O Desejo de Poder e O Respeito

Gente, quando estive no Brasil tive uma iluminação espiritual. Depois de três anos de vegetarianismo europeu, acabei levando meu amigo em uma churrascaria Brasileira e não resisti. Independente do fantástico buffet de saladas, pizzas e massas, acabei comendo um pouco de carne e aturando as conseqüência karmicas instantâneas. Mas tudo bem. Não bastando, quando cheguei em casa vi um pratinho com um restinho de geléia e várias formigas se deliciando, e, instantaneamente, coloquei o
pratinho embaixo d’água e matei todas. Isso tudo, com a completa consciência daquilo que eu estava fazendo. E por isso pensei:

Somente na completa abstinência da morte, que conseguimos compreender o valor de cada vida singular e da igualdade completa de cada ser vivo.

O desejo de matar está completamente ligado a necessidade de ter poder.

Quando podemos escolher se extinguimos ou não uma vida, somos inundados por uma euforia inconsciente associada ao poder ilimitado que nos trás esta situação.

Então o fato de matar e sentir esse poder nos faz querer matar mais e mais para sentir mais e mais poder. As pessoas que comem carne, são mais agressivas dos vegetarianos. E essa agressividade tantas vezes ultrapassa o hemisfério da alimentação, dominando também
a vida cotidiana, através das brigas e da necessidade contínua de querer dominar os outros. Tentando provar de ser o mais forte e por conseqüência o mais poderoso.

E o fato de matarmos uma formiga nos passa exatamente isso. Independente do fato de sermos insignificantes e completamente desprovidos de poder na nossa vida cotidiana; naquele momento, para aquela formiga somos a representação material do poder supremo, ou seja, decidimos se ela vive ou morre. Isso porque, não vivemos em fazendas, e não matamos todos os animais que comemos, se não, essa sensação de domínio sobre todos os outros seres vivos seria uma constante em nossas vidas.

Em contraste a toda essa necessidade de poder, o vegetarianismo nos ensina o completo oposto, a necessidade de respeitar. Nos ajuda a amadurecer nossa renuncia a essa necessidade de ter poder. Através da nossa
maior compreensão da vida e da igualdade completa entre cada ser. No momento que todos são iguais, ninguém precisa ter mais poder que outro. E que em um mundo perfeito de paz e harmonia cada ser vivo se sentiria verdadeiramente consciente de sua igualdade e por isso feliz de servir o outro em equilíbrio.

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