Capítulo 2

 

20.06.07 ::: Quarta-feira
::: Tours

 

Chegamos na estação de
Gare d’Austerlitz. E depois de ser atualizado das aventuras sexuais de Jemimah
no decorrer da embriagada noite, pegamos o trem para a cidade de Tours.

 

Durante a viagem,
admirávamos a paisagem bucólica do interior da França e comíamos pão com patê de
fígado, acompanhado por um Sangre del Toro tinto.

 

Tours é uma das cidades do
Vale do Luar: um aglomerado de pequenas cidades medievais e belíssimos
castelos/ chateaux.

 

No entanto, depois das
doze horas de pernoite à Paris, acrescidas das três à Tours, estávamos
realmente cansados. E mais, como não reserváramos nenhuma acomodação na cidade,
quase ficamos sem teto. Pois, bem naquele dia realizavam-se alguns testes na
cidade e todos os hotéis e hostels encontravam-se lotados.

 

Com a ajuda da Central
Turística da cidade, localizada em frente à Estação de Trem, conseguimos o
último quarto do Hotel Europa, também ao lado da estação.

 

Jemmie acabou logo
dormindo. E eu, mesmo cansado, depois de um fabuloso e demorado banho de
banheira, sai em busca de alguma coisa para ver, fazer ou comer, mas acabei me
rendendo ao cansaço e retornando para um revitalizante cochilo.

 

Só pelas 7h da noite que
deixamos o hotel em busca de um restaurante tipicamente francês e caminhando pelas
belas ruas dessa pequena cidade ficamos espantados com o gosto duvidoso dos
franceses em relação ao modo de se vestirem.

 

Passamos por um
restaurante que parecia bem apresentável e assim que vimos alguém comendo uma
porção de escargot sentamos de imediato.

 

Estávamos bem vestidos e
envoltos por uma atmosfera de sofisticação. Escolhemos um combo de €20,00, com
entrada de escargot, prato principal entrecorte com molho de manteiga e
sobremesa queijos Chartes e Rockford, e Creme Brulee. Finalmente provei
escargot, que por sinal estava ótimo ao molho pesto. E claro, a garrafa de
vinho tinto mais barata.

 

A par disso, vale esclarecer
que os franceses tem o costume de comer queijo, de preferência bem forte, como
sobremesa. Daí por isso, sua presença em nossa escolha.

 

Completamente saciados
e felizes, estávamos prontos para confraternizar… Aterrissamos em um bar com
vários tabuleiros de xadrez sobre as mesas e depois de vencer Jemimah com um
Cheque Pastor, conhecemos Vivian, um francês local. Já completamente
embriagado, enquanto degustávamos a terceira garrafa do dia, joguei mais duas
partidas com Vivian. Até tentamos flertar com ele, mas seu senso de humor seco,
não era dos mais interativos.

 

Rumamos em busca de música
e agitação. Depois de dormir o dia todo precisávamos de FESTA… Caímos num bar
onde logo fizemos amizades com dois franceses chamados Felix e o colombiano
Antoni. Muito simpáticos, logo já estávamos em calorosas discussões, em inglês,
português, espanhol e francês… o básico mix de línguas de quando se vive num
ambiente cosmopolita. Apesar de que, para nosso espanto, em poucos minutos o bar fechou e, como em
absoluto queríamos voltar para o hotel, num clima de descontração rumamos para
onde a festa continuava, que por sinal era embaixo da ponte da cidade.

 

Lá, um grupo de hippies,
mendigos e todo tipo de pessoas alternativas, na sua maioria bonitas e
estilosas, estavam reunidas, bebendo e conversando. Alguns turistas,
estudantes… fizemos varias amizades… lembro de um brasileiro que já tinha
esquecido como falar português, era engraçado, porque parecia mais um francês
que aprendera a falar português, de tão predominante que era o sotaque. Antoni
era muito carismático, sempre preocupado se estávamos bem, abraçava e
conversava… Foi ótimo. Até imaginamos que rolaria lips action, como diz
Jemmie, mas nada.

