Experiência Transcedental

 

Muito tempo que eu não tinha uma experiência assim. Mas independente da veracidade que lhes porto, as hipóteses apresentadas foram vivenciadas empiricamente e devem ser estudadas e aprofundadas.

 

Estava comendo um pouquinho essa noite, assim que cheguei em casa e de repente uma cadeia de pensamentos se sucedeu. Tudo começou quando eu cortei um pedaço de queijo e no mesmo segundo pensei, mas foi uma coisa muito forte, como uma ordem, por isso que percebi com tamanha clareza. Me disse: quero comer queijo com mel, vai pegar o mel. E eu parei por um segundo e pensei: que que você quer? Quem você pensa que é? Depois de um milésimo de segundo repensei: ta bom, também quero. E levantei peguei o mel, passei num pedaço de queijo e comi. O espanto foi porque percebi essa ordem como externa ao meu eu. E, como concordava aceitei e cumpri a ordem.

 

No entanto, quando digo comi foi muito estranho, porque tinha percebido que eu era muitas coisas ao mesmo tempo. Naquele segundo me pareceu que eu era dois, mas agora comecei a pensar que talvez sejamos três. Porque inicialmente pensei. Somos dois, o eu, responsável por todo o prazer, e o corpo possuidor dos sentidos. Eu não sou a pele, mas a sensação do toque. A pele é o corpo, meu corpo, não eu. Porque quando agente se machuca, não é na pele que pensamos, afinal a pele se regenera, mas sim na dor. O sentimento provocado que importa. Quando comemos, não é tanto importante a massa ou pasta alimentar que comemos, mas sim o gosto. Nós somos o prazer revelado pelo paladar. Manipulamos o ato de mastigar para sentir mais gosto. Mas não somos a boca ou o corpo, somos o prazer despertado por ele. Não sentimos esse prazer na língua, mas sim vem de dentro. Sentimos dentro do coração onde está nossa alma pulsando.

 

O estranho que quando vim agora escrever, depois de alguns minutos dessa revelação. Na verdade no momento que comecei a escrever pensei. Se um dos grandes princípios da vida é negar o prazer dos sentidos em busca de oferecer todo prazer a Deus. Então não somos nós aquele que deu a ordem de pegar o mel. Porque já somos o prazer encapsulado no corpo. Quem deu a ordem foi a mente, e atribuí a essa o posto de nossa grande inimiga. Nossa mente é nossa maior inimiga do mundo. É
como se fosse um teste constante, 24 horas por dia. Porque, mesmo quando dormimos, não deixamos de viver. Nós, como almas eternas, simplesmente vivemos dentro dos sonhos. A mente cria mundos e nos faz as mesmas perguntas. Quem é você? O que você está procurando nessa vida? Quais os seus medos? E nós damos
as mesmas respostas de quando estamos acordados. Não precisamos desse corpo pra sermos nós mesmos. Porque mesmo nos sonhos, desprovidos de corpos continuamos a ser a mera projeção de nós mesmos. E lá, sem nenhuma possibilidade de sofrer, de se machucar, de adoecer ou de morrer. Mesmo lá. Dentro de nossas mentes.
Onde nosso mundo poderia ser perfeito. Onde todos os dias poderíamos escolher de sonhar e criar o mundos de felicidade. Ali, um lugar só nosso, onde somente nós somos os nossos donos. Onde somos o Deus do nosso próprio mundo. Eli, na nossa projeção da realidade. Continuamos a reproduzimos quem pensamos de ser,
ou seja, aquilo que todos nos fizeram acreditar e que, nos deixamos acreditar que somos. Nos deixamos acreditar que algumas coisa são boas. A idéia de liberdade assume dimensões grotescas num mundo sem educação. Onde ninguém mais sabe quem é. E dependemos dos outros para criarmos uma identidade própria. Você não é apenas uma pessoa única, mas sim, sua identidade faz parte de um grupo já catalogado. É o que sempre tentam nos fazer acreditar. Sou aquilo que diz meu uniforme. No entanto, na realidade, não somos esse corpo, não somos desse mundo, não somos feitos para viver essa vida. E, como acreditamos no que os outros dizem que somos, mesmo nos sonhos precisamos criar os outros para que nos façam sentir aquilo que achamos de sermos. Não sentimos que somos eternamente felizes. Eles dizem que isso nem é possível. A vida é feita de breves momentos
felizes e muito nada ouvi dizer. E é isso que te fazem acreditar. Mas ao contrário, somos eternamente felizes, é essa a nossa natureza primordial. A alma, ou seja, nos, somos formados por tres qualidades primordiais: eternidade, felicidade e conhecimento. E por isso, que, quando escrevi a primeira linha pensei que não éramos dois, mas sim três. O verdadeiro eu, a alma atômica (que não se pode dividir), indestrutível e etera
que abita nesse corpo. O corpo, que pelo que entendi hoje é o invólucro, como se fosse uma caixa fechada com alguns furinhos e por esses furinhos que temos acesso ao prazer. Esses furinhos são uma representação metafórica para os 5 sentindo. Que representam as entradas que podemos ter contato com os prazeres
do mundo. A terceira parte de nós é a mente, que acho que seria Maia, ou a ilusão do mundo material,  que nos faz acreditar que somos outra coisa diferente da nossa natureza primordial.

 

Assim dormimos, porque nossa prisão, o corpo se sente cansado. Mas não somos nós. Por isso continuamos a viver dentro dos sonhos. E mesmo lá, somos iludidos por Maia, ou seja, a mente.

 

Se alguém te pergunta. Quem é você? Que tenho como a mais difícil das perguntas, e você responde: Eu sou o filho de… , o Irmão de… , Meu trabalho é… Minha casa fica em… Meu carro é… Minhas roupas são… Minha esposa é… Meus filhos se chamam… Meus amigos são… sou gordo/ magro… Sou simpático/ antipático, bom/ ruim, triste/ feliz. Interessante como todas as primeiras respostas são imediatas, e nem se quer são o eu, mas sim o meu. E já as últimas, vêm tímidas, tantas vezes nem se quer incluímos em nossas respostas. Por isso, o Veda diz que, em um momento de nossas vidas, temos que abandonar nossas famílias, amigos e todos os vínculos. Porque eles são agentes de Maia para nos enganar e criam vínculos com coisas que não somos. Eu não sou teu filho, teu primo, teu irmão… eu não sou teu, eu sou eu, uma alma infinitesimal e eterna, que abita esse corpo e luta contra a ilusão dessa mente. E tenho uma eterna relação com Deus, que me guia.

 

Essa foi minha visão de hoje.

Hare Krsna.

 

 

Anúncios