O céu – A ilusão do limitado e a descoberta do infinito

Quando eu pensei sobre a analogia do Céu como uma representação da mente, achei que era somente pelo fato do céu estar acima do mundo, do mesmo modo que a mente se encontra no alto do nosso corpo, acima de todo o resto.

No entanto, este sábado durante uma linda tarde de céu azul e sol quentinho, decidi dar uma voltinha pela beiramar, e, olhando para o céu, comecei a me questionar o porque desta analogia.

Se pensarmos, o céu azul e iluminado que vemos durante o dia é causado pela refração dos raios de sol na atmosfera, provocando a ilusão que existe um teto azul sobre o mundo. Já durante a noite, quando não temos o sol, vemos o que realmente temos acima de nós, um universo infinito, com milhares de estrelas.

Poderíamos dizer que o mesmo acontece com a mente. De dia, enquanto estamos acordados, vivemos neste mundo de ilusões limitado pelos sentidos, em particular modo pela visão. Mas a noite, enquanto dormimos, saímos desse mundo “real” e entramos no mundo dos sonhos. Entramos em outra esfera existencial, com infinitas possibilidades, com outro padrão de realidade. Não mais iludidos por uma realidade limitada, mas livres para explorar infinitas realidades efêmeras, os sonhos.

Representando assim, o constante paradoxo entre a ilusão do limitado e a descoberta do infinito. Como se o céu azul representasse o próprio véu azul de Maya que nos impede de ver o infinito que se esconde por trás.

Logo depois, quando estava voltando pra casa vi que estava começando a missa, e como tenho escrito ultimamente sobre a bíblia, resolvi ir. Quando fui me comungar como sempre a hóstia ficou grudada no Céu da boca. Perceberam que aquilo que representa a nossa comunhão com Deus, fica grudada no nosso Céu interno, o céu da boca. E ficamos ali concentrados por cerca 1 minuto tentando desgruda-la e engoli-la. Já pensaram que isto talvez não seja uma coisa casual? Mas sim, que a hóstia nos obrigue a pensarmos, nos concentrarmos e entrarmos em contato com aquilo que temos dentro de nós. E talvez, que quando a terminamos de engolir não quer dizer que acabamos nossa comunhão, mas sim que estamos prontos e concentrados para começá-la. Que deveríamos aproveitar este momento de concentração extrema e foco no nosso interior, para exatamente entrar em comunhão, nos unirmos com esta parte interna de nós mesmo, com o Deus que habita o nosso coração, ou mesmo com o Reino dos Céus, nossa própria mente e intuições.

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