Os Sonhos, A Mente, A Felicidade e Os Sentidos

OS SONHOS

Cada vez que dormimos, em nossos sonhos temos a possibilidade de construir um mundo todo nosso. E na velocidade do pensamento criamos histórias tão reais e incríveis como a realidade. Quem sabe, se conseguíssemos controlar completamente a nossa mente, ao invés de vivermos nossos sonhos em modo passivo, poderíamos arquitetá-los em modo consciente. No entanto, ao invés disso, vivemos imersos no caos das nossas mentes, dominados por pensamentos contínuos, confusos e desorganizados, baseados em desejos, necessidades e ignorância. E mais, tamanha é a nossa impotência frente as nossas mentes, que tantas vezes acabamos em meio a pesadelos.

Partindo de outro ponto de vista, é como se nossas vidas fossem longas como um sonho e quanto mais talentosos somos em desenvolver a trama, criar novos laços, novos personagens e novos papéis, mais e mais esses sonhos continuam e se desenvolvem. Deste modo, em nossas mentes, poderiamos viver em infinitas dimensões simultaneamente. E, o mais impressionante, que evidencia a relatividade do tempo e a velocidade do pensamento, é que podemos sonhar vidas que duram segundos.

Como se a cada segundo Maya nos perguntasse: O que tu queres? Quem tu éis? E nós respondêssemos através dos nossos pensamentos e por consequencia, pelas nossas ações. Ou seja, como se, através de nossas mentes, criássemos tantas dimensões paralelas e, do mesmo modo, tantas prisões para a alma. Assim, na existência material, a alma não é aprisionada apenas dentro do corpo físico, mas principalmente dentro da mente, que é igualmente um corpo, no entanto mais rarefeito.

Assim, quem sabe o dormir seja exatamente isso, um outro teste, o momento de deixar as barreiras do corpo e dos sentidos e checar o controle da mente. E, se ainda não somos capazes de controlar nossos sonhos, ou seja, controlar nossas mentes, quer dizer que continuamos ainda prisioneiros dos seus caprichos.

A FELICIDADE

Sabemos que deveríamos buscar a felicidade, mas, ao mesmo tempo, ninguém nunca nos contou onde encontrar-la ou mesmo como definir-la. Afinal, o que é a felicidade? Talvez, diariamente, encaramos essa pergunta de modo inconscientemente, procurando uma resposta ao nosso redor ou tentando colocar-la em prática. Nesta busca, iniciamos pelas necessidades mais básicas. Quando sentimos fome e sede, instintivamente sabemos que existe água e comida para nos alimentar, e que isso eliminará o sofrimento. Mas, além dessas necessidades, também sentimos um vazio dentro de nós, que não pode ser saciado pela comida e começamos a buscar tantas soluções de como suprimir-lo. Partindo da suposição que na ausência de sofrimento encontraremos a felicidade.

Deste modo, somos levados pela nossa mente a buscar a felicidade em muitos lugares, e assim, descobrimos o prazer. E descobrimos que o prazer consegue anular momentaneamente este vazio. Mas não pode ser um simples prazer. Tem que ser um prazer sempre em crescimento. Pois, aquilo que em um momento era prazeroso, depois de conquistado acaba virando monótono e, deste modo, o vazio torna. Por isso, para eliminar o vazio não basta o prazer, deve ser um prazer em ascendência infinita, cada momento mais, cada dia mais.

Sem saber o que nos poderia trazer um prazer assim infinito, sonhamos mil e um modos de como nos satisfazer e nos sentir realizados e completos. E assim, passamos a vida tentando realizar esses sonhos. Imaginando que este é o modo de chegar a felicidade. Até que chega o momento em que não somos mais capazes de sonhar. O sonho acaba e sem aviso acordamos, ou mesmo, morremos. O grande problema é que acabamos passando toda a vida buscando um modo de extinguir o vazio, mas sem nos questionarmos o que realmente é o vazio. Porque nos sentimos vazios? Se a sede nos pede água, o que esse vazio nos pede?

