Sigam-me, e eu lhes farei pescadores de homens.

Desde o começo do Novo Testamento Mateus diz que todas as informações vão ser passada escondida:

“Abrirei a boca para usar parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo.” Mt 13:35

Eles escrevem algumas parábolas que Jesus falou e nos ensinam a decifrá-las, bem para ajudar-nos a perceber que nem tudo é o que parece. No entanto não são estas as únicas parábolas, todo o texto é codificado:

“É certo que vocês ouvirão, porém nada compreenderão. É certo que vocês enxergarão, porém nada verão. Porque o coração desse povo se tornou insensível. Eles são duros de ouvido e fecharam os olhos, para não ver com os olhos, e não ouvir com os ouvidos, não compreender com o coração e não se converter. Assim eles não podem ser curados.” Mt 13:14-15

De acordo com a nossa percepção, vamos encontrando algumas chaves de leitura para decifrar o código. Alguns pontos onde a interpretação fica mais fácil e de repente revelamos todo um pedaço do código. Um significado.

“Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não existe nada de oculto que não venha a ser conhecido. O que digo a vocês na escuridão, repitam à luz do dia, e o que vocês escutam em segredo, proclamem sobre os telhados.” Mt 10:26-27

Ontem lendo esta próxima parte, comecei a pensar sobre tudo isso, e a começar a pensar sobre a metáfora do mar, dos pescadores, dos ventos e ondas que é sempre utilizada:

Entre as três e as seis da madrugada, Jesus foi até os discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: «É um fantasma!» E gritaram de medo. Jesus, porém, logo lhes disse: «Coragem! Sou eu. Não tenham medo.»

Então Pedro lhe disse: «Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.» Jesus respondeu: «Venha.» Pedro desceu da barca, e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: «Senhor, salva-me.» Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: «Homem fraco na fé, por que você duvidou?»

Então eles subiram na barca. E o vento parou. Os que estavam na barca se ajoelharam diante de Jesus, dizendo: «De fato, tu és o Filho de Deus.»

Já perceberam que grande parte das coisas relacionadas a Jesus e aos apóstolos usa o mar, o barco, as ondas, o vento e a pesca como metáfora. Na história e na igreja, o próprio Jesus é representado como o peixe. Nesta parábola, pois começo a pensar que tudo são parábolas, acho que o mar representa a divisão entre dois mundos, duas realidades: sobre as águas está o Reino dos Céus e da luz e abaixo das águas do mar se encontra o reino da escuridão e ignorância.

Jesus já chegou a completa iluminação, ele caminha sobre o mar sem problema. Ele domina completamente as águas profundas e escuras da ignorância. Nem mais de barco precisa, ele domina completamente o Reino dos Céus. Para caminhar sobre o mar da ignorância precisa-se ter uma fé inabalável, acreditar que é possível, acreditar que existe algo a mais a ser descoberto, e a partir da fé, aumentar a percepção da realidade até a completa iluminação. Precisa abandonar-se por completo.

No caso dos apóstolos eles ainda estão aprendendo por isso ainda precisam do barco. Esta foi a primeira vez que Jesus lhes disse para navegarem sozinhos no mar. E no meio das ondas e dos ventos eles ficaram com medo e chamaram por Jesus. O barco é aquilo que nos sustenta no começo da nossa travessia, acredito que seja a religião ou a própria igreja, já que eles estão todos juntos no mesmo barco. Assim, o barco seria a instituição que sustenta o homem acima da ignorância? que ajuda o homem a ter fé e a conhecer o Reino dos Céus? O que acham?

As ondas são todas as coisas que pertencem ao mundo da ignorância e tentam derrubar o homem do barco. Acho que são todos os instrumentos de Maya que nos tentam e nos enganam para nos afogar novamente no mar da ignorância. Já o vento parece ser o medo, que quando sopra nos faz perder a fé, deixar de acreditar e começar a afundar novamente na ignorância.

Nas primeiras páginas do NT, quando Jesus encontra seus primeiros apóstolos, Pedro e André, os quais eram já pescadores, ele lhes diz somente: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens.”

Ou seja, a partir da verdade que eles ensinam, eles pescariam e resgatariam os homens do mar da ignorância. Os apóstolos já eram pescadores antes mesmo de encontrarem Jesus, talvez como um sinal que eles já navegassem sobre o mar da ignorância, mas agora Jesus queria que eles fizessem mais que isso, ele queria que eles começassem a evangelizar, e ensinar este conhecimento para outras pessoas. Como um chamado ao autoconhecimento.

Outra reflexão é que Jesus não é realmente uma pessoa, mas sim o caminho de autoconhecimento. Ele mesmo diz:

Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.

Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.

João 14:3-6

Ou seja, Jesus mostra qual o percurso de autoconhecimento que devemos seguir para chegar ao Pai, que seria a ligação completa com Deus, a iluminação, o Shamadi. É interessante como Jesus sempre diz me sigam, e as pessoas o seguem. Do mesmo modo como seguimos um caminho, seguimos um percurso espiritual. E as pessoas que vão a Jesus para serem curados, são cegos, mudos… pessoas que não conseguem ver ou perceber a realidade. E Jesus sempre lhes pergunta: você acredita? Elas dizem, acredito. E são curadas. Ou seja, apenas seguindo o caminho de autoconhecimento com fé que podemos ser curados da nossa cegueira e ignorância.

Voltando a parábola do mar, Pedro, o primeiro dos apóstolos quando vê Jesus caminhando sobre as águas da ignorância pergunta se pode se juntar a ele. Jesus diz: Venha. Então Pedro abandona o barco e começa a caminhar sozinho sobre o mar da ignorância. Mas sem a segurança da religião (o barco) e sem o apoio de Jesus (o caminho a ser seguido) começa a escutar o vendo (o medo), e sua fé se abala, duvida da existência do Reino do Céu e começa a afundar novamente na ignorância. Mas ele pede a ajuda de Jesus, que lhe diz “Homem fraco na fé, por que você duvidou?”. Lhe dá a mão e lhe guia de volta ao barco. Ou seja, quando Pedro começou a trilhar seu próprio caminho, ele começou a sentir medo e por ter pouca fé acabou voltando a se apoiar em Jesus. Ele ainda não estava pronto a seguir sozinho e voltou para o amparo do barco.

A conclusão de hoje é que Jesus não é uma pessoa, mas sim a representação de um caminho de autoconhecimento a ser seguido para emergir do mar da escuridão e ignorância e chegar a iluminação, o Reino dos Céus. Para seguirmos este caminho precisamos ter fé, acreditarmos profundamente e não duvidarmos da nossa capacidade. Que todas as informações do NT foram escondidas e codificadas, mas com o desabrochar de nossa percepção tudo nos será revelado.

Para concluir no começo do NT Jesus diz para não fazermos como os hipócritas que vão rezar nas igrejas, que para se autoconhecer é melhor estarmos sozinhos trancados no nosso quarto:

 “Quando vocês rezarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas, para serem vistos pelos homens. Ao contrário, quando você rezar, entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao seu Pai ocultamente; e o seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.” Mt 6:5-6

Viram, ele diz o Seu Pai, ou seja, a sua própria capacidade de se autoconhecer te recompensará!

Estou achando o Novo Testamento incrível, espero que gostem também!
Bjao

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