Capítulo 1

 

14.06.07 ::: Quinta-feira
::: Roma – Madri

 

É chegado o dia. Acordei
às cinco e meia da manhã em minha cama alugada pelos últimos 10 dias num
apartamento no bairro Bologna, leste de Roma. E supunha que tinha tempo
suficiente para chegar ao aeroporto Ciampino às 7:30h (hora que começava o
check in do vôo à Madri), ficar tranqüilo, tomar meu café da manhã e relaxar
antes da decolagem.

 

No entanto, me prolonguei
um pouco pra levantar da cama e às 7:30h apenas desembarcava na estação final
de metrô, Anagnina, e ainda deveria pegar mais um ônibus em direção ao
aeroporto. De fato, o que eu não contava, era que o ônibus só saía a cada
trinta minutos, e, com o avançar da hora, começava a ficar nervoso. Chego ao
ponto do ônibus e para o meu desespero não havia uma única alma viva à espera,
ou seja, este acabara de partir. A sensação de que iria perder o vôo começou a
germinar em meu estomago. Só restava-me uma hora! Peguei meu Ipod e o Guia da
Europa em busca de alguma distração pra minha mente ansiosa; acreditava que
ficar ou não preocupado não iria fazer o ônibus chegar mais rápido. Jura! Falar
é fácil!

 

Felizmente cheguei no
último minuto para o check in e tudo correu bem. A viagem foi tranqüila e dormi
grande parte do percurso. Quando as vozes das aeromoças começaram a fazer parte
dos diálogos em meus sonhos, acordei e o serviço de bordo passava.
Despretensiosamente pedi um sanduíche (seco) e um (micro) suco de laranja. E
automaticamente, já com a comida em mãos, a aeromoça solicita 6 euros. Devolvi
tudo, claro. Pensava que era de graça! Não ia pagar seis euros por aquilo. Não
me dei conta que com o baixo custo das passagens da Easyjet e o curto período
do vôo, certamente as refeições não estariam incluídas.

 

Cerca de duas horas depois
aterrissei no aeroporto de Barajas, em Madri, e Jemimah me esperava em frente
ao portão de desembarque. Seu sorriso receptivo brilhava emoldurado por sua
pele africana perfeita e seus cabelos de Beyoncé. Era ótimo revê-la. Havia três
meses desde que nos despedimos no aeroporto Heathrow em Londres, quando voltara
ao Brasil, e realmente estava com saudades.

 

O aeroporto de Barajas é
enorme e demorou horas e horas andando pelos intermináveis corredores e
esteiras rolantes até chegarmos com nossas malas ao metrô e logo, ao albergue.

 

Nos hospedamos no Hostel
Vitória II, localizado bem no centro de Madri, ao lado da Puerta del Sol, uma
das principais praças da cidade, e a cinco minutos da estação de metrô Sol. Por
cinqüenta euros a diária do quarto temos duas camas e banheiro. Ótimo!
Recomendo a qualquer um que venha a Madri.

 

Depois de toda a viagem e
um bom banho, estávamos famintos. Desde logo, em busca de um restaurante bom e barato
achamos uma ótima opção na Plaza de Santa Ana, a cerca de sete minutos do
hostel. Isto, claro, depois de sentarmos e fugirmos de outros caros no caminho.
Nesse, por dez euros devoramos paellas de entrada, entrecorte com batatas de
prato principal, sorvete de sobremesa e uma garrafa de vinho para dividirmos.
Foi tudo! Saímos até meio lesados, de tanto que comemos.

 

Assim que deixamos o
restaurante uma indecente chuva, que nos acompanharia por metade da viagem,
começou e DETALHE… no primeiro vento meu guarda-chuva recém comprado em Milão
se quebrou em pedaços. Neste contexto de mal tempo e a falta de qualquer
programação prévia começamos a andar a esmo pela cidade; até que, ensopados,
paramos e esperamos a chuva amenizar.