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O TEMPO

Se o tempo não existe, ou seja, se o tempo é esse instante do presente que vivemos, cada segundo que temos, por ser único, é o infinito. E exatamente por isso, que é tão importante dar valor ao presente e decidir, a cada segundo, de ser feliz.

Se agíssemos desse modo, completamente conscientes de que todas as nossas ações nos devem levar a felicidade, todas as nossas decisões seriam corretas. E, se tudo é correto, não precisaríamos nunca sentir medo de fazer uma coisa errada. A ausência completa do medo se chama liberdade. A completa liberdade está no fato que a cada segundo fazemos tudo que podemos para sermos felizes. E assim, nos sentiremos vivos ao máximo.

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OS SENTIDOS

Eu era completamente consciente de ser a alma, eu via e sentia o universo ao meu redor e sentia também que ele fazia parte de mim. Não existia o mundo, eu era somente a música e o infinito. E me vinha a impressão que esse mundo não servisse a nada. Eu pensava nos sentidos. E me veio em mente, que alma quando livre, não precisa do corpo para sentir, pois ela é pura sensação. É como se as capacidades do corpo limitassem os sentidos e não o contrário. Ou seja, é como se nossos ouvidos limitassem toda a música que podemos ouvir, e nossos olhos limitassem tudo aquilo que podemos ver, e o nariz limitasse os perfumes que podemos odorar. E por fim, que nos limitássemos a sentir os prazeres que o corpo nos possibilita de sentir. E inebriados por essa ilusão, procuramos o prazer no corpo, mas o prazer está além do corpo. Como por exemplo, quando fazemos amor, o prazer não está apenas no corpo, mas sim, em tudo aquilo que desejamos sentir, em tudo aquilo que nos permitimos sentir, nas nossas fantasias, no tesão e tudo mais. Porque, se fosse somente o corpo, o tesão não mudaria nada. Quando estamos com tesão qualquer toque é exponencialmente mais prazeroso, qualquer beijo é mais envolvente, toda a realidade é mais sedutora, independente do fato de ser sempre o mesmo corpo. E por isso eu pensei, que sem o corpo, a alma seria completamente livre para sentir tudo, seria puro prazer.

Então Antonio começou a tocar a minha cabeça. Naquele momento eu descobri um outro sentido além da música, o tato. Eu sentia uma linha dourada que formava o contorno do meu corpo e fechava o sol dourado que eu era dentro dela, me aprisionando ali. Antes eu era o universo e o som. Eu não tinha forma. Era pura energia, espaço e música. Eu meditava no infinito de cada coisa. Como seria viver infinitamente cada sensação, cada som, tudo em modo infinito. Ou seja, na completa expansão do som, de viver um sentido e não de simplesmente escutar música. Deixar de escutar com os meus ouvidos e começar a escutar com a alma. Eu me sentia iluminado, como se eu soubesse a essência de tudo, a resposta das perguntas mais profundas. O porque de tudo. Era como se eu tivesse descoberto quem eu realmente era, e desse modo, contemporaneamente, descobri tudo.

AS PERGUNTAS FUNDAMENTAIS

O pensamento voava em uma velocidade enorme. Em segundos de música que se passavam eu formulava dezenas de teorias. Todas as coisas faziam sentido. Tudo era obvio, completo e explicito.

Antonio me disse: tens que escrever todas essas coisas pra não esquecer. Foi muito engraçado, porque eu me sentia tão completamente consciente de tudo, que eu comecei a rir. Pensando, como seria possível esquecer? Depois que uma pessoa sente tudo isso e tenha visto tudo isso. Como é possível ser iluminado com todas essas coisas e depois esquecer tudo como se nada tivesse acontecido. Mas simultaneamente me veio em mente um outro pensamento. Era como se, antes de nascer Maya me tivesse perguntado a mesma coisa. E eu lhe respondi a mesma coisa. Como seria possível esquecer tudo isso. Como seria possivel esquecer a coisa mais fundamental e intrinsica de nos mesmo, ou seja, quem somos realmente. Mas no mundo material, por incrível que pareça é sempre assim, cada vez que nascemos mergulhamos no completo esquecimento e Maya como em um teste contínuo, com os véus da ilusão nos faz sempre crer naquilo que não existe. E nos faz esquecer aquilo que é essencial.