 

O rio pelo qual a ponte
cruzava era enormemente caudaloso, bem como, com uma força e velocidade
incríveis. Quando, na beirada, fui dar uma aliviada na bexiga, afinal não tem nada melhor que fazê-lo com o
vento batendo na cara, morri de medo que de alguma forma caísse dentro… acho
que me afogaria no primeiro segundo. Ainda mais depois de três garrafas de
vinho.

 

Trocamos telefone e fomos
em direção ao hotel dormir.

 

21.06.07 ::: Quinta :::
Tours – Paris – Amsterdã

 

Hoje o dia foi uma
bagunça. Primeiramente que ontem tínhamos dormido até às 7h da tarde, e por
isso não agendamos nenhuma visita a nenhum castelo. Pensamos em pegar um trem,
mas infelizmente os horário não batiam, pois as seis da tarde nossa conexão
Paris-Amsterdã partiria. Assim, decidimos voltar logo cedo para a capital, onde
pela primeira vez nos separamos.

 

Deixei minha mala na
Estação Gare du Nord e fui pro Arc de La Defence. Este, é a releitura do Arco
do Triunfo, numa versão contemporânea, cercado de edifícios comercias, hotéis
modernos e imponentes. O Arco é imenso, ficava tonto só de olhar pra cima, mas,
mesmo assim, não estava afim de subir.

 

A seguir, fiquei indeciso
se deveria ir ao Cemitério Pere-Lachaise, que é outro dos pontos turísticos da
cidade que não vi outrora ou a Torre Eifel novamente. Por comodidade fui à
Torre, onde certamente bati mais algumas dezenas de fotos nas redondezas.

 

Passei no supermercado e
comprei um Pão Sírio muito macio preparado como uma pizza de rúcola, tomates
secos e queijo ricota… comi no metrô, enquanto voltava para Gare du Nord e
para minha total perplexidade Jemimah não estava lá. Embarquei imaginando que
ela estivesse dentro. Nada. O trem partiu sem ela ao meu lado. Ainda rondei os
vagões na esperança que ela tivesse errado o lugar. Mas não, ela verdadeiramente
tinha se atrasado.

 

Acabei de conhecer dois
holandeses de Amsterdã no trem e que me deram algumas dicas sobre hostels, bares,
cafés… um deles esta usando a mesma camisa que eu tenho… de flores vermelha
impressa no avesso.

 

Estava um pouco receoso
em chegar sozinho às 11h da noite em Amsterdã. Mas eles já me falaram que a cidade
é bem segura e totalmente monitorada por câmeras. Espero que dê tudo certo com
Jemmie e que ela pegue o próximo trem. Quando chegar na estação vou ligar pra
ela.

 

Cheguei na estação e
depois de horas tentando fazer o telefone funcionar consegui uma breve ligação
com Jemimah; só para saber que ela estava bem. Na verdade demorei dias pra descobrir
que os telefones não funcionavam com moedas de um Euro, apenas com centavos.

 

Deixei a estação em busca de
alguma central de turismo ou qualquer informação sobre hostels, no entanto,
àquela hora da noite todos já fecharam. Por sorte parei duas adolescentes em
busca de alguma dica… elas, completamente sem noção, me apontaram o Íbis
Hotel. Por outro lado, quando estamos sozinho, Jesus sempre cuida da gente e
neste mesmo momento passava o recepcionista de um hostel vizinho. Ufa! pensei.
Ao menos não vou dormir na rua. Não tão rápido Batman… o lugar era meio
estranho, barato, não no preço, mas na aparência suja e mal cuidada. Para cada
quarto só era disponibilizada uma chave, ou seja, como já havia gente dormindo,
tive que bater à porta e esperar que abrissem.

 

Fui recepcionado por um
canadense de cuecas, que logo voltou a dormir. Já eu, como dormira na viagem,
só deixei minhas coisas e fui dar uma volta pela cidade. No entanto, o fato de
estar cansado e inesperadamente sozinho me deu uma leve sensação de solidão e
também não achei nenhum bar
realmente convidativo. Passei por vários, mas nenhum com pessoas de pé,
dançando, conversando… que era o que eu procurava para interagir.

