Em busca do eterno: Qual o trabalho ideal?

A busca do eterno
Estava lendo agora sobre o cerne da pesquisa filosófica de Platão, que buscava descobrir as formas ideais e eternas: a verdade eterna, a beleza eterna e o eterno bem. Ele comenta que tudo que existe no universo material, o qual percebemos com os sentidos, se degrada. Todas as coisas morrem ou se transformam. No entanto, todas as coisas possuem formas ou moldes eternos que as definem: por mais que todos os cavalos sejam diferentes, estes vão ser sempre cavalos, por mais que todos os homens sejam diferentes, vão ser sempre seres humanos. Existe uma estrutura ideal que define todas as coisas, diferenciando-as e agrupando-as. Existiria um molde ideal acima da existência material que definiria a forma de cada coisa? E do qual sairíamos mais, ou menos, perfeitamente idênticos?

Quais seriam os moldes ideias que definiriam o ser humano? Seria um molde único, ou seriam vários moldes pluridimensionais, que definiriam o corpo físico, o corpo emocional, o corpo egóico, o corpo espiritual, o corpo intuicional e assim por diante? Existiria um ideal a ser encontrado ou copiado, ou todos somos diferentes?

Acredito que estes moldes seguramente se baseariam nos princípios universais de liberdade, igualdade e fraternidade. Mas no que mais?

Todo esse pensamento a respeito da essência e do ideal me fez refletir sobre a vida. Se tudo nesse mundo se dissolve e degrada, o objetivo da vida não seria juntar coisas perecíveis, mas sim descobrir o que existe de eterno.

No evangelho, Mateus diz a mesma coisa: “Não ajunteis tesouros na terra onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro ai também estará o vosso coração.”

Adoro esta lembrança da última frase, aquilo que dermos valor, será o que nos preocuparemos e dedicaremos a nossa vida. Por isso, não podemos nos dedicar a coisas que se degradam e podem ser roubadas, mas sim, a tudo que é eterno.

Mas o que é eterno, se tudo morre e se degrada?

Quando amamos alguém, o importante é a pessoa que amamos, ou o sentimento de amor que despertamos dentro de nós mesmos? Temos uma capacidade de amar infinita, mas a utilizamos minimamente. Se aquilo que amamos morre ou desaparece, mesmo assim, não morre nossa capacidade de amar.

Se precisamos nos alimentar, dormir, vestir, excretar e nos defender, continuamente, estas não são as coisas eternas. Então, me veio uma resolução de vida. Precisamos descobrir um equilíbrio, um ponto onde nosso trabalho garante nossa existência, e, ao mesmo tempo nos possibilite buscar o eterno. Ou, que nosso trabalho seja esta busca. Mas como tirar o sustento disto? O dinheiro não pode ser o objetivo final do trabalho. O trabalho em si deve ser o seu próprio fim. Primeiro precisamos descobrir nosso objetivo, para somente então, acharmos o nosso trabalho ideal.

Bom trabalho a todos e feliz 2013!

Grande beijo!

Anúncios