A Existência

Ontem a partir do simples fato de parar de me movimentar comecei a questionar toda a existência e quatro pontos se iluminaram em minha mente, O Não Movimento e A Libertação da Mente, O Eu Sou e o Eu Estou, A Separação entre a Inteligência e A Vida e Quando passei a Existir. Espero que gostem desta reflexão.

O Não Movimento e A Libertação da Mente

Hoje fiquei completamente parado e acho que finalmente comecei a entender o propósito da meditação e também do Yoga. O significado de Yoga é União com Deus, e seu significado está muito além dos exercícios físicos que nós ocidentais atribuímos à palavra.

Pensei nos exercícios físicos da prática, como um exercício para dominar os movimentos do corpo e ampliar a nossa consciência corporal, dominando os seus movimentos e assim, possibilitando o completa extinção do movimento, ou seja, ficar completamente parado, para libertar a mente e assim poder exercitá-la e consequentemente dominá-la.

Tudo começou com uma simples constatação, eu estava completamente imóvel, sozinho e percebi conscientemente que a imobilidade do corpo não constringe a mente a ficar imóvel. Muito pelo contrário, a liberta de ter que controlar o corpo e administrar todas as informações que lhe enviamos constantemente, e lhe possibilita viver por si só, em um outro nível existencial, em uma velocidade de pensamentos que desafia o próprio tempo material.

Somente no estado de não movimento que se pode perceber conscientemente o estado da mente. Com os olhos fechados ou abertos, depois da imobilidade chegamos ao esquecimento do corpo. Agora somos em um outro mundo, uma nova esfera da existência. O tempo aqui é diferente. Em segundos elaboramos completos discursos, pensamentos profundos e verdadeiros. Examinamos a existência do mundo e a nossa própria existência.

Um exercício interessante é ficar na frente do espelho, completamente parado e se observando. Quem eu sou? Como é possível ser somente este corpo, se ele ta ali completamente parado enquanto outra parte de mim está em completo movimento. Ou seja, não posso ser apenas o corpo. O que é esta outra parte de mim?

O Eu Sou e o Eu Estou
Ultimamente minhas reflexões começam sempre com a pergunta básica, Quem sou eu? É divertido porque demora até entendermos o que é realmente esta pergunta.

Inicialmente pensamos que o EU SOU é apenas o reflexo socio-econômico-cultural da realidade em que vivemos. Ou seja, O Glauber, filho de tal, que mora na Rua tal, trabalha com tal, casado com tal… e assim por diante… Mas o EU SOU está além disto. Esta é a condição momentânea que eu estou vivendo, como a construção de um personagem, não é a representação da eternidade materializada no EU SOU esta condição efêmera é apenas EU ESTOU.

Este é um jogo de auto análise, que começa a analisar a existência de muitos ângulos, de muitos pontos. E tentar perceber, além de mim, do que faço parte, de que sistemas mais elevados eu sou uma pequena peça. Do mesmo modo como minhas células compõem o meu corpo, eu também faço parte de uma composição maior?

Quando estamos sozinhos, não somos o fruto da sociedade e das experiências que nos criaram. Não pensamos em quem nos criou, onde moramos, o que estudamos, o que fazemos, com o que trabalhamos, não pensamos em nada disso. Quando estamos sozinhos simplesmente SOMOS.

Mas como posso ser alguma coisa além de eu mesmo. Quem sou? Mas se eu sempre pensei que eu era o filho de fulano e fulana, que nasceu na cidade tal, frequentou os colégios tal e tal, então eu já sei quem eu sou. O que quer dizer quem eu sou? Eu tenho que ser alguma coisa diferente do que eu já sou? Acho que eu simplesmente sou e basta. E o que é esse sou ou soul. Acima de sermos homens e sociedade, simplesmente somos. Somos a vida e a vida é o ser maior. Nosso planeta está vivo e interconectado por milhares de formas de vida que convivem entre si, e se mantém entre si, formando um sistema, o ecossistema, a biosfera. Antes de sermos bactérias, protozoários, fungos, plantas e animais, somos seres vivos. Somos uma massa viva que movimenta o planeta. Somos a própria existência além da realidade individual de cada ser.

A Separação
Me veio a ideia que antes fazíamos parte da vida, dessa grande vida que compõe as floresta, os desertos, os rios e os mares. Milhares e milhões de organismos que povoam a Terra, uns minúsculos e instantâneos, outros enormes e que vivem centenas e milhares de anos. Incontáveis, que povoam cada micro espaço da existência. Eles são a expressão da vida.

