A Alma Infinitesimal e o Deus Supremo

Quando realizamos empiricamente aquilo que até então só tínhamos ouvido falar, somos
tocados profundamente e a informação misticamente se transmuta em conhecimento. Isso porque, hoje redescobri uma coisa que sempre soube.

 

Tudo começou alguns dias depois do Natal, quando alugamos um carro em Londres e dirigimos por 8 horas até Paris. Eu, André, Dallas e sua irmã Jennifer, fomos e
voltamos no mesmo dia. Foi uma loucura. Era uma coisa que eu sempre quis fazer, pegar um carro e sair em busca de aventura. E somado a tudo isso a viagem ainda foi recheada com muitas trocas e informações espirituais. Na volta de Paris, enquanto os outros dormiam, comecei a questionar Dallas sobre varias coisas que
ele já tinha estudado e ficamos conversando por um longo tempo. Ele me falou principalmente da importância da meditação e o tema sobre o qual meditar: descobrir a essência de Deus, Krishna. E também me recomendou a começar a praticar por apenas alguns minutos e aumentar o tempo de meditação de pouco em pouco. Já que, de início é muito difícil se concentrar por um longo período.

 

Depois de algumas semanas do meu retorno à Roma voltei a freqüentar o templo. E em uma normalíssima noite em casa, uma das fantásticas coincidência de minha vida aconteceu. Estava na cama lendo a Bhagavad-Gita e pensando o quanto sentia falta da amizade de
Dallas. Porque, desde que ele se mudou pra Milão eu não tinha mais com quem discutir esses assuntos transcendentais. Ele foi um dos principais responsáveis por todo o meu desenvolvimento espiritual em Roma. E entre esses devaneios enviei meu desejo: queria tanto outro amigo com quem poder conversar e continuar minha evolução espiritual. E resolvi ir para o computador escrever um pouco. Como de costume abri o facebook pra dar uma olhadinha nos meus recados e lá estava um convite de amizade de Giovanni Batista, que foi quem me recebeu no templo a primeira vez que fui com Carla, ou seja, quem me apresentou o movimento Hare Krishna. Neste mesmo dia pude conversar com Giovanni Batista sobre o que Dallas tinha me dito sobre a meditação. Ele acrescentou que pra conseguir meditar eu deveria começar a recitar o mantra cotidianamente.

 

Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna Hare Hare

Hare Rama Hare Rama

Rama Rama Hare Hare

 

E salientou que, o principal não era quantas repetições eu fazia, mas sim a constância, fazer todo dia a mesma quantidade. Contadas com uma espécie de rosário. Assim, decidi dedicar alguns minutos da minha manhã a minha meditação e ao mantra Hare Krishna. O objetivo principal da meditação era conhecer a verdadeira essência de Deus, Krishna. Afinal, de acordo com Suas próprias palavras escritas na Bhagavad-Gita, conhece-Lo é o único modo de voltar para junto dEle.

 

Nos primeiro dias de meditação, junto com a recitação do mantra, pensava na Sua grandiosidade, como se fosse una nevoa que cobre tudo. Pensava em algo grande, gigante, tão onipresente que não conseguia focalizar sua singularidade. E por não saber onde Ele estava, pedia que Ele se materializasse para mim, que me desse um sinal, como que uma prova de sua existência. E ficava pensando… Gente! Vou demorar anos de meditação para conseguir mentalizar um Deus assim tão grande e poderoso e conseguir conhecer sua forma.


Alguns dias se passaram e voltei a ler mais um capítulo da Bhagavad-Gita. Que é o livro sagrado Veda, e base do Hinduísmo e do movimento para a Consciência de Krishna. E, mais uma vez li que somos uma alma eterna e indestrutível que habita um corpo material. E, dentro do nosso coração também está Krishna, nosso companheiro e amigo. Isso não era novidade, bem porque no catolicismo também se profetisa que Deus está nos nossos corações.

 

No entanto, eu sempre pensava nisso como uma metáfora. Como se o fato de termos fé nos levasse para perto de Deus. Não como se Deus estivesse verdadeiramente presente dentro de nós. Hoje, em meio a minha meditação matinal, finalmente interiorizei essa informação e percebi que era verdade. Deus estava ali dentro mesmo. Não era metáfora ou modo de dizer. Deus estava ali no meu coração, junto com a minha alma eterna e indestrutível. E finalmente, depois de procurar no céu e na terra, no vento e no mar, consegui perceber que era realmente verdade. E que basta querer e O sentimos. E aquilo que tantas vezes nomeamos de tantos modos e que não entendemos o que seja… é sempre Deus. Ali dentro. Falando conosco. Mostrando que estamos vivos, que sono essa energia eterna e que não
nos damos conta.

 

Depois pensei ainda mais precisamente. Que só assim consigo entender. E pensei na nossa energia sexual. Ou seja, quando ficamos um tempo sem fazer sexo e começamos a ficar nervosos, estressados, de mal humor… porque temos muita energia acumulada, precisamos liberar, precisamos trepar, começamos quase a subir pelas paredes. Pensei… Gente… será que isso não é a manifestação plena de nossa energia espiritual, a energia que nossa Alma emana ao nosso corpo. Mas que, por não entendermos sua natureza, a transmutamos em energia material, ou impulso sexual, que seria nossa fonte máxima de prazer nesse mundo. E é essa força, essa energia que não sabemos nomear ou entender que tantas
vezes tentamos negar. Que tantas vezes tentamos reprimir. E assim cultivamos tantos vícios para esquecer sua existência. Bebemos até cair, comemos até explodir, trepamos e nos drogamos até a morte, apenas para eliminá-la, para negar sua existência, como se cortássemos um dedo para esquecer que dói a cabeça.

 

E assim eu passei para um novo passo, uma nova idéia, uma nova busca. A total consciência da energia espiritual dentro de mim. E descoberta do Deus que abita dentro de mim, junto comigo, que sou a alma eterna e indestrutível que estou ali dentro também. Todo esse tempo um tão pertinho do outro. Sempre penso no afresco da criação que Michelangelo fez na capela Sistina, onde os dedos de Deus estão a alguns centímetros dos de Adão. E essa pequena distância, assim como o pequeno espaço
que separa nossa alma da de Deus dentro do nosso corpo, representa o infinito abismo entre a vida e a morte, a vida eterna e o eterno ciclo de reencarnações. Porque, se conseguimos superar esse pequeno espaço, voltamos para sempre a habitar junto dEle. E esse é o próximo passo, reencontrar Deus, que eu sempre soube estar ali, mas não acreditava.

 

E também pensei. Que se toda essa energia que sentimos é apenas a energia espiritual emanada de nossa alma infinitesimal. Quando entrarmos em contato com a energia divina, eterna e constantemente em expansão de Deus, Krishna, também presente dentro de nós, verdadeiramente poderemos operar milagres.

 

Hare Krishna.

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