A conversa como regulador dos sistemas sociais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo Niklas Luhmann as família são sistemas simbólicos autoreguladores formados e mantidos a partir de conversas:

Um sistema familiar pode ser definido como uma rede de conversas que exibe circularidades inerentes. Os resultados de conversas dão origem a mais conversas, de modo que se formam laços de realimentação auto-amplificadores. O fechamento da rede resulta num sistema compartilhado de crenças, de explicações e de valores — um contexto de significados — continuamente sustentado por mais conversas.

Os atos comunicativos da rede de conversas incluem a “autoprodução” dos papéis por cujo intermédio os vários membros da família são definidos e da fronteira do sistema da família. Uma vez que todos esses processos ocorrem no domínio social simbólico, a fronteira não pode ser uma fronteira física. É uma fronteira de expectativas, de confidencias, de lealdade, e assim por diante. Tanto os papéis familiares como as fronteiras são continuamente mantidos e renegociados pela rede autopoiética de conversas.

Achei muito bom esse texto, pois trás à consciência que o nosso papel na família,  mas eu diria também em redes de amigos e qualquer rede social mais ampla, é definida pelo que falamos e fazemos. Ou seja, os conceitos que expressamos por nossas ações e palavras auto produzem nossa posição no sistema. Assim, uma pessoa só é considerada dentro de um sistema, se ela se comportar de acordo com o que o sistema define ser interessante para o grupo. Qualquer ação que vai contra os ideais de convivência do grupo é tido como uma agressão. Deste modo, se uma pessoa for agressiva, tanto fisicamente como verbalmente, esta será de pouco em pouco excluída do grupo. Seguindo a mesma linha de pensamento, um membro do grupo pode não se identificar mais com as ações e ideologias do grupo e si afastar.

O problema que a agressão tem um significado muito sutil e o seu conceito pode variar de pessoa a pessoa e de momento a momento. Por exemplo, com a mudança dos valores de uma pessoa, coisas que para ela antes eram normais de um momento ao outro podem si tornar agressivas, ou mesmo, a mesma coisa dependendo do contexto pode ou não ser agressiva.

Então o que seria uma agressão?

Pensei em qualquer coisa que fira qualquer um de nossos corpos ou o seu equilíbrio. No sentido que temos muitos níveis corporais, como por exemplo: o corpo material, mental, emocional, energético, moral (ou social)… Deste modo, uma pessoa pode nos bater e agredir fisicamente, pode nos xingar e agredir mentalmente, pode fazer ações que nos agridam emocionalmente, pode ser uma vampira energética e sugar nossa energia, pode nos denegrir socialmente agredindo nossa moralidade e posição social e, por fim, pode a partir de suas ações e palavra, mesmo não direcionadas expecificamente a nós, mas ao grupo, nos agredir ou desequilibrar.

Então, no que este conhecimento pode ser útil?

Acho que este conhecimento porta à consciência o fato que para fazermos parte de um grupo temos que nos comportar de acordo com os valores deste grupo. Caso nos sintamos excluídos de um grupo de amigos, colegas de trabalho, ou mesmo dentro de nossa própria família, temos que ampliar nossa percepção em modo a percebermos quais são as nossas ações ou palavras que provocam a esta exclusão. Isto é muito difícil pois precisamos mudar nosso ponto de percepção e ver a nós mesmos pelos olhos dos outros. Talvez o melhor é ser aberto e franco e perguntar, conversar e depois refletir: Se somos capazes de mudar a nós mesmo para nos reintegrar ao grupo. Se somos capazes de mudar e ampliar a visão do grupo para nos reintegrar. Ou se a nossa visão e ideais já não podem mais ser compartilhados com o grupo e deste modo temos que nos afastar.

Como o autor fala, todo o sistema é mantido a partir das conversas, que geram mais conversas. Isto se vê na prática, quanto mais conversamos com amigos, mais assuntos vamos tendo e mais conversas vão surgindo. Acho que o ponto mais importante deste pensamente é exatamente este, perceber o que falamos, o modo como falamos, em que situações falamos e a quem falamos. Isto eu já tinha aprendido com o Carnage, mas agora ficou ainda mais consciente.

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