O Pão Nosso de Cada Dia

Lucas, escreve uma versão muito sucinta do Pai Nosso, não como uma oração contínua, mas sim, dividida em 3 pensamentos bem definidos, os quais também são divididos em 3 versículos diferentes, exatamente para nos ajudar a compreender o significado da oração:

«Quando vocês rezarem, digam: Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3 Dá-nos a cada dia o pão de amanhã, 4 e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos aqueles que nos devem; e não nos deixes cair em tentação.» Lc 11:2-4

A primeira parte diz: “Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.”
Temos pensando que o Pai que eles se referem no Novo Testamento é aquele que está acima da nossa consciência individual, acima do ego, aquele que nos guia através das intuições para a iluminação. Então, a primeira parte da oração é exatamente este pedido de elevação desta relação de nós com o Pai, em modo a chegarmos a iluminação, o Reino dos Céus.

A segunda parte diz: “Dá-nos a cada dia o pão de amanhã,”
Hoje eu decidi vir escrever por causa desta parte. Jesus não diz, dá-nos toda a riqueza do mundo, ele simplesmente diz, dá-nos o pão de amanhã. Ou seja, a pessoa tem que ter fé, que a cada dia lhe será dado o suficiente para o seu próximo dia. E isto também tem tudo a ver com o que é dito logo após ao Pai Nosso:

“Portanto, eu lhes digo: peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês! 10 Pois, todo aquele de que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta. 11 Será que alguém de vocês que é pai, se o filho lhe pede um peixe, em lugar do peixe lhe dá uma cobra? 12 Ou ainda: se pede um ovo, será que vai lhe dar um escorpião? 13 Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do céu! Ele dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem.” Lc 11:9-13

Ou seja, aqueles que realmente buscarem, será concedida a iluminação.

Uma metáfora muito interessante que gosto sempre de relembrar e que fala sobre traçar objetivos e acreditar no pão de cada dia, diz assim: Se decidirmos partir de carro a noite de Florianópolis para São Paulo, não sabemos com precisão todo o caminho que deveremos percorrer, mas sim, confiamos que seguindo a estrada e os sinais de trânsito vamos chegar lá. Só conseguimos ver um pequeno pedaço da estrada de cada vez, apenas aqueles 10 metros que o farol do nosso carro ilumina a nossa frente e é nisto que nos concentramos. Sem nos preocuparmos com o que acontecerá daqui a 300km, mas somente com o que está na nossa frente naquele momento.

No entanto, no nosso dia a dia não conseguimos pensar do mesmo modo. Não conseguimos acreditar que a cada dia nos será dado aquilo que precisamos. Não temos este tipo de fé. Somos governados pelo medo da escassez. E este medo nos obriga a guardarmos mais e mais, para que no futuro nada nos falte. É engraçado que nem mesmo sabemos se estaremos vivos amanhã. Mas deixamos de viver o hoje, preocupados com o que vai acontecer quando tivermos 80 anos.

Por fim, a última parte é: “Perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos aqueles que nos devem; e não nos deixes cair em tentação.” Se pensarmos que precisamos apenas do Pão Nosso de cada dia, quer dizer que, no dia que tínhamos em abundância para podermos dividir, assim o faremos, sem buscar retribuições, sem esperar pagamentos. Se continuamos a ter o suficiente a cada dia, então na verdade não necessitamos daquilo que um dia emprestamos, pois a cada dia já nos é dado o suficiente. Talvez a tentação é de querer mais do que precisamos e tentar explorar os outros para o nosso benefício.

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