 

Poucos minutos se passaram
e um casal de adolescentes americanos de Ohaio cruzou nossa frente seguindo o
mapa em suas mãos. Pensamos: Ao menos eles sabem onde vão. Sigam aqueles dois!!!
E com a total desinibição provinda da necessidade de se comunicar num país
estrangeiro fui falar com eles. Seguido de uma breve apresentação,
explicação de onde estávamos, os acompanhamos por alguns minutos e, em frente ao
Museu Reina Sophia, nos separamos. Até hoje não estou certo se eles simplesmente mudaram
de idéia, ou se, por algum motivo, ficaram com medo da gente. Sei lá!
Independente disso, nos presentearam com seu mapa e nos desejaram boa estadia.

 

Já eram seis e meia da
tarde e para nossa felicidade e surpresa o museu continuaria aberto até as
nove. Confesso que inicialmente estava com uma expectativa bem baixa em relação
ao museu. Foi quando, despreparadamente, dou de cara com GUERNICA de Picasso.
Quase tive um colapso, claro. Aquilo era 1000 vezes melhor que Capela Sistina e
eu tinha esquecido completamente que estava exposto ali! Sem contar as outras
muitas obras de Miró, Dalí (O Grande Masturbador), e tantos outros… Tava
quase me auto flagelando por não poder bater fotos, mas, quando tinha
seguranças em volta, respeitei… heheheh

 

No caminho de volta ao
hostel comemos algumas fatias de Pizza Hut e, por volta das dez, já descansávamos
o longo dia.

 

15.06.07 ::: Sexta-feira
::: Madri

 

Hoje o dia estava lindo;
levemente fresco quando acordáramos, mas em poucas horas se
revelou maravilhosamente quente e ensolarado. Levantei-me pelas oito, escrevi o
diário, planejei o dia, acordei a preguiçosa da Jemimah e fomos seguir o
roteiro.

 

Na Puerta del Sol, em
frente a antiga casa dos correios, vimos o marco zero de todas as rodovias na
Espanha e fotografamos o Urso alcançando um Medronheiro, que é o símbolo
heráldico de Madri. Não me pergunte que espécie de árvore é um Medronheiro!
Embora ao vivo aparentasse menor do que a reprodução no guia,
era belo.

 

Fomos em direção à praça
Mayor, que passamos sem sequer nos darmos conta de sua existência, e, quando
percebemos, já nos encontrávamos à frente do Palácio Real. Inicialmente não entraríamos
por pura indisposição de pagar a tarifa, entretanto, uma exposição de armas e
armaduras chamou-nos a atenção, e, como esta era de graça, resolvemos conferir.
Foi uma das coisas mais fantásticas que vira até então, MARAVILHOSA, dezenas de
armaduras medievais completas pertencentes aos reis, nobres e capitães da
Espanha enfileiradas. Todas finamente entalhadas e belissimamente conservadas.
Sem contar as montarias completas dos cavalos, espadas, escudos… Tudo que
viramos em filmes de guerras medievais apresentava-se lá.

 

De lá, procuramos o
Mercado de Pulgas local, mas este só funcionava aos Domingos. Assim, nos
dirigimos ao Museu del Prado e com um áudio guide do museu, apreciamos as sua
principais obras: El Greco, Goya, Rembrandt e principalmente, Las Meninas de
Velásquez (TUDO).

 

Depois de digerirmos a arte,
famintos, acabamos entrando num buffet a quilo, o que foi uma péssima idéia,
principalmente por ser de comida vegetariana. Ou seja, mesmo depois de algumas
centenas de gramas de comida ainda estávamos com fome no caminho da estação de
trem, onde ficaríamos por um tempo esperando. Chegamos a dormir sentados, até
que finalmente chegou nosso número e infortunadamente informaram-nos que não
poderíamos comprar o bilhete do InterRail lá. Pegamos o metrô para o outro lado da cidade e depois de 15 paradas
chegamos à outra estação de trem. Para o nosso espanto, no guichê de vendas
internacionais ninguém falava inglês e então pratiquei meu belíssimo
portunhol.

