Liberdade de matar

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”Se nos submetermos à lei, mesmo que com isto percamos algumas liberdades – como a liberdade de oprimir, por exemplo – poderemos descobrir outras liberdades previamente desconhecidas por nós.”

Esta fala do filme Lincoln casou completamente com o que tenho pensado sobre a liberdade. Neste caso específico o presidente falava sobre a necessidade urgente da aprovação da lei de abolição da escravatura. Isto porque, muitos temiam dar liberdade a todos os escravos ao mesmo tempo, já que isto poderia se transformar em um grande problema, pois ninguém sabia realmente o que aconteceria. Por isso, aquela lei suprimiria a liberdade dos fazendeiros de possuírem escravos, mas, faria emergir novas liberdades desconhecidas e até então inexploradas. Daquele momento em diante, não se poderia mais deliberadamente oprimir pessoas.

O que tenho pensado…
Quando não queremos fazer nada de errado, nos sentimos completamente livres. Quando seguimos a lei, nossa liberdade não é ameaçada. No entanto, pode ocorrer de sentirmos que alguma lei ameace a nossa liberdade. Ou, que a liberdade de uma parte da população é ameaçada por não existir alguma lei. Neste momento vem a pergunta: até que ponto o livre arbítrio deve ser subjugado pela lei? E, até que ponto a lei deve determinar as regras de convivência? O excesso de leis pode causar a imaturidade. Já a sua ausência poderia levar ao caos.

Quais são as leis que seguimos?
Temos as leis de conduta e moral que cada tem uma certa liberdade de seguir individualmente; temos as leis do estado, que somos obrigados a seguir; e, para aqueles que conhecem e creem, existem as leis de Deus, professadas nos livros sagrados de cada religião. As leis religiosas normalmente são uma mistura de leis de estados e padrões de conduta e moral.

Além disso, me pergunto, existiria acima de nós mesmo, do estado e das religiões, alguma lei universal a ser seguida? Uma resposta poderia ser: trate o seu próximo como você gostaria de ser tratado.

Ou seja, existiria alguma lei imutável que determina o que é certo ou errado? Pois, muitas vezes não concordamos com o que um estado ou uma religião atestam como certo e errado. E, sempre que isto acontece, buscamos mudanças, revolução. Lincoln era contra a escravidão e criou uma lei para aboli-la. Os cristãos discordaram dos dogmas do judaísmo e por isso, criaram uma nova religião.

Seria possível determinar quais são as leis imutáveis e quais são as opressoras? Quais das nossas liberdades são apenas egoístas e mesquinhas, e por isso devem ser subjugadas? E quais são verdadeiras e por isso precisam ser legalizadas? Por fim, se tenho livre arbítrio, como realmente deveria utilizá-lo? A liberdade é fazer tudo que quero ou fazer tudo que é certo?

Há pouco mais de 100 anos a maioria dos países legalizava a opressão e posse de seres humanos. Eles não percebiam que somos todos iguais por sermos todos homens. Isto hoje nos parece um absurdo. No entanto, paradoxalmente, continuamos nos achando no direito absoluto e irrevogável de oprimir outras espécies: nos alimentamos de seus cadáveres, nos vestimos com suas peles, os utilizamos para entretenimento, companhia, testes químicos e médicos. Ainda não conseguimos perceber que, por sermos todos animais, somos todos iguais.

Chegamos a um novo momento de evolução paradigmática, onde temos que escolher perder a nossa liberdade de matar, para descobrirmos uma nova liberdade. A nossa liberdade infinita de amar. Não se pode ter tudo, precisamos sempre escolher.

 

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