 

Depois de passear por
grande parte da região onde me hospedara, Red Light District, fervilhante de
jovens, e por várias ruelas lúgubres que margeavam os canais e criam uma
paisagem romântica e noir
… O
rio refletindo as luzes da cidade e as milhares de bicicletas estacionadas por
toda a parte, amontoadas às dezenas.

 

Quando voltei, o quarto já
estava repletamente habitado, 6 pessoas em 5 camas.

 

22.06.07 ::: Sexta-feira
::: Amsterdã

 

Todos no quarto fomos
acordados às 10h da manhã e praticamente expulsos do hostel. Tudo bem que o
check out era as 10h… talvez seja normal. Frustrantemente, desisti da idéia
de tomar banho porque o chuveiro era frio… na verdade gelado congelante.

 

Coloquei a mesma roupa de
ontem e já fedendo e grudento fui em busca de algum hostel ou hotel barato.

 

Devido a informação cedida
por Marina Speranza, sabia que haveriam agências turísticas perto da estação de
trem que reservavam hotéis e foi onde fui.

 

Antes de qualquer decisão
precipitada, dei uma pesquisada em duas destas e em alguns hotéis da redondeza
e por fim decidi ficar no barco-hotel Zebra, ancorado no porto à dez minutos
andando à esquerda da estação de trem; logo a frente do museu Nemo. Vale a pena
conferir diretamente lá, pois pagamos cerca de dez euros a mais por reservarmos
com a agência. Senão pelo preço um pouco acima do que pretendia pagar, este
oferecia uma suíte minúscula, mas só para nos dois.

 

Tomei banho, descansei um
pouco e saí em busca de algo para comer e ver. Queria mandar meu cartão postal
que já fazia dias que escrevera mas não achei nenhum Post Office.

 

Neste passo, percorrendo a
Nieuwezijds Voorburgwal, que é a rua principal da cidade, logo a frente da
estação central de trem, paro na Magna Plaza e assisto um mágico/comediante de
rua, cercado por uma multidão de admiradores, desempenhar um show de escapismo,
prezo à uma camisa de força e correntes por toda volta. Interessante, mas logo
continuei minha busca. Em contra partida, duas de suas piadas foram
marcantes… Bem que, sou obrigado a escrevê-las em inglês, pois, em português
perdem o sentido, afinal, são trocadilhos.

 

Primeira, antes de colocar
a camisa de força (straight jacket) ele afirmou…
I wanted to buy a pink straight jacket but then wouldn’t be a straight jacket.

 

E em seguida, enquanto
pedia que todos contribuíssem com uma quantia mínima de cinco euros pelo show
ele soltou a segunda:

 

I work with entertainment, I need your money, and it’s just 5 euros
I’m asking for a very funny 45 minutes show. I know a girl in Red Light
District that works with entertainment as well, and for 15 minutes you must pay
50 euros. And what she does is sucks.

 

Espero que entendam e que seja
engraçado aqui, porque claro que ao vivo é sempre melhor.

 

Em seguida, continuei a
busca por um telefone público e caminhava em direção aos museus e demais partes
da cidade que gostaria de visitar. Fiz o percurso ao longo do canal
Herengracht, entre a Leidestraat e a Vijzelstraat, que, de acordo com o meu
livro é um magnífico exemplar da arquitetura da cidade, mas, na realidade, me
pareceu igual a todo o resto.

 

Finalmente encontrei o
telefone e subitamente liguei para Jemimah:

 


Onde cê ta?


Já cheguei há algum tempo e estou no meu quarto no hostel.


Que??? Não acredito, eu já reservei um quarto de hotel pra gente. Você já pagou?
Nesse segundo pensei que tava arruinado. Caos
total.  Teria que pagar a diária do
hotel pelos dois e ainda ficaríamos separados.


Mas o que você queria que eu fizesse, fiquei esperando você ligar.
Ela estava certa, porque eu não estava usando meu celular, então só eu podia entrar em contato com ela.


Tenta pegar o reembolso no hostel e nos encontramos na estação central em uma hora.


Esse lugar é horrível, as paredes são pichadas, é tudo sujo, detestei, não quero ficar aqui,
mas já paguei a diária dos dois dias e sei que eles não vão me reembolsar.


