Os sussurros persuasivos do vício

 

 

Ultimamente tenho tentando perceber conscientemente todas as coisa que faço e que interferem na minha vida. Esta semana pensei sobre os vícios e como é difícil combatê-los. Não sei exatamente como definir o vicio, talvez seja tudo aquilo que nos envergonha e que escondemos dos outros. Afinal, se temos vergonha de contar pros outros é porque não deve ser algo muito bom. Claro que existe a privacidade, mas normalmente estas ações estão associadas à culpa.

Assim, existem duas possibilidades, ou mudamos o nosso modo de pensar a respeito destas ações que tratamos como tabu e paramos de nos sentirmos culpados, ou o eliminamos completamente, eliminando junto a negatividade trazida pela culpa. No entanto, todos os vícios estão ligados a ações, momentos ou ambientes e todas as vezes que nos deparamos com estas ações, momentos ou ambientes acabamos nos sentindo tentados a praticar novamente o vicio.

Por exemplo, tem que goste de fumar depois de comer por exemplo, e, quando decidir parar de fumar, toda vez que acabar de comer vai lembrar do cigarro e vai vir vontade de fumar.

A pergunta deste post é: Da onde vem esta vontade?

Se notarmos não é uma simples vontade que sentimos, pois, muitas vezes já nos convencemos completamente sobre o que temos que fazer, estamos determinados e convencidos que o melhor é eliminar o vicio, mas, toda vez que nos deparamos com essas ações, momentos ou ambientes, uma voz interior, tão forte como a nossa decisão de suprimir o vicio, nos tenta convencer que deveríamos praticá-lo.

É como uma conversa quase que esquizofrênica entre duas partes de nós mesmos, como uma guerra para ver quem é mais persuasivo. No fim cabe sempre a nós tomarmos a decisão de evita-lo ou sucumbir as tentações. As vezes decidimos pelo vicio outras pela abstinência.

No entanto, o que eu gostaria de ressaltar hoje é exatamente a percepção deste diálogo interno, e por fim tentar decifrar quem são os responsáveis da discussão. Somos somente nós mesmos? São partes distintas de nós mesmos que discutem pela soberania? Que partes são estas? Porque brigam entre si? Se são partes de nós mesmos com podemos não controla-las? Como podemos ser um e ao mesmo tempo não termos uma opinião única, mas sim deixar-nos convencer  pela opinião mais persuasiva? Mas e se essas partes não forem somente nós. E se tivéssemos realmente o diabinho e anjinho em torno a nós brigando, como nos desenhos animados antigos, sussurrando em nossos ouvidos. E nos coubesse somente a decisão final. O objetivo deste post é exatamente este, tentem perceber esse dialogo… Quem é que discute com quem?

Ultimamente tenho pensado que um dos objetivos da nossa existência atual é exatamente conseguir perceber essas presenças. Que a humanidade está se aproximando da capacidade de perceber que são essas presenças que nos circundam, nos tentam e nos persuadem. Acho que nossas opiniões não são somente nossas, mas que somos rodeados por presenças que se alimentam da nossa culpa e por isso nos persuadem ao vicio. Por isso no começo falei, ou eliminamos a culpa ou eliminamos o vicio.

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