Querer X Fazer

PerceberXSer

Quando participei do retiro budista, entrei em contato com muitas verdades profundas. Muitas das quais irei realmente entender apenas com o passar do tempo e uma maior profundidade nas meditações. Hoje na aula de yoga, depois de um dia de muitas conclusões, eu me sentia realizado e feliz. Estava tão satisfeito que consegui me libertar profundamente e ultrapassar fronteiras invisíveis que tantas vezes colocamos em cada coisa que fazemos.

Finalmente na meditação, na penumbra da sala, com uma linda música de fundo, ao perfume do incenso que queimava, com os olhos fechados, sentados de pernas cruzadas, com as mãos sobrepostas e a coluna ereta, deveríamos visualizar uma rosa branca bem entre as nossas sobrancelhas.

Como é difícil exigir de nós mesmos que façamos algo. Exigir que pensemos em algo, que lembremos de algo, que imaginemos ou visualizemos algo. Toda essa cobrança e pressão gera ansiedade, o que destrói a tranquilidade. Somente relaxados que conseguimos fazer as coisas certas.

Foi ali, naquele momento que eu profundamente entendi porque devemos ser aquilo que nos circunda, e não apenas tentar perceber.

Quando cai a chuva eu sou a chuva.
Quando queima o incenso eu sou o incenso.
Quando toca a música, eu sou a música

Porque se nos concentramos no desejo de querermos nos concentrar, acabamos nos focando na vontade de fazer e não na coisa em si. Somente quando relaxamos e entramos em completa comunhão com o objeto de nossa percepção é que finalmente o conseguimos entender realmente.

Por isso, não tente escutar a música, seja a música. Não tente sentir o perfume, seja o perfume. Não tente sentir o gosto, seja o gosto. Confie e se entregue a sensação, para assim realmente perceber cada coisa de um modo mais profundo e verdadeiro.

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