Eu sei, mas eu tenho um quarto ótimo só pra gente.

 

Combinamos de nos
encontrarmos na estação e nesse meio tempo almocei Spare Ribs, chips and
salad,
num restaurante bem bom e
barato na Haarlemmerstraat, perto da estação.

 

Felizmente quando
encontrei-a, J. estava na agência que reservara o hostel alegando que a
qualidade do estabelecimento era deplorável. Por esta ser uma reclamação
reincidente, ela prontamente recebeu a quantia de volta. UFA!!!!

 

Baseados nas experiências
das cidades passadas, preferimos garantir a senha do guichê de vendas
internacionais na bilheteria da estação. E confirmamos que o tempo de espera
estimado era de duas horas… o suficiente para fazermos tudo que precisávamos.

 

A poucos passos da
estação, uma chuva torrencial despenca e já molhados cruzamos a rua em busca de
abrigo no pub logo a frente. Ali, no bar, apresentava-se uma caixa com dezenas
de diferentes qualidades e quantidades de haxixe, maconha, skunk… prensados,
misturados, enrolados, in natura… ou seja, pronto a satisfazer qualquer gosto
e qualquer exigência. Convenci J. de pegarmos uma porção de skunk, mas como não
sabia a diferença entre as inúmeras opções, pedi a recomendação do balconista.

 


Gostaria de um tipo que fosse mediano, ou seja, não tão forte, de modo que
pudéssemos fumar descontraidamente sem nos sentirmos completamente useless.

 

Inicialmente, quando fui
ao balcão, vi que os preços eram entre 2 e 4 euros. Confesso que tava achando
estranho ser tão barato, e ainda parecia vir uma grande quantidade em cada
saquinho. O barman me apontou quatro diferente opções de acordo com o que
requeri, e como eu não tinha nenhum padrão de comparação para escolher, peguei
o denominado PP e dei 5 euros esperando o troco. Detalhe… eram 4 euros, mas
por cada grama. Ou seja, o saquinho de skunk PP in natura custava na verdade 25
euros.

 


Jemimah passa a grana!!!

 

Admito que, logo após a
aquisição, me dei conta que era muito. Mas ao menos poderíamos fumar tranqüilos
nos próximos dias.

 

Com a ajuda de um holandês
que dividia a mesa conosco conseguimos fechar o primeiro big joint
de Amsterdã. E fumamos metade enquanto
conversávamos com ele.

 

Jemimah ficou vesga, cega
e manca de tão louca. E como a chuva já praticamente passara, esbofeteei-a para
irmos e guiando-a pela mão chegamos ao barco. Lá deixamos suas malas e
aproveitamos para garantir a estadia do próximo dia. Para nossa sorte e
felicidade a dona do barco nos deu um desconto de quase 10 euros para cada
diária.

 

Voltamos à estação e logo
fomos atendidos. A reserva Amsterdã-Berlim custou apenas €4,50. Perfeito!

 

Passamos no mesmo
restaurante que comi duas horas antes e resolvi almoçar de novo. Larica de
matar! E novamente, Spare Ribs, chips and salad, acompanhados de uma cerva. Deu
pra perceber que amo Spare Ribs?! Por outro lado, aturamos o entretenimento de
um garçom que se achava muito engraçadinho, mas que na verdade já tinha passado
da validade há anos.

 

Como continuava chovendo
transferimo-nos para um pub fumável logo ao lado do restaurante, na mesma
Haarlemmerstraat; o que foi ótimo! Eram sofás, almofadas e narguilés por todo o
lado. Um ambiente tão aconchegante que, mesmo depois de fumarmos a metade que
tínhamos guardado, fechamos, com a ajuda de dois italianos vizinhos, outro big
one
que deixou eles de cara e nós
chapados. As horas passaram rápido e doidos rumamos em busca de entretenimento.