Agora, eu começava a voltar à realidade, abrindo os olhos, redescobri um outro sentido, a visão. E fui entrando cada vez mais profundamente no mundo material. E assim acontece sempre, passamos por cada nível que nos mantém aqui: a nossa mente, o nosso corpo, os sentidos, a nossa família, a sociedade, o mundo, a política, os problemas, o universo, o conhecimento, tudo.

Andréa entrou no quarto e me perguntou. O que são os buracos negros? E foi muito engraçado, porque aquela parecia uma pergunta tão estúpida. Eu lhe falei subitamente: como uma pessoa pode se preocupar com uma coisa que é tão longe de si mesma. O que um buraco negro pode te influenciar em algum momento da tua vida? Como tu podes te preocupar com isso, ao invés de procurar  aquilo que é o mais importante de tudo, quem tu eis? O que te faz ser vivo? Ou como ser eternamente feliz?

AS RESOLUÇÕES

Então eu pensei em outra coisa, que talvez não tenhamos vindo ao mundo sozinhos, mas sim que somos acompanhados pelas pessoas que eternamente amamos. E que, por isso estamos juntos nessa existência, nesse momento. Por isso que vivemos juntos. Por isso, que, no único tempo que temos aqui nesse mundo, resolvemos passar juntos. E que, se todas as pessoas que convivemos nessa vida, são pessoas que já conhecemos e amamos eternamente, então temos apenas que acordar esse amor adormecido e fazer desta vida o melhor possível. Como se todos pudéssemos ser amigos íntimos. Essa é a primeira resolução: fazer tudo do modo mais perfeito e tratar todos do melhor modo possível. Exige muita energia claro, mas seguramente temos essa energia, precisamos dispertá-la.

E assim eu pensei, talvez somente o amor ultrapasse os 5 sentidos. E, se o amor é a coisa mais importante dessa vida e quando amamos, queremos estar perto, tocar, fazer cafuné, carinho, pois isso nos deixa felizes e tranqüilos, então, devemos tentar fazer isso sempre. O fato de amar alguém e dormir junto em conchinha e estar abraçado durante toda a noite, 8 horas por dia, ou seja, 1/3 de toda a vida, seguramente nos faz sentir bem. Quando estamos entre amigos e beijamos, abraçamos, fazemos caricias e compartilhamos amor nos faz sentir bem. Então eu conclui, e essa é a segunda resolução: devemos tocar os outros, fazer contato físico.

Qual é o problema de tocar os outros? As pessoas precisam do toque, porque, se elas se recusam de tocar com amor, então serão obrigadas a brigar e se machucar, somente para poderem tocar. Sentem a necessidade de tocar o outro, nem que seja pra fazer o mal. Apenas com o objetivo de estar em contado. De sentir outra alma pertinho, sentir a troca de energia entre os corpos, entre as almas.

Por isso, escolham tocar conscientemente com amor, ao invés de usar inconscientemente a violência. Como se o corpo não suportasse mais estar sozinho e com o medo de fazer um carinho, se obriga a machucar. Então quebrem os muros da indiferença e toquem.  Nem que seja um aperto de mão pra cumprimentar, um beijo no rosto pra dizer oi. Já é um grande início.

E por fim eu pensei: dentro de nós, junto com a nossa alma está Deus, que nos diz exatamente tudo que deveríamos fazer, se o escutássemos realmente e fizéssemos tudo que nos pede, sem planejar, viveríamos como um profeta.

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