A constante discussão interna de nossas múltiplas personalidades

reuniao

Já perceberam que quando estamos preocupados, na hora que vamos dormir, acabamos sendo bombardeados por uma enxurrada de pensamentos e ansiedade? Como se estivéssemos em uma grande reunião de diretoria e todos quisessem falar ao mesmo tempo. Ontem quando fui para a cama me veio este cenário em mente. Mas, quem são todas estas pessoas que fazem parte da reunião? Da onde vêm todos estes pensamentos? Como pode existir apenas um eu, se não sou eu quem quer pensá-los? Deitado na cama, praticamente consegui visualizar esta sala de reunião. Mas, quem seriam os diretores? E principalmente, existe um presidente?

Comecei a formular uma hipótese. No decorrer de nossas vidas e no acumular de nossas experiências, vamos criando múltiplas visões de mundo, múltiplas personalidades ideias, ou múltiplas percepções da verdade e da existência. Algumas destas personificações são criadas na ignorância e no preconceito, e nunca serão realmente desenvolvidas, a menos que superemos esta primeira fase de estranhamento e nos aprofundemos na sua visão de mundo. Outras personalidades, principalmente às quais damos mais atenção, vão acumulando mais força e consistência, e, por consequência, mais voz na reunião da diretoria. São estas que personificam os diferentes modos de encararmos a realidade externa e interna. E, variam de acordo com o momento e as pessoas que vamos interagir em cada fração do nosso dia: casa, esposa, filhos, irmãos, trabalho, amigos, bar… Cada momento trás a tona uma nossa personalidade diferente. E cada situação já possui uma personalidade principal responsável, à qual recorremos sempre que precisamos.

Assim, talvez o eu, ou, neste caso o presidente, não tenha realmente uma personalidade. Talvez o eu seja o vazio. Este eu, teria o poder de ponderar quais das personalidades criadas vai assumir a liderança, qual dos personagens desenvolvidos vai ser utilizado, podendo transitar livremente entre todos. Com mais ou menos desenvoltura, dependendo do conhecimento adquirido em cada um. Assim, não teríamos uma personalidade intrínseca, única e imutável, mas sim, múltiplas personalidades coexistentes, que se digladiam eternamente pelo poder da liderança. Teríamos as nossas personalidades favoritas, mas não seríamos um único personagem.

Cada vez que nos deparamos com um novo estilo de vida, ou uma nova visão da existência, modificamos estas personalidades já existente, e, por consequência, mudamos o equilíbrio de poder interno.

Como presidente, nosso objetivo é decidir quem pode se expressar nesta reunião. Não sei se é possível silenciar todos os diretores, mas podemos certamente escolher quem vai continuar os seus discursos. Ou seja, não podemos cessar o fluxo de ideias, mas podemos escolher quais serão os pensamentos que daremos atenção. Quais pensamentos iremos pensar ou desenvolver. Qual dos diretores vai ganhar força e nos representar a cada momento.

Só seremos o presidente se realmente comandarmos e organizarmos a reunião. Não podemos deixar reinar a desordem em nossas mentes e em nossas vidas. Somente o presidente pode e deve autorizar um discurso interno ou uma ação externa. Somos os responsáveis pela criação de nós mesmo. Cada vez que decidimos fazer uma coisa ao invés de outra damos força à opinião de um diretor diferente, e, por consequência, nos tornamos a expressão deste diretor. Escolha quem você quer ser e haja conscientemente para sê-lo. Pois, vivemos inevitavelmente a consequência de nossas ações, tendo-as escolhido conscientemente ou não. Todas as nossas ações nos definem. Então, defina você as suas ações. É preciso força e treinamento. Mas a gente consegue!

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