 

Na porta do Pub comemos um
Mac Cheeseburger, afinal já eram 9:30h e a larica açoitava-nos. Andamos por
cerca de três horas, passando por pubs, ruelas estreitas e admirando as
prostitutas nas janelas. Estas, normalmente vestem-se com sexy lingeries e de
trás de portas e janelas de vidro flertam com os homens e mulheres que passam
pela rua, esperando a oportunidade de abrir a porta e convidativamente
convencer a entrar. Uma me deu uma doída chicotada de couro nas costas que
latejou por 10 minutos.

 

Nas
redondezas encontramos um Erotic Musium, com fotos e artefatos relacionados com
sexo e erotismo. O mais divertido foi a bicicleta na frente da porta, com uma
boneca utilizando-a e a cada pedalada um dildo subia e descia, penetrando-a e
deixado-a com a cara de espanto e prazer que expressava. Comprei meu casal de
macacos pelados e depois de transitar um pouco mais voltamos para o hotel
dormir.

 

23.06.07 ::: Sábado :::
Amsterdã

 

Finalmente tínhamos todo
um dia para visitar a cidade e relaxar, sem nenhum compromisso com buscas,
mudanças ou qualquer coisa estressante.

 

Acordei pelas 9:30h, me
arrumei e enquanto incomodava J. para acordar, se arrumar e tudo mais, fiquei
escrevendo.

 

Fomos no Rijksmuseum.
Principais obras: Ronda Noturna de Rembrandt, Casa de bonecas (eram duas
miniaturas de casa com aproximadamente 3 metros de altura, mobiliadas e
decoradas com miniaturas fabulosamente detalhadas; que, de acordo com o guia,
não eram para crianças, mas sim para ricas donas de casa desocupadas que na sua
confecção gastavam montantes aproximados ao de uma casa de verdade). Apesar de
o museu ser interessante, era muito pequeno para o preço de €10,00; tanto que
sai com a impressão que não havíamos visto tudo.

 

Logo em frente, batemos
fotos na praça com a inscrição gigante de I AMSTERDAM e nos dirigimos ao Museu Van Gogh. Ali,
vimos obras como Os Comedores de Batatas, Trigal com Corvos e Girassóis, que,
exclusivamente, me interessaram.

 

Acho que depois de morar
em Londres, onde todos os principais museus são de graça, e passar por Madri,
com museus maravilhosos com preços acessíveis e descontos para estudante; todos
esses museus minúsculos por dez euros e sem tickets de estudante realmente me
decepcionam um pouco.

 

Andávamos em busca de algo
para comer e encontramos o Soho da cidade. Entretanto, como só tinha gente
velha e feia, nem paramos.

 

Como sempre, nos sentamos
num pub nos arredores pra beber uma Coca-Cola e fumar um joint. Dali, chapados
e felizes descobrimos a área das baladas, e, por lá, comemos Nodles com Pork
and Black Beans Sauce, tomamos um sorvete de Doce de Leite na Häagen Dazs e
fumamos mais um enquanto saboreávamos um chocolate quente num restaurante
chinês. Andamos perdidos pela cidade, rindo e nos divertindo, observando e
curtindo. E encontramos um lugar muito aconchegante, um restaurante maravilhoso
que tenho que voltar quando for à Amsterdã novamente. Fica na Rua Nes Centrum e
se chama Van Kerkwijk. Como não sabíamos que era tão bom e o menu, ao invés de
ser impresso, era apresentado pelo garçom enquanto este sentava-se ao nosso
lado à mesa e nos falava os pratos do dia; acabamos ordenando apenas starters.
Pra ser sincero, tava ainda meio alucinado e o forte sotaque da garçonete me
era ininteligível, por isso, acabei não entendendo verdadeiramente as opções e
escolhi qualquer uma numericamente: A segunda, por favor! Sem precedentes, as
escolhas foram maravilhosamente deliciosas, por sua vez, como a cozinha já
estava fechada, não pudemos fazer o pedido do prato principal. Assim, depois de
finalizarmos nossos capuccinos, saímos. Admito que o serviço deixou a desejar,
mas, mesmo assim, o sabor da comida e a sofisticação da apresentação compensou a
falha.

 

Voltamos para o agito, ou
seja, Rembrandtplein, uma das principais praça da cidade, onde vários bares,
clubs e cafés se aglutinam. Mais especificamente, escolhemos o Escape Café por
seu visual trendy
e não nos
arrependemos. No segundo andar encontramos um ambiente sofisticadíssimos, um DJ
fabuloso tocava no centro da pista, enquanto um painel de luz cobrindo todo o
teto acompanhava a música e sofás aconchegantes de couro alojavam pessoas
bonitas e bem vestidas. Era exatamente o tipo de lugar que buscávamos.
Descontraidamente, degustamos nosso cocktail de Amaretto com Suco de Laranja e
apreciamos o público elegante em volta. No entanto, depois de andarmos o dia
todo estávamos nos sentindo meio sujinhos e mal arrumados. Acho que,
principalmente, porque não tinha ajeitado meu cabelo.

 

Por isso, resolvemos
voltar para o hotel para nos arrumarmos e retornar mais tarde, belos e
cheirosos. Em contrapartida, não imaginávamos que iria demorar tanto tempo para
chegarmos ao barco. Mas mesmo assim, tenho que convir, que foi uma caminhada
maravilhosa… sentamos a beira do rio e admiramos o sol se pôr por detrás dos
edifícios, sua luz dourada tingia as micro-ondulações formadas pela correnteza
e as inúmeras pontes iluminadas refletiam-se na água. Tudo isso emoldurado pela
sóbria arquitetura das casa holandesas, estreitas e justapostas. E, enquanto o
tempo corria, as incontáveis bicicletas passavam por nós e praticamente não se
viam carros. Esse clima de tranqüilidade levou-nos a uma atmosfera de meditação
e silenciosamente nos concentrávamos em nossa caminhada. Pensei sobre várias
coisas importantes, transcendi aos pensamentos cotidianos e pude organizar
melhor minhas idéias de futuro, bem como, contrapor diferentes planos prévios.

 

Ficamos horas no hotel nos
arrumando, penteando e alisando o cabelo de J. Pra ser sincero, nunca tinha
entendido realmente como funcionavam suas extensões e só quando as vi
internamente que pude compreender. No primeiro segundo foi um pouco chocante,
afinal não estava acostumado a ver o cabelo original de J., depois, encarei o
desafio e coloquei a mão na massa. O problema capilar da viagem era que estas
extensões tinham sido mal feitas e, por isso, todo o conjunto estava se
soltando. Explicando, as extensões funcionam assim: são como cortinas de cabelo
costuradas junto ao cabelo natural, deste modo, uma rodeia a cabeça e forma a
parte inferior do cabelo; e a outra é aplicada no topo formando a parte
superior. Como uma peruca, porém em etapas.

 

Duas horas depois pegamos
um táxi à praça Rembrandtplein e entramos num pub holandês oposto ao Escape.
Lá, um live
de música
eletrônica era acompanhado por cantores de rock em pé no balcão do bar, fazendo
as canções ao vivo e em Dutch, formando um clima como no filme Coiote Ugly.
Ademais, holandesas lindas, loiras, magras e altas nos rodeavam, e por serem
todas muito mais altas que nós, reparamos que, mesmo com toda aquela altura, só
usavam chinelos, sandálias e sapatos baixos… fiquei imaginando que tamanho
teriam de salto. Gigantes.

 


Glauber, there’re just top models here.

 

Juro, as vezes dava a
impressão que elas eram outra raça de seres humanos. Isso porque, como é do
conhecimento geral da população mundial, a Holanda tem a segunda maior media de
altura do mundo, 183cm para homens. Sendo que a dos brasileiros é de 168cm.

 

Infortunadamente, de
acordo com o plano original, resolvemos rumar para o Escape. Contudo o
sofisticado café, tinha se transformado num terrível club repleto de Pakis.
Repugnante! Desculpa a expressão, mas, não é preconceito, é pós conceito feito
pós analise. E ainda, mesmo pagando quinze euros de entrada, tínhamos que pagar
cinqüenta centavos para cada vez que íamos ao banheiro. Resolvidos, depois de
duas mijadas e um euro mais pobres – o dinheiro foi literalmente ralo abaixo –
voltar de táxi. Foi um tanto caro, mas valeu a pena.

 

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