Quanto drama…

Tenho tanta coisa pra dizer hoje…

 

Simplesmente me deu uma vontade incondicional de escrever. Talvez porque depois que eu escrevi o conto me passaram algumas coisa em mente e acabei não escrevendo por me parecer um conflito de interesses frente a divulgação do conto.

 

Agora, como todo mundo já leu, resolvi confessar uma coisa. É muito pessoal, mas acho que as coisas mais importantes de confessar são essas, né. Principalmente pelo fato de serem aquelas que agente mais se identifica com o autor. Porque são como segredos guardados… muitas vezes até de nós mesmos. Isso porque alguns padrões de comportamento fazem parte de nossa personalidade, mas, por não pensarmos neles, simplesmente não percebemos que os temos. A partir do momento que um dia escutamos alguém falando de algo que nos identificamos, percebemos que aquilo faz parte de nós. E sendo positivo ou negativo, finalmente podemos tratar ou cultivar.

 

O que vou falar se encaixou exatamente nessa descrição, inicialmente me identifiquei, mas depois de uma análise mais consistente cheguei a outras conclusões.

 

Há umas semanas atrás, estava eu assistindo Despereted House Wifes, que por sinal é uma das minhas séries favoritas, principalmente pelo fato de ter um narrador oculto linkando a história e do texto ser ótimo. Sem contar que as atrizes são todas lindas e a história bem realista. Assim… depois de uma briga entre duas amigas, uma diz para a outra… Você é uma viciada em drama (Drama Queen). Ou seja… que ela não conseguia ser feliz, que toda vez que as coisas estavam indo bem em sua vida ela tinha que arranjar algum drama pra se sentir miserável. Ou apenas desconfortável. Foi então que eu pensei… Geeeeente!!! Será que eu sou assim também??? Na verdade eu já tinha pensado sobre a incapacidade de manter uma felicidade constante e imaculada, mas eu sempre pensei nisso como uma característica intrínseca do ser humano e não como uma patologia pessoal. Alguns exemplos: quando temos que fazer alguma coisa e não
fazemos, adiamos, mas toda vez que pensamos nisso nos sentimos desconfortáveis por não termos feito ainda, mas mesmo assim continuamos adiando, mesmo sendo alguma coisa simples, pelo simples fato de manter o sentimento de culpa. Ou quando criamos mudanças constantes em nossa vida apenas para gerar instabilidade e ser um pretexto para nos sentirmos inseguros todo o tempo. Ou quando estamos sem um trabalho fixo e ficamos fazendo vários trabalhinhos que nos dão o dinheiro suficiente pra viver e a incerteza de ter dinheiro no próximo mês. Ou de quando estamos completamente estabilizado e resolvemos mudar tudo e começar tudo de novo. Tantas pequenas coisas que nos fazem sentir mal ou qualquer um de seus sinônimos como: estressado, derrotado, desorientado, desiludido, frustrado, infeliz, desequilibrado, ansioso, dependente…

 

Depois de algumas analises pessoais e dias de meditação intensa imerso em incensos e mantras canônicos cheguei a conclusão que não tenho muitos vínculos com Drama Queens. E que todos os exemplos citados fazem sim parte da natureza humana. Adiamos as coisas por preguiça; mudamos tudo quando estamos estabilizados porque, muitas vezes, mesmo estabilizados economicamente não estamos fazendo o que sonhamos e por isso mudamos tudo em busca de nossos sonhos e planos. E no fim a capacidade de mudar e administrar o medo do desconhecido não pode ser jamais considerada um defeito, mas sim, um sentimento que todos devemos cultivar em busca de uma vida mais plena. Principalmente porque, as vezes encontramos um ganha-pão e nos acomodamos, esquecendo de todos os planos e desejos precedentes. Até que a vontade de mudança venha bater nossa porta e bagunçar nossa vida novamente em busca de novos desafios.

 

Ta bom, cheguei a conclusão que não sou viciado em drama. O drama faz parte da vida de todos.

 

E na busca de significados e idéias sobre o assunto li um texto ótimo, dizendo que em nossa sociedade o dramático é mais valorizado que o feliz. Por exemplo, toda desculpa de nossa sociedade são baseadas em acontecimentos calamitosos. Por exemplo, você chega atrasado no trabalho e inventa a maior desculpa que explodiu a panela de pressão e você teve que limpar toda a cozinha, que tinha um acidente horrível na estrada e pedaços de corpo jogados por todos os cantos impediam a passagem do trafego… e todas essas desculpas que inventamos cotidianamente. Outra coisa que enfatizava no texto era o fato de o sofrimento de Jesus ser adorado, e a igreja católica enfatizar que a vida deve ser repleta de sofrimento e privação para chegarmos ao céu. E “nosso” Deus estar sangrando pregado numa cruz… todas essas coisas que não nos damos conta.

 

E por fim achei uma explicação para as Drama Queens, traduzi assim:

 

“Algumas pessoas alimentam uma necessidade de criar continuamente drama em suas vidas e relacionamentos, isso normalmente é uma forma de compensar um vazio ou depressão abafados em suas vidas. Normalmente essas pessoas ainda não se conectaram com o verdadeiro propósito de suas vidas. De fato, eles apenas se sentem vivos quando essa explosão de adrenalina que já lhes é familiar  evidencia que novamente criaram alguma bagunça. Outras pessoas que criam relacionamentos dramáticos já tiveram sucesso lidando com outros vícios e transferiram sua necessidade de  excitação e intensidade para os relacionamentos.”

 

Falando desse modo, eu me identifico com a parte de pessoas que ainda não se conectaram com o verdadeiro propósito de suas vidas. Principalmente porque estou viajando e cada passo da minha caminhada leva algum tempo para se realizar e as vezes me sinto um pouco perdido, quando esqueço o propósito de tudo isso. Mas logo passa e lembro o porque de cada coisa.

 

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