primeira seja a causa da segunda. Pode ser sido coincidência ou mesmo podem existir outras causas que desconhecemos ou ignoramos.

Do mesmo modo, no dia a dia, temos muitas expectativas em relação a pessoas, relações e comportamentos. Criamos uma matriz de respostas predeterminadas mostrando como cada coisa deveria funcionar. Qual é o modo correto de se comportar em casa, na rua e no trabalho, como expressar nossas emoções, como se relacionar com os outros… Toda relação gera expectativas. Toda ação, gera a expectativa da reação. Se enviamos uma mensagem, esperamos que a pessoa responda. Se damos algo, esperamos que a pessoa retribua. Não esperamos uma reação espontânea para cada evento. Não conseguimos fazer as coisas altruisticamente e sem interesse. Normalmente queremos que tudo ocorra conforme as nossas expectativas. De modo previsível, certo e imutável.

O complicado é que, com o passar do tempo e a experimentação de coisas diferentes, nossa expectativas vão ficando cada vez mais complicadas de se manterem. Se um mês ganhamos mais dinheiro que o normal, vai parecer que todos os outros mês estamos ganhando pouco. Se nos acostumamos a comer ótimas refeições, qualquer comida diferente disto parecer não ser boa o bastante. Cada nova atividade precisa superar as expectativas vividas, as idealizadas e as almejadas.

O grande problema em qualquer relação é que julgamos as pessoas não pelo que elas são realmente, mas sim, pela projeção daquilo que esperamos que elas fossem. Assim, muitas vezes criamos projeções idealizadas do que são as pessoas. E, quando as conhecemos melhor, esta projeção inicial pode ruir, tanto positiva como negativamente. Aquilo que esperávamos delas não é o que estas realmente são.

As expectativas fazem parte do nosso cotidiano, não sei se podemos eliminá-las, acho que o importante é ao menos percebê-las. Principalmente quando os outros vêm cobrar de nós atitudes e ações que não acreditamos mais. Neste caso, somos nós que estamos em desacordo com o que estes projetaram ou idealizaram a nosso respeito. As vezes mudamos, mas o resto do mundo não.

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