Quanto vale a sua vida?

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta parte é interessantíssima e penso que seja uma explicação da própria morte e ressurreição de Jesus:

Então Jesus chamou a multidão e os discípulos. E disse: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 35 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim e da Boa Notícia, vai salvá-la. 36 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? 37 Que é que um homem poderia dar em troca da própria vida? 38 Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante dessa geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com seus santos anjos.»
Mc 8:34-38

Ele diz que quem quer salvar a sua vida vai perdê-la. Não no sentido de morrer, mas sim, que vai ter que abandonar a sua vida como ela é agora, todos os seus confortos, as suas ideias, a sua busca por riqueza, e dedicar-se completamente a busca da iluminação. Pois, segundo ele não adianta ficar pensando, precisa-se agir para chegar lá.

E por isso ele fala que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino do Céu. Pois, para um rico é muito mais difícil se desapegar do seu luxo, dos seus bens e do seu estilo de vida para começar a seguir o caminho do autoconhecimento. Do contrário, já uma pessoa que não tem nada fica mais fácil, pois já vive nestas condições.

E depois ele pergunta qual o valor da vida? “Que é que um homem poderia dar em troca da própria vida?” Vale o salário que você ganha do seu patrão? Valem todos os sapos que você precisa engolir? Vale o seu programinha de TV no fim do dia? Se o tempo é irreversível, então cada segundo de nossas vidas é de uma preciosidade infinita, impagável e insubstituível. O que fazemos com este tempo e por quanto o vendemos?

Tudo inicia com “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.” Acho que isto explica o próprio conceito de sacrifício. Não no sentido de morte, mas o sacrifício de viver a vida a serviço dos outros por amor. Do mesmo modo como uma mãe se sacrifica para dar o melhor para seus filhos. É isso que ele pede, pegue sua cruz, escolha um modo de doar sua vida para o serviço a comunidade e para a descoberta do autoconhecimento. Para isso, você precisa enfrentar seus maiores medos ou suas maiores dificuldades para conseguir seguir este percurso. Pois certamente não é uma coisa simples. Muitos já receberam o chamado para segui-lo mas poucos realmente conseguiram renunciar a tudo. Muitas vezes por medo, muitas vezes por vergonha, outras tantas pela própria família.

Este apego à família é considerado também pelos Hare Krishnas como um das ferramentas de Maya para nos enganar e nos manter apegados ao mundo material. Em Mateus 10:35-39 dizia a mesma coisa:

De fato, eu vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. 36 E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37 Quem ama seu pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39 Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.»

Para evitar radicalismos, acho que um bom exercício é começar a praticar o desapego.
🙂

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