Quem são as autoridades?

1529957688_a4e13b6877

Um dos princípios da confiabilidade de uma mensagem qualquer é a sua validação por uma autoridade. Ou seja, o Dr. Fulano disse que é verdade, então todos assumimos que seja verdade. Mas quem afinal são as autoridades? Podemos continuar nos referindo a elas depois de milhares de anos? Seriam suas opiniões universais, ou estas teriam sentido apenas contextualizadas em suas culturas, tempo e situações específicas?

Continuamos citando, pensando e comentando escritos, pensamentos e afirmações tidas como verdadeiras há milhares de anos. Existe Deus? O que é o certo? Existe outro nível existencial que não seja o mundo material? Nós temos alma? Qual o propósito de existirmos?

Os filósofos, pensadores e teólogos tentaram, com sua inspiração divina, responder à estas questões. No entanto, suas respostas estavam e estarão sempre vinculadas ao contexto histórico nas quais surgiram.

Um princípio que é importante termos em consciência é a impossibilidade de concebermos alguma coisa que seja 100% inovadora. Podemos entender ou mesmo perceber apenas um pequeno percentual de inovação, cerca de 30%. Por exemplo, se nunca estudamos chinês, não vamos conseguir ler um texto nesta língua, se desconhecemos a tecnologia não vamos conseguir entender como é criado um chip de computador, se alguém nos ensina alguma coisa completamente revolucionária, não seremos capazes de entender, ou mesmo de acreditar em sua veracidade ou possibilidade. Assim, incapazes de entender, ou criamos nossas próprias respostas, ou nem se quer percebemos a sua existência. Tantas frases, máximas filosóficas, ou expressões de senso comum, passam a ter sentido de um momento ao outro, quando estamos capacitados a entendê-las. Quando chegamos a um grau de desenvolvimento pessoal que nos permita absorvê-las e mudar aqueles 30%.

Hoje eu pensei: por mais que Moisés tivesse realmente falado com Deus e nos escrito os Seus comandamentos, não necessariamente aquilo que ele nos passou, foi exatamente aquilo que Deus lhe falou. Aquilo que Moisés nos passou foi apenas aquilo que ele entendeu que Deus falou, de acordo com a sua capacidade de percepção no momento da comunicação.

Os princípios da comunicação são universais: primeiro o receptor precisa perceber a mensagem, depois deve entendê-la e só então pode transmiti-la. Todos estes passos envolvem a linguagem, que por sua essência é plurissensorial e plurissemântica, ou seja, envolve vários sentidos e significados. Afinal que língua Deus falava? Ele falava em Hebraico? Ou ele se expressava através de visões, emoções, sugestões, ou seja, um discurso que transcendia a própria linguagem humana, uma linguagem divina. Se assim fosse, seria ainda mais difícil de transcrever para todo o povo o que Deus falou, pois Moisés precisaria transcrever em palavras, aquilo que Deus lhe ensinou com sensações. Palavras criadas em um determinado tempo, com um determinado significado, para um determinado povo, com necessidades e anseios específicos. Para resolver os problemas de sua época e comunidade.

Talvez todos tenhamos a capacidade de nos comunicar com Deus. Quem sabe, basta silenciar todo o resto para conseguirmos ouvi-lo. No entanto, aquilo que vamos perceber é apenas o que somos capazes de entender de acordo com o nosso desenvolvimento pessoal. De acordo com aquilo que gostaríamos de escutar ou que estamos preparados para perceber.

É muito importante ler e estudar, mas de nada adianta, se não questionarmos de tempos em tempos a autoridade, a veracidade, ou perecividade daquilo que foi escrito e buscarmos dentro de nós mesmos a verdade. Muitas vezes estas podem coincidir, mas não necessariamente sempre. Nenhuma autoridade é válida se não apresentar argumentos consistentes. E quem sabe algum destes argumentos não tenham mais validade nos dias de hoje.

Pergunte a si mesmo: Quais são as suas verdades e de onde elas vêm? Será que todas são realmente verdade? Questione-se e esteja aberto a mudanças. Evolua!

Anúncios