A morte do Ego e o Nascimento do Eu Social.

Estou começando a ler o Evangelho de Lucas e achei impressionante esta introdução. Fala exatamente daquilo que temos discutido e pensado, vejam como explica tudo:

O ápice do terceiro Evangelho está nas palavras de Jesus na cruz: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (23,46). A morte de Jesus é a sua libertação nas mãos de Deus. É a conseqüência da sua vida e atividade voltada para os pobres e oprimidos, provocando toda a violência do sistema baseado na riqueza e no poder. Mas a morte é também a libertação, é o resultado da obediência total e confiante a Deus. Por isso Lucas vê a morte de Jesus como «assunção», o ápice do caminho de Jesus para o mistério de Deus. Jesus faz da sua vida e morte ato de humilde entrega a Deus. E Deus responde com a ressurreição (At 2,22-24; 3,15), que revela e legitima o caminho de Jesus como o caminho da vida.

O caminho de Jesus é, portanto, a pedagogia que ensina a fazer a história dos pobres que buscam um mundo mais justo e mais humano. Com efeito, Jesus traz o projeto para uma ordem nova, a libertação que leva os homens à relação de partilha e fraternidade, substituindo as relações de exploração e dominação. Eis o motivo por que o caminho-vida de Jesus e «todos os acontecimentos desta vida» (At 5,20) são importantes para revelar as dimensões de uma vida nova e educar o homem para um novo modo de ser e agir. Tal como Jesus educa seus discípulos durante a longa viagem relatada por Lucas (9,51-19,28). Nesse sentido, encontramos antes da viagem o convite fundamental para a vida: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga» (9,23ss). Jesus é o educador que mostra, pela sua palavra e ação, pela sua morte, ressurreição e ascensão, o caminho que leva à salvação e comunhão com o Pai, fonte e fim de toda a vida.

Este texto de introdução do Evangelho de Lucas confirma exatamente aquilo que tenho pensado. Que a vida de Jesus é a demonstração pedagógica de um caminho a ser seguido. Que tem como ápice a morte da nossa identidade individualista,  a morte do ego, a libertação completa do egoismo e entrega completa da vida individual à Deus, ou seja, uma consciência maior. Para assim renascer como um ser social e conhecer o verdadeiro eu e se tornar um outra pessoa, maior, mais iluminada, mais elevada, mais consciente. Não preocupada com a exploração, mas com a partilha, através dos pensamentos básicos de liberdade, igualdade e fraternidade.

Anúncios