Vivendo no limite

limites

Hoje eu percebi uma coisa muito interessante: os limites.

Somos domesticados para vivermos de acordo com muitos limites. O limite de volume para se falar em público, o limite de roupa que se pode vestir, o limite de dinheiro que se pode ganhar, o limite de velocidade que se pode viajar, o limite de filhos que se pode ter, o limite de pessoas com as quais nos podemos relacionar, os limites físicos que podemos suportar… e assim por diante.

A etiqueta impõe uma infinidade de limites: como nos devemos comportar, como devemos falar, como devemos comer, como devemos andar, como devemos nos vestir, muitos limites para delimitar a criatividade e a unicidade de cada pessoa, impondo à sociedade um padrão de castração e teatralismo.

Esta semana, estava passeando com uma amiga querida e passou por nós um carro tocando em volume ensurdecedor o funk que repetia continuamente: eu sou putinha, eu sou putinha. Ficamos chocados, ela pela letra e eu pelo fato do cara estar entrando no estacionamento do prédio com a música naquele volume. No mesmo dia, um grupo de adolescentes fazia a maior algazarra dentro do ônibus, eles berravam, riam, falavam e cantavam… Todo mundo a minha volta comentava sobre a falta de educação daquelas pessoas, por estarem disturbando o ônibus.

Hoje repensando os fatos, percebi duas coisa: censura e pudor. Quais são os limites daquilo que se pode dizer? Uma nova classe social agora tem acesso aos meio de comunicação e eles criam mídia que reflete a sua realidade, linguagem e cultura. Falam aberta e explicitamente sobre sexo e isso choca as pessoas. Fomos acostumados à uma linguagem poética e branda, fomos acostumados ao amor. Mas afinal porque não se pode falar de maneira explicita sobre sexo? Parecemos tão modernos e ainda nos escondemos em puderes, medos e vergonhas antigos. Todo mundo faz sexo, todo mundo, ou come, ou é comido, ou chupa, ou é chupado, ou agarra, ou é agarrado… Se não faz, deveria. Todo mundo conhece, então qual o problema? Também, qual é o problema das pessoas estarem falando, cantando, rindo e conversando alto no ônibus? Qual é o problema de vestir bermuda em uma reunião de negócios? Qual é o problema de se vestir de bermuda em qualquer circunstância?

Afinal quais são os limites, e quem os impôs?

Uma sociedade sem limites pode virar um caos. Mas uma sociedade completamente limitada por leis é infantil na sua capacidade de tomar decisões. E, se existe limite, e estamos fora destes limites, porque deveríamos nos conformar com eles? Os limites servem para delimitar e estandardizar a mediocridade das pessoas. No entanto, para se elevar da linha da mediocridade, precisa-se desafiar estes limites. Para se destacar no mundo temos que ajudar a sociedade, como se esta fosse um grande e único organismo, a evoluir. Expandir os seus limites de percepção, entendimento, pensamento, raciocínio, visão, audição, emoção, sentimento, imaginação, degustação e percepção em geral. Fazemos isto quando decidimos lutar pela ampliação destes limites, mostrando um novo caminho, alternativa e possibilidade. Demostrando que existe uma outra forma de pensar, ser, interagir e perceber o mundo.

Viva nos limites, pense qual o limite de cada esfera da sua vida. Na esfera intelectual, que tipo de pensamentos você pode ter. Na esfera amorosa, que tipo de relacionamento você pode ter. Na esfera corporal, que tipo de prazer ou dor você pode ter ou suportar. Na esfera de trabalho, qual sua capacidade de mudar o mundo. Na esfera pessoal, quem você quer se tornar.

Descubra e expanda os seus limites, seja o exemplo e mostre que não somos todos iguais. Que não são todas as regras que funcionam para todos. Que podemos almejar mais, que podemos conquistar mais, que podemos ser mais, basta acreditarmos no nosso potencial, na nossa capacidade de mudar o mundo, na nossa capacidade de sermos nós mesmos.

Quais são os limites que a sociedade lhe impõe? Quais são os limites que você impõe a si mesmo? Quais são os limites do real e possível? Quais são os limites de Deus?

Derrube os muros invisíveis e expanda sua existência ao infinito.

Anúncios