Vícios

Um amigo publicou um vídeo no facebook: Pornografia Vicia. Pensei que fosse uma piada e fui ver. Acabei recendo uma super aula sobre como o cérebro funciona, sobre as sinapses, os nervos, a dopamina e o como os vícios são criados.

Inicialmente precisamos aprender sobre como funciona a dopamina no corpo.
A dopamina é um neurotransmissor que provoca a sensação do desejo. Assim, quando precisamos de alguma coisa, o nível de dopamina cresce criando assim o desejo pela coisa, e impulsionando-nos a procurar e finalmente termos a coisa. Quando conseguimos o que queríamos, a dopamina abaixa e nos sentimos satisfeitos. Então, de um lado da cadeia temos a produção de dopamina que provoca o interesse, excitação, vontade, e do outro lado temos os receptores, que como ouvidos, escutam e recebem estas informações.

Nosso cérebro é dividido em duas partes, o sistema nervoso superior (novo) e o sistema límbico (velho). A parte velha foi desenvolvida há milhões de anos desde os primeiro mamíferos. Esta é responsável pelos desejos, emoções e vontades, e é mais incontrolável. A esta, estão associados os desejos fundamentais, que são a busca de comida e de um parceiro sexual para procriar. Já a outra parte, “nova”, é muito mais recente e é resposável pela racionalidade, desenvolvimento de idéias, criatividade, ou seja, a parte mais controlável. Por isso, quando uma pessoa olha uma foto de comida ou pornografia, a parte velha do cérebro, responsável pela identificação destes desejos, não é capaz de perceber a diferença entre a foto e a realidade. E por isso, sentimos fortes estímulos, seja de fome, seja de excitação.

O problema acontece, que algumas substâncias super estimulam a liberação de neurotransmissores e provocam uma super quantidade de excitação. Alguns exemplos são o alcool, as drogas, a pornografia, a televisão e as comidas gordurosas. Como elas provocam muito prazer, algumas pessoas começam a consumi-las excessivamente e acabam causando a diminuição da quantidade de receptores. O autor cita uma ótima analogia: quando alguém começa a berrar com a gente, simplesmente tampamos os ouvidos. Então, estes super estímulos de prazer acabam desativando os receptores para filtrar o excesso. O problema acontece, que quando voltamos para o mundo real, de comidas e sexo saudáveis, de conversas e cotidianos normais, não teremos toda a quantidade de estímulo de antes, e ao mesmo tempo teremos muito menos receptores. Esta pouca quantidade de receptores acaba causando consequentemente o nosso desinteresse pela parte saudável. Não sentimos mais gosto ou excitação com qualquer coisa. E assim, caímos no vício, no círculo vicioso de precisar voltar sempre para aquele super estímulo para suprir a nossa necessidade de desejo. O que vai causar mais e mais o declínio da quantidade de receptores. Deste modo, vamos precisar continuamente de porções mais fortes ou em maior quantidade para gerar desejo, e cada vez isto vai provocar menos prazer, devido a diminuição de receptores.

Cada escolha que tomamos criam novas ligações em nosso cérebro. Quanto mais tomamos as mesmas decisões, mais estas se fortificam e mais provável será de repetí-las. E mais difícil será mudá-las.  As ligações nervosas são como os caminhos que se formam na grama, quando mais passamos sobre um caminho, mais profundo ele vai ficando, até abrirmos verdadeiras trilhas. Por isso, quanto mais vezes tomamos a mesma decisão, mais estas ligações ficam fortes, e muitas vezes somos levados a tomar as mesmas decisões, mesmo quando não queremos.

Sentimentos como excitação, choque, susto, medo, desgosto, culpa e vergonha, aumentam a força das emoções e por isso, aumentam a força da ligação neuronal, aumentado assim o vício. Por isso, quando associamos o nosso vício a estes sentimentos acabamos os fortificando ainda mais. E quanto mais forte estiver a parte velha do nosso cérebro, mais difícil vai ser de controlá-la. Fortes emoções causam fortes memórias: Dopamina + Adrenalina.

O segundo fator que mais nos excita é a novidade. No caso da televisão e da internet, a capacidade de vermos tantas imagens diferentes em um único dia pode causar dependência. Queremos mais e mais novidades sempre. O nosso cérebro nesses milhares de anos de evolução nunca teve acesso a este tipo de novidade.  E por isto nossa facilidade em ficarmos dependentes de novidade.

Assim, o vício é uma memória de prazer muito poderosa combinada com uma resposta de prazer anestesiada. Ou seja, quando pensamos no vício parece que nos trará muito prazer, mas depois, quando executamos vemos que não é bem assim. E ficamos frustrados. E o pior é que esta frustração aumenta ainda mais a força do vício.

Outro fator muito importante a perceber conscientemente é que coisas e situações específicas servem de gatilho para disparar o vício. Do mesmo modo como o cheiro de biscoitos nos faz sentir vontade de comê-los, no caso dos vícios, algumas coisas ou situações nos levam a executá-los. É interessante notar que muitas vezes não é o desejo que gera a execução do vício, mas sim o tédio.

Normalmente nossa capacidade de tomar decisões se equilibra entre a capacidade do sistema nervoso superior (novo) de refletir, e do sistema límbico (velho) de querer que façamos as coisa. Quanto maior é o vício, mais forte fica o sistema límbico, e menos peso tem a razão nas tomadas de decisão.

Como curar???

O autor diz que o mais importante é perceber o vício e tirar uma folga dele. Ficar um tempo sem comer junk food, ou sem ver tv ou facebook, ou mesmo sem pornografia. Isto vai restaurar a sensibilidade do círculo de prazer e retornar o número de receptores ao nível normal. Deste modo, enfraquecendo também as conexões nervosas das ações guiadas pelo vício e fortalecendo aquelas racionais. Por fim, após algum tempo de abstinência, vamos restaurando a capacidade de sentir prazer com todo o resto da vida.

Desaprender e reaprender!

Vício, é uma rotina. E rotinas, gostemos ou não, tornam-se parte de nossa identidade, com uma triste consequência: sempre defendemos nossa identidade, por mais idiota que ela seja. Por isso, se você conscientemente escolher por caminhos saudáveis quando os estiver formando sobre a grama das conexões nervosas, você não vai precisar se preocupar em ter que mudá-los depois.

A primeira de seis partes, do vídeo sobre o vício da pornografia e todo o resto é este a seguir:

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