Interpretação da Multiplicação dos Pães e Peixes 2

O problema de cortar as parábolas em pedaços pra tentar explica-las é as vezes podemos perder o pedaço mais importante. Agora eu estava lendo Marcos, o segundo livro do N.T. e percebi muitas coisa que não tinha percebido em Mateus. Talvez seja por isso que tudo na Bíblia é sempre repetido tantas vezes com palavras ligeiramente diferentes, porque, mesmo lendo a mesma coisa, uma palavrinha a mais pode fazer toda a diferença. Também, começo a perceber que os números dos versículos ajudam a entender o código, não são divididos por número de palavras, mas por ensinamento. Voltando à multiplicação dos pães e peixes, desta vez desde o começo e narrada por Marcos 6:30-53:

30 Os apóstolos se reuniram com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado.

Marcos enfatiza que os apóstolos já estavam começado a praticar e a ensinar.

31 Havia aí tanta gente que chegava e saía, a tal ponto que Jesus e os discípulos não tinham tempo nem para comer. Então Jesus disse para eles: «Vamos sozinhos para algum lugar deserto, para que vocês descansem um pouco.»

No deserto foi onde Jesus falou, “nem só de pão vive o homem”. Eu estou pensando que o deserto é a meditação, onde estamos sozinhos com nós mesmos. E percebam que neste mesmo versículo ele fala também que eles não estavam conseguindo comer. O que é o comer?

32 Então foram sozinhos, de barca, para um lugar deserto e afastado.

Sempre a barca. A barca que leva o homem sobre o mar, para algum lugar deserto e afastado. O que seria esta barca? Inicialmente eu pensei que fosse a religião ou a doutrina que guia o homem sobre o mar da ignorância. Também a barca pode ser a personalidade que flutua sobre o mar da consciência. Do outro lado do mar está o Reino dos Céus, através da meditação acalmamos este mar e chegamos à iluminação. Aqui Jesus convida os discípulos para irem no barco junto com ele – isto é importante para depois.

33 Muitas pessoas, porém, os viram partir. Sabendo que eram eles, saíram de todas as cidades, correram na frente, a pé, e chegaram lá antes deles.

Percebam que as pessoas não vão de barco, elas vão a pé.

34 Quando saiu da barca, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar muitas coisas para eles. 35 Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: «Este lugar é deserto e já é tarde. 36 Despede o povo, para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer.» 37 Mas Jesus respondeu: «Vocês é que têm de lhes dar de comer.» Os discípulos perguntaram: «Devemos gastar meio ano de salário e comprar pão para dar-lhes de comer?»

Jesus diz que aos apóstolos que eles que deveriam dar de comer, eles que deveriam ensinar e saciar a fome de conhecimento do povo.

38 Jesus perguntou: «Quantos pães vocês têm? Vão ver.» Eles foram e responderam: «Cinco pães e dois peixes.»

Mas os apóstolos dizem que ainda tem pouco conhecimento para saciar o povo, somente cinco pães e dois peixes. É interessante notar que na segunda multiplicação, um pouco mais a frente, eles tem sete pães e dois peixes, ou seja, passou já o tempo e eles já têm mais conhecimento para passar.

39 Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40 E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinqüenta pessoas.

Aqui Marcos enfatiza que as pessoas sentaram sobre a grama verde, não sobre pedras e espinhos, ou seja, eles estavam prontos para serem semeados com o conhecimento. E formaram grupos, em modo que cada apóstolo pudesse ir e ensinar a cada grupo.

41 Depois Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. 42 Todos comeram, ficaram satisfeitos,

Aqui os apóstolos vão ensinar ao povo e distribuir os ensinamentos que vêm do seu mestre. Aquilo que eles pensavam ser pouco, através da fé vai se multiplicando. A bíblia fala o tempo inteiro que é só através da ação que chegamos à iluminação. Então, agora que os apóstolos colocaram a mão na massa e começaram a praticar realmente. E iniciam a perceber que através da ação de repassar o conhecimento que eles receberam de seu mestre, este conhecimento se multiplica dentro de cada um que o escuta e todos aprendem e ficaram saciados.

43 e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44 O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens.

E ele enfatiza que recolheram 12 cestos cheios de pedaços de pão e peixe. Ou seja, os 12 apóstolos ao darem o pouco que tinham recolheram muito mais em troca. Finalmente foram pregar a palavra, deste modo multiplicaram aquilo que parecia pouco e voltaram com muito mais conhecimento do que tinham saído. Também, os doze cestos podem representar a multiplicação do conhecimento inicial por todos os cinco mil homens. Os dois peixes são Jesus e Pedro, e os 5 pães os apóstolos que tinham fé.

45 Logo em seguida Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca e ir na frente para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46 Logo depois de se despedir da multidão subiu ao monte para rezar.

Viram, agora, que já começaram a praticar, Jesus obriga os discípulos a entrarem no barco sozinhos e enfrentarem o mar sozinhos.

47 Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. 48 Viu que os discípulos estavam cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, entre as três e as seis horas da madrugada, Jesus foi até os discípulos andando sobre o mar, e queria passar na frente deles.

O vento é o medo que nos impede de prosseguir nosso caminho de autoconhecimento.

49 Quando os discípulos o avistaram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. 50 Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: «Coragem! Sou eu, não tenham medo!» 51 Então subiu com eles na barca. E o vento parou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, 52 porque não tinham compreendido o acontecimento dos pães. O coração deles estava endurecido.

Aqui os apóstolos já tinham presenciado o milagre da multiplicação, mas tudo ainda é muito recente e eles não compreendem. A fé deles ainda não é forte o bastante e agora que estão sozinhos, tentando lutar contra o mundo ou a ignorância (o mar), e principalmente lutar contra o próprio medo (o vento contrário) e não conseguem mais avança no seu percurso de autoconhecimento. No entanto, seu mestre e guia espiritual vem os ajudar a superar aquela dificuldade e acaba com o medo.

53 Acabando de atravessar, chegaram à terra, em Genesaré, e amarraram a barca. 54 Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus.

Como sempre a ênfase na barca.

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