A revelação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sabe quando em um segundo mil coisa fazem sentido, tudo começa a se conectar e de repente é tudo a mesma coisa? Bem, isso aconteceu comigo hoje a tarde enquanto eu escovava os dentes correndo antes de ir pra aula de Yoga. Tudo começou dois dias atrás quando li esta passagem de Marcos 9:1-8.

1E Jesus dizia: «Eu garanto a vocês: alguns dos que estão aqui, não morrerão sem ter visto o Reino de Deus chegar com poder.»

2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles. 3 Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas, como nenhuma lavadeira no mundo as poderia alvejar. 4 Apareceram-lhes Elias e Moisés, que conversavam com Jesus.

5 Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.» 6 Pedro não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. 7 Então desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: «Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!» 8 E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.

A primeira coisa que pensei quando li isto, foi a completa semelhança com quando Krishna se revela a Arjuna, na Bhagavad Gita, Capítulo XI, versos 5-14:

5. A Suprema Personalidade de Deus disse: Meu querido Arjuna, ó filho de Pritha, vê então Minhas opulências, constituídas de centenas de milhares de variadas formas divinas e multicoloridas. 6. Ó melhor dos Bharatas, vê aqui as diferentes manifestações dos Adityas, Vasus, Rudras, Asvini-kumaras e todos os outros semideuses. Contempla as muitas coisas maravilhosas que ninguém jamais viu nem ouviu. 7. Ó Arjuna, tudo o que quiseres ver, contempla imediatamente neste Meu corpo! Esta forma universal pode mostrar-te tudo o que agora desejes ver e tudo o que queiras ver no futuro. Todas as coisas – móveis e inertes – estão aqui completamente, num só lugar. 8. Mas não Me podes ver com teus olhos atuais. Por isso, Eu te dou olhos divinos. Observa Minha opulência mística! 9. Sañjaya disse; Ó rei, tendo falado essas palavras, o Supremo Senhor de todo o poder místico, a Personalidade de Deus, mostrou a Arjuna a forma universal. 10-11. Arjuna viu naquela forma universal bocas ilimitadas, olhos ilimitados e maravilhosas visões ilimitadas. A forma estava decorada com muitos ornamentos celestiais e portava em riste muitas armas divinas. Ele usava guirlandas e roupas celestiais, e muitas essências divinas untavam o Seu corpo. Tudo era maravilhoso, brilhante, ilimitado e não parava de expandir-se. 12. Se centenas de milhares de sóis nascessem ao mesmo tempo no céu, talvez seu resplendor pudesse assemelhar-se à refulgência dessa forma universal da Pessoa Suprema. 13. Nesse momento, Arjuna pôde ver na forma universal do Senhor as expansões ilimitadas do Universo situadas em um só lugar, embora tenham sofrido muitos e muitos milhares de divisões. 14. Então, perplexo e atônito, com os pêlos arrepiados, Arjuna inclinou a cabeça para oferecer reverências e, de mãos postas, começou a orar ao Senhor Supremo.

E relendo agora, ainda mais coisas elas têm em comum. Do mesmo modo como os discípulos viram Moisés e Elias, que são dois profetas que vieram antes de Jesus. Os quais depois desaparecem, mostrando que todos os profetas são na verdade um único. Do mesmo modo Krishna é constituído de centenas de milhares de variadas formas divinas. Sem dizer que todos os dois são brilhantes, iluminados.

Esta foi só a primeira semelhança, depois percebi que na Bíblia, sempre que alguém recebe uma iluminação, eles sempre sobem em altas montanhas. Tanto no Velho Testamento, quando Moisés recebe os 10 mandamentos, como agora quando Jesus se revela em sua essência divina aos apóstolos. Então pensei: claro! Porque se a pessoa está em busca do Reino dos Céus, o fato dela subir em uma montanha quer dizer que ela está se aproximando. Subir em uma montanha deve ser exatamente a elevação espiritual, o desenvolvimento da autoconsciência, isolados e através da meditação subir ao reino da mente.

E cada vez mais eu penso que Jesus não é uma pessoa, mas sim o caminho a ser seguido, e todas as pessoas que são curadas por Jesus, são exatamente aquelas que pela fé o encontraram e que tocaram a bainha de suas roupas. Ou seja, nem sequer o conheceram realmente, mas só o fato de se aproximarem e seguirem este caminho em busca da iluminação, já foram curadas de sua cegueira.

E mais, na Bhagavad Gita toda a história se desenrola antes de uma batalha, quando Arjuna, o rei santo exilado de seu reino, decide ir a luta contra seu tio e sua própria família que usurparam o seu reino. Ou seja, tudo acontece para que Arjuna restitua o poder ao Rei Santo. Arjuna era criança e não podia governar o reino e por isso é exilado, mas quando chega a maioridade, e possui finalmente a capacidade de decidir por si mesmo, decide que precisa lutar para restituir o poder a quem o tem por direito.

Viram a semelhança? Jesus era o Rei do Reino dos Céus e o seu objetivo era exatamente restaurar esse Reino novamente sobre a terra, e tem os discípulos que representam do mesmo modo Arjuna.

Igualmente no Corão, o livro sagrado dos Judeus, que é constituído pelos 5 primeiros livros do Velho Testamento, Moisés recebe um chamado de Deus, e é guiado a lutar contra o Faraó, seu pai adotivo, para libertar seu povo da escravidão. Assim, foge do Egito, passando pelo deserto em busca da Terra Prometida. Também, do mesmo modo como Arjuna e os Discípulos falavam com um avatar de Deus, Moisés falava com o próprio Deus, que se revelava somente para ele.

Todos envolvem guerras contra o poder vigente, para restaurar a liberdade, igualdade e fraternidade ao povo. Mas o que pensei que realmente une todos, não é o fato de serem histórias copiadas, mas sim, a mesma parábola, recontada de modos diferentes. Escondida no meio de histórias, desde o começo dos tempos para que só aqueles que tivessem olhos pudessem ver. E viram o que Krishna disse a Arjuna :“Mas não Me podes ver com teus olhos atuais. Por isso, Eu te dou olhos divinos.” Ou seja, que para contemplar a Iluminação, para chegar a ver o próprio Deus, não podemos buscá-lo com nossos olhos, mas sim com o olho da mente. Somente com este, isolados no alto de uma montanha, quando estivermos já avançados na nossa busca espiritual, é que poderemos contemplá-lo, na sua opulência, majestosidade e brilho.

Deste modo, Arjuna e os Discípulos, representam cada um de nós em nossa busca para redescobrirmos quem realmente somos e a guerra contra nós mesmos, nossas famílias e a sociedade, que devemos enfrentar diariamente para conseguirmos trilhar o caminho do autoconhecimento que nos levará a iluminação.

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