Me veio muito pensar no Gêneses. Como se, quando Adão e Eva quiseram comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ou seja, passar a decidir o que é o certo e o errado, ao invés de continuar apenas seguindo o que o grande sistema de vida, o Planeta, Deus, dizia como sendo certo, neste momento eles pararam de pensar junto ao sistema e começaram a decidir por si sós. Aqui nasceu a humanidade. A inteligência individual se dissociou do inconsciente coletivo.

Acho que ultimamente a humanidade tem pensado que poderiam criar um mundo melhor, criar um mundo completamente novo, pois aquele que lhes foi dado não é suficiente. Desce pensamento se criou um monstro incontrolável e faminto, que se nutre de miséria, poluição, individualismo e egoísmo. Mas nem tudo é terrível, porque também conseguimos desenvolver coisas maravilhosas, a arte da gastronomia, da música, dos perfumes, do cinema, da pintura, literatura e próprio desenvolvimento do pensamento por si só.

No entanto, quando provamos do fruto do conhecimento do bem e do mal, nossa consciência individual, o nosso ser vivo primordial, se separou da existência maior. Aquilo que nos criou, a força de criação e evolução da vida na Terra. Aquela foi a primeira separação, mais ainda éramos uma sociedade, vivíamos em grupo, existia o pensamento social, a necessidade um do outro para existir, o contato físico tanto com a humanidade como com a própria terra e ecossistema. Mas isso mudou.

Agora perdemos completamente o contato com a vida maior. A modernidade nos separou dele. O fruto do bem e do mal separou a nossa consciência individual da consciência da terra, nos dizendo que somos livres para fazer o que quisermos. Criamos as cidades, as roupas, os sapatos e nos separado da própria vida que nos rodeava, seja no chão onde pisávamos, nas árvores, folhas e cavernas onde dormíamos, tudo era formado por vida pulsante. Construindo nossos cubículos de concreto fomos castrados dessa energia que nos nutria. Mas ainda tínhamos uns aos outro, vivíamos juntos, em tribos, em comunidades, mas não era o bastante, agora precisamos morar em casas, cada um na sua, e estamos nos distanciando cada dia mais das outras pessoas. Nem mais pra trabalhar precisamos nos reunir, cada dia mais cada um vive, trabalha e desenvolve a sua vida em seu cubo de concreto, em sua casa, isolado. Cada dia mais estamos nos isolando de uma parte de nós mesmos. Como se fosse um modo de exterminar a própria vida, exterminar a nossa essência, exterminar a nossa alma.

Pense que antes de sermos um produto da sociedade, somos a vida. E a vida existe em todo o mundo, uma grande massa viva, que cobre o mundo, ou ao menos cobria. A cada dia devastamos mais florestas, poluímos mais rios e lagos, acabando e destruindo a vida que envolve o planeta. Mas nós somos parte desta massa viva e, se por a caso conseguirmos finalmente exterminarmos a vida, exterminamos também nós mesmos.

Quando passei a existir?
Eu fiquei pensando. E antes de nascer eu já existia? Se, de acordo com a Baghavad Gita, a alma é imortal, sempre existiu e sempre existirá. Mas então, se antes de nascer eu já existia o que eu era. E, em que momento eu passei a ser eu? Desde a fecundação?

A partir dessa pergunta comecei a pensar… como se… antes de sermos o corpo fossemos uma energia de vida, que, a partir da fecundação, passa por todo um desenvolvimento celular que nos transporta por toda a evolução da vida no planeta. Nos 9 meses de gestação, vamos passando por muitas formas que representam todos os estados da evolução, até que, finalmente, assumimos a forma de seres humanos. Como se, a partir desse processo, aprendêssemos empiricamente o que é a vida material, o que é a matéria, como se formou esta existência e que agora também fazemos parte dela.

Uma pessoa se olha no espelho e se pergunta, este sou eu? Mas eu não sou a pessoa no espelho, eu sou a pessoa que está na frente do espelho. E, se cada um vê o que quer, eu talvez poderia ser capaz de ver além da forma que aprendi a me identificar no espelho. Quem sou eu além desta forma. Posso ver a energia vital que anima este corpo? Ficando completamente parado na frente do espelho, o cérebro continua em um turbilhão de pensamentos, muita coisa acontecendo, tudo, menos estar parado. Então como é possível que este corpo parado seja eu? Eu sou algo além deste corpo, sou também este corpo, mas o meu eu está além dele. Pois, mesmo parado e completamente imóvel minha mente continua a funcionar e muito enfaticamente.

Precisamos estar em contato com os outros, tocar, abraçar, estar perto, estar descalços, interagir com o mundo, interagir com a natureza, sentir que fazemos parte desse sistema maior que se chama ecossistema, planeta, existência, vida, Deus.

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