A felicidade, A satisfação e o Infinito

Eu tinha começado a escrever hoje pensando em um diário, como uma ajuda pra entender o que eu estava fazendo e precisava fazer, mas no fim tudo acabou tomando um rumo completamente diferente… Então compartilho com vocês o que acabou saindo…

Tenho ficado muito em casa, talvez me escondendo. Talvez tentando aniquilar a minha própria necessidade de resolver tudo. Talvez tentando me enganar que eu não decidi a muito tempo o que fazer, e que na verdade eu sempre soube mas ainda não tinha tido coragem de falar. Ou melhor, a coragem de enfrentar a comodidade de ser amado e ferir quem me ama para buscar a verdade.

Um dia eu percebi que talvez eu estivesse fugindo da felicidade. Como se escolhendo propositadamente os caminhos errados, talvez por medo de lutar pela verdade. O problema é que se mentimos muito tempo para nós mesmos acabamos esquecendo a verdade. E assim, acabamos entrando em um padrão de erros contínuos, buscamos a felicidade em lugares que já sabemos previamente que não vamos encontra-la completamente. Tipo… ah, eu sei que isso não me deixa completamente satisfeito, mas ao menos me traz um pouco de felicidade.

É difícil estar feliz e satisfeito ao mesmo tempo. Sempre percebi os dois como coisas completamente diferentes. A felicidade diz respeito ao que temos no momento e a satisfação reflete o que gostaríamos de ter. Estamos satisfeitos quando conquistamos alguma coisa que queremos, que sempre desejamos… não sei se tem apenas uma razão material. Acho que ficamos satisfeitos quando sabemos que tomamos as decisões que gostaríamos de tomar, quando sabemos que tivemos a coragem de tomar as decisões certas, por mais difíceis que sejam. Talvez nestes momentos parecemos não sermos completamente felizes, porque ficamos um pouco com o coração partido, por abandonar tantas coisas seguras. Mas somos satisfeitos, pois estamos seguindo nosso coração, estamos seguindo aquilo que pensamos ser o melhor tanto para nós quanto para os outros. Pois, quando paramos de mentir para nós mesmo, temos que parar de mentir também para os outros. Mesmo que a verdade seja necessária, mesmo assim ela ainda pode ser dolorosa. Não nas suas palavras, mas nas conseqüências de suas decisões.

Ontem, enquanto eu meditava no templo da SRF, muitas coisa existiam. Ao mesmo tempo que eu tentava me concentrar no silêncio, o perfume de incenso, o canto dos pássaros, o desconforto da cadeira, me lembravam do mundo exterior. Eu ficava em uma luta, digamos assim, pra tentar compreender e ter consciência dos dois mundos contemporaneamente. Tanto o mundo interno, quanto aquele externo. Mas me parecia impossível.

Então a resposta me vou dita exatamente do texto que estava sendo lido: talvez a única possibilidade é o infinito. Somente no infinito podemos compartilhar o mundo interno e externo. Somente se pensarmos na nossa unidade com o todo que podemos compartilhar do mundo interno e externo juntos. Pois quando fechamos os olhos podemos contemplar o infinito. Quando abrimos os olhos, lembramos que somos assim, tão pequenos comparados ao universo. Ontem leram um parágrafo muito bonito, falando da contemplação do infinito. Que quando olhamos para o céu e para as estrelas contemplamos o infinito. E é completamente verdade. Naquele momento, não estamos apenas olhando para o céu, como no restante do dia. O céu, naquele momento não existe. A única coisa que existe sobre nós é o puro infinito. O universo infinito. É estranho, porque, mesmo sabendo disso o tempo todo, quando eu olho pro céu a noite eu pensava apenas que o azul foi pintado de preto e ali estão as estrelas. Eu nunca tinha concebido conscientemente que contemplar o céu de noite é contemplar o infinito.

Outra coisa que eu pensava, enquanto pensava no céu, era a comparação com as igrejas góticas. Os próprios homens pensaram nisso, vou fazer as igrejas tão altas que quando alguém entrar dentro vai pensar em como Deus é grande, comparado a nós. E Deus provavelmente pensou a mesma coisa, vou colocar o infinito sobre as suas cabeças. Assim, somente quando descobrirem que eles também fazem parte do todo, vão descobrir que, sendo parte do todo você acaba sendo o todo em si. Como se não apenas habitássemos o mundo, a o mundo habitasse em nós. Do mesmo modo, não somos um braço, mas o braço faz parte de nós, mesmo sendo apenas uma parte de nós, o braço somos nós. Por isso, somente realizando que somos parte do infinito, somente assim, conseguimos compreender que somos grandes e infinitamente potentes. Pois se compararmos o infinito e nós mesmo, se pensarmos em quanto somos pequenos comparados ao infinito praticamente não existe porque vivermos. Somos insignificantes. Menos que a poeira. Somos nada.

E somente entendendo a nossa união com o infinito e tentando contemplá-la que passaremos a vê-lo tanto de olhos abertos, quanto fechados.

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