O infinito neste segundo – A eterna busca da felicidade.

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Tudo que podemos fazer, podemos fazer apenas agora, neste momento, neste instante, neste segundo. Tudo que não fizermos agora, talvez nunca venha a ser realizado. Não podemos prever o que será o futuro. Podemos apenas agir, e isto só acontece no presente. Neste eterno e constante segundo. Agora.

A cada segundo nos deparamos com uma decisão diferente. Cada escolha apresenta infinitas respostas, ou duas, sim e não: fazer ou não fazer. Para guiar nossas decisões temos sempre em conta nossos objetivos de vida. Esta é a nossa bússola, que nos aponta o caminho a seguir, qual destino desbravar, qual realidade criar, qual universo ampliar. Esta voz interna nos diz quem deveríamos ser e cada decisão que tomamos nos aproxima ou afasta deste destino. As vezes é muito difícil seguir esta voz. Devemos alinhar nossos pensamentos, com nossas palavras e ações. Cada segundo é imprescindível.

Só mais uma vez…

Tenho acreditado que um dos objetivos da vida é superar nossos vícios em busca de uma felicidade mais duradoura. Considero um vício tudo aquilo que depois de feito nos faz sentir mal ou em culpa. Tudo aquilo que, depois da satisfação instantânea ao realizá-lo, gera inevitavelmente uma reação negativa de autopunição em vários níveis, desde sofrimentos psicológicos como culpa, tristeza, desgosto, decepção, sentimento de inferioridade, incapacidade de controlar nossos próprios desejos e manter as decisões tomadas… até mesmo sofrimentos físicos como dor, náusea, enjoo… Muitas coisas consideramos erradas, repugnantes, absurdas, terríveis mas, nem por isto as eliminamos definitivamente de nossas vidas. Toda vez que nos deparamos com a mesma decisão viciosa ainda cogitamos a possibilidade de fazê-la novamente. Mesmo quando já percebemos racionalmente que aquilo é errado, é difícil mudar de atitude. Neurologicamente, para cada situação que nos deparamos no cotidiano estabelecemos uma resposta, um modo de agir. Quanto mais repetimos uma resposta, mais forte e automática esta se torna. Assim, do mesmo modo é com os vícios. Nos condicionando a um tipo de comportamento e por consequência desenvolvemos uma codificação mental de que é aquilo o que fazemos naquela situação.

Por exemplo: quero comer chocolate, mas meu médico falou que não posso. Mas a tentação fica martelando em minha cabeça: quero, quero, quero, quero, quero… Como se a cada segundo esta voz tentadora me levasse a repensar minha decisão. Tem certeza que não queres? Só mais desta vez, depois você para. Uma última vez não vai fazer diferença. Um só pedacinho não tem problema. E esta última e inocente vez, é exatamente o infinito. Se, a cada segundo decidirmos que podemos continuar a realizar aquela ação somente mais uma vez, então infinitamente, continuaremos a realizá-la. Não teremos uma quebra no nosso padrão de comportamento, não conseguiremos mudar o nosso estado atual ou nossa realidade.  Quando percebemos que algo não deve mais ser feito, isto deve se tornar uma decisão eterna de cada segundo. De agora em diante, não existe a possibilidade de tomar esse tipo de ação. Não existe a possibilidade de fazer isto novamente. Você quer um pedaço de chocolate? Não, obrigado, eu não como chocolate. Não existe esta possibilidade na minha vida. Então você me pergunta: mas como eu vou conseguir parar de comer chocolate se toda a minha família, amigos, a televisão e todo o mundo me oferece chocolate? Este é o segundo ponto de percepção e um segundo passo muito difícil. Se decidirmos seguir um caminho, temos que nos afastar ao máximo de tudo aquilo e de todos aqueles que nos levam a cometer aquela ação. Não podemos entrar em uma loja de chocolate se não queremos comer chocolate. A menos que, já estivermos a muito tempo controlado nossa vontade. Também podemos evitar amigos que só falam de chocolate e passam a vida comendo chocolate.

Somente hoje eu não vou fazer.

Minha querida amiga Juliana Zytkuevisz comentou comigo que a técnica dos Alcoólicos Anônimos e dos Vigilantes do Peso é muito parecida. A frase motivacional é “Somente hoje eu não vou fazer isto”. A cada dia a pessoa tem que renovar o seu voto, a cada tentação tem que pensar: hoje não! Deste modo, fica mais fácil suportar o peso da eternidade, do nunca mais, e dissolver este peso no tempo limitado de cada decisão, de cada dia. Assim, voltamos para o nosso eterno segundo de decisão, que é o presente. Agora!

Não basta querer ser feliz, temos que eliminar de nossas vidas tudo que nos deixa infelizes. Não é fácil, é um trabalho constante de análise, percepção e principalmente ação. Não conseguimos visualizar hoje o resultado final, mas ao menos já sabemos que estamos indo na direção certa. Muita força e coragem. Eu acredito!

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