 

€309,00 depois tínhamos
nossos bilhetes de vinte e dois dias por mais países da Europa do que
imaginávamos. Este, nos garantiu um enorme desconto em todas as viagens, mas, ainda assim, como vocês verão, precisariamos pagar pela reserva dos tickets na maioria dos percurso. Independente disso, para quem
deseja viajar por algumas semanas vale muito a pena, pois, é indiscutivelmente mais
econômico.

 

Viemos para o hostel
deixar os bilhetes, que na verdades eram uma folha em branco que deveria ser
preenchida em cada jornada (viagem) com dados como: data, cidade,
horário, número do trem…

 

Depois de meia garrafa do
vinho comprado ontem saímos para jantar. Na Puerta del Sol, logo ao lado do
Urso, um grupo de músicos peruanos tocava suas flautas e logo a frente pedimos
informações para simpáticos adolescentes a respeito das baladas de Madri. Por
sorte, na mesma praça que almoçamos ontem, mais especificamente, na esquina da
Calle de Nuñez de Arce, achamos um restaurante onde finalmente nos sentimos
verdadeiramente na Espanha. Não necessariamente pela comida, que era ótima e
barata, mas principalmente pelo ambiente festivo e música. Comemos Paella e
camarão ao alho e óleo, acompanhado certamente por uma sangria.

 

Foi nesse dia que o termo
“Dick Fingers” foi forjado. Explicando… O garçom veio, limpou a mesa, coletou
o dinheiro, deu o troco, fez tudo que podia e não podia com a mão e depois foi
cortar bem dedilhantemente, pra inventar um novo neologismo, o presunto de
parma e servi-lo com os mesmos dedos. Talvez por isso que a comida tivesse
aquele tempero tão especial. A partir daí, toda mão suja ou indesejada era
simplesmente designada pelo termo.

 

Satisfeitos, fizemos uma
peregrinação pelos bares vizinhos à praça, ao longo da Calle del Prado, em
busca de algum pub agitado, mas, como no Brasil e diferente de Londres, os
lugares só começavam a bombar pela 1h ou 2h da manhã.

 

Optamos pelo pub que tinha
o melhor conjunto… ambiente aconchegante, ótima música; e uma pista bem
povoada e quando comprávamos as duas primeiras pints enormes de cerveja ao bar
fizemos amizade com Roberto, um simpático jovem italiano com seus 25 anos e nos
juntamos ao seu grupo de coroas de todas as partes da Itália (cinco ao todo).

 

Seguindo a sugestão de um
dos coroas italianos, que já havia morado em Madri por um tempo, nos dirigimos
a um bar legitimamente espanhol, com músicas típicas e decoração kitsch. Mas, um drink depois,
acabamos voltando pra primeira opção, onde encontramos Elizabeth e Simon, dois
french canadians, como eles gostavam de ressaltar, de Montreal, que nos fizeram
companhia por toda a noite.

 

Passada cerca de uma hora,
saímos com mais um grupo de turistas de todos os lugares do mundo em busca de
um after para continuarmos a noite. No entanto, logo nos perdemos e acabamos
formamos outro grupo, composto por todos aqueles que, como nós, não sabiam para onde
ir e iam se amontoando cada vez que pediam/pediamos informação. No fim, acho que já
éramos uns vinte, sentados numa praça qualquer, sem saber o que fazer.

 

Devido ao avançar da hora,
e principalmente ao gosto duvidoso de alguns de nossos companheiros, convidamos Simon e
Elizabeth para voltarmos ao hostel para conversar tranquilos.
Acabamos a noite com uma última cerveja regada a muito papo sobre seus países e
nossos, no hostel deles, que por sinal encontrava-se a cinco minutos do nosso.

 

16.06.07 ::: Sábado :::
Madri – Barcelona

 

Acordamos tarde, por volta
do meio dia, com o barulho da campainha da porta do albergue, acrescido de
todos os outros barulhos provenientes da recepção. Por não conseguir mais
dormir resolvi levantar e logo descobri que já estávamos atrasados para o check
out. Felizmente não havia qualquer multa ou coisa do gênero. Fomos almoçar no
mesmo lugar da janta de ontem, porém, dessa vez comi rabo de toro com batatas e
pão. E só então que me dei conta que rabada é realmente o rabo da vaca. Jemmie
pediu Calamaris (lula) e uma salada mista gigante com atum. Na verdade, tudo
neste restaurante era ótimo, enorme e barato. Indubitavelmente vale a pena
conferir.

 

Comprei uma camiseta linda
branca, bem simples na verdade, mas linda mesmo assim, já que esqueci a outra
branca em Roma. E também uma nova mala azul ciano com rodinhas pretas, afinal,
tava só com uma daquelas malas estilo bolsa que é muito desconfortável e
cansativo de carregar. No fim, me arrependi de não ter comprado mais coisas
em Madri. Pois, nesse contexto de opções singulares e barata, acho que esta
viria a ser a melhor de todas as cidade. Tanto camisetas, como principalmente
tênis lindíssimo que nunca vira antes.

 

Nosso trem Madri-Barcelona
foi das 5:15h às 9:45h da tarde e mesmo essa hora ainda continuava dia. Da estação liguei para
Anita, amiga de Vitor, e ela nos recomendou o hostel Kabul, na Plaza Reial, que
por sinal parecia ótimo, mas estava lotado. Da próxima vez que voltar a cidade certamente vou
agenda-lo com antecedência. Encontramos outro na rua
vizinha, Sol e Lua, e no quarto conhecemos um casal de mexicanos e uma família
barulhenta de dinamarqueses.

 

Tomamos banho, comemos um
kebab de vitela, que não matou minha fome e fomos andar pela rua Ramblas. Sem
sabermos, estávamos no coração de Barcelona, na rua mais movimentada, com um
fluxo constante de carros, pessoas, restaurantes. Pessoas bem vestidas e outras
pouco vestidas, o que também é bom.

 

A cidade fica à beira-mar
e o cais é pertíssimo do hostel. A medida que caminhávamos sem rumo pela
passarela que tangencia o mar, encontramos o casal de mexicanos, aproveitando a
companhia passeamos um pouco. Fomos fotografados por um americano completamente
bêbado, e, não sabíamos se temíamos que ele fugisse com a câmera ou que a
deixasse cair em meio a embriagues.

 

Nos separamos e com o
ônibus noturno encontramos a região de clubs da cidade. Fica em Olímpia. São
vários clubs a beira do mar. Num clima delicioso de verão, a entrada foi
gratuita, mas o drink custou €8,50, vodka com Red Bull.

 

Multidão, dança e curtição.
Chegamos no hostel pelas quatro da manhã depois de Jemimah fazer xixi no meio
dos carros. Dormi com fome e frio pois não tinha cobertor. Por sorte os
mexicanos foram embora pelas 5h e me deixaram um cobertor de flanela muito
macio. O problema foi o tiozão do meu lado que ficava se mexendo o tempo todo,
e como nossas camas eram conectadas pela extremidade inferior, tremia tudo.
Além de roncar, peidar e ficar com a luz acesa, claro.

 

17.06.07 ::: Domingo :::
Barcelona

 

Acordamos pelas 11h,
aproximadamente, depois de todo o barulho dos Danish, dinamarqueses. Procuramos
por comida algum tempo e no shopping center a beira do porto
descobrimos um buffet livre por €9,90. Comemos muito, as saladas eram ótimas. Além disso,
ainda levamos algumas frutas para o lanche da tarde.

 

Depois de
passar por mais de 10 telefones quebrados, finalmente achamos um funcionando e combinamos
de encontrar Anna, Ramzi e Gaelle, em uma hora na Plaça Reial. Demos mais umas voltas
pela cidade, vimos a Casa Batlló, uma das mais famosas casas de Gaudí –
projetada com o estilo de concreto armado bem característico de Barcelona, no
qual parece estar derretendo – e mesmo um pouco atrasados,
encontramo-los.

 

Passamos pelo Parc de la
Ciutadella, adornada com uma cascata rodeada por fontes, estatuas de deuses e dragões;
projetada por Josep Fontsère e auxiliado pelo ainda estudante Gaudí em
1888 para a exposição universal. Algumas dezenas de fotos depois rumamos para
um pubzinho bem aconchegante, escondido numa daquelas estreitas ruelas medievais.
Acho que só quem conhece que consegue chegar lá, de fora não parece haver nada,
mas na verdade da passagem para um amplo pátio ao ar livre. Lá fomos brindados
com uma apresentação teatral bem clownesca (de palhaços). Música, malabarismo e
representação.

 

Jantamos tacos num
restaurante mexicano, regado com Marguerita de Morango e terminamos a noite
numa festa a beira do mar. Anna nos informou que todo verão aquela praia é
completamente refeita, pois, durante o inverno o mar toma conta de tudo, só
restando poucas pedras. No meio da multidão, formamos uma roda, sentados na
areia branca e fina, enquanto escutávamos os DJs e nos misturávamos a atmosfera
que só uma festa ao mar pode ter. Lembranças de luais em Floripa me vinham a
cabeça.

 

18.06.07 ::: Segunda-feira
::: Barcelona

 

Segunda foi interessante,
almoçamos num lugar diferente, era um restaurante armênio. De entrada tomei uma
sopa de mariscos que se revelou muito boa, nunca tinha provado, já o prato
principal era salsichas, ou lingüiças, sei lá. Não gostei. O sorvete de
chocolate foi o melhor, bem amargo.

 

Fomos a Rua Talleres, que
é uma das últimas transversais da Rua las Ramblas em direção a Plaça Catalunya,
e lá, no número 45, alugamos duas bicicletas do estilo que só vi aqui na
Europa. São bicicletas para adultos, mas com rodas menores.

 

Agora que tínhamos nosso
meio de transporte resolvemos ir até o Parc Güell, que é um famoso parque
projetado por Gaudí para a aristocracia barcelonesa. O problema, que
previamente não sabíamos, era que este se encontrava no topo de Barcelona, e
por isso demoramos quase uma hora pedalando ladeira acima para chegar lá. Valeu
a pena, porque é muito bonito, com bancos, paredes e esculturas revestidos por
mosaicos de azulejos coloridos, magníficas estruturas de pedra e as sempre
presentes construções no mesmo estilo derretido. Sem contar é claro, a
belíssima vista de toda a cidade.

 

Depois de um breve lanche
de muffins com gotas de chocolate e iogurte de morango com banana, tiramos
algumas fotos e descemos à Igreja da Sagrada Família. No caminho fomos
surpreendidos por uma rápida chuva de verão, o que foi refrescante, afinal,
estava muito quente e eu pedalava de Jeans (o único que trouxe na viagem e que
já está imundo por sinal).

 

A igreja é lindíssima, sem
dizer que é muuuuito alta. Esta sendo construída por mais de 100 anos e ainda
parecem haver muitos pela frente, no entanto, por recomendações prévias, não
pretendíamos entrar. Tiramos algumas fotos e depois de uma rápida discussão de
TPM de Jemimah nos separamos. Ela rumou à estação central de trem e eu a
devolver a bicicleta.

 

Foi uma pedalada
agradabilíssima, ainda mais porque a maior parte do percurso era descida.
Passei pelo Parc de la Ciutadella, pelas ruas a beira-mar, bati fotos pelas
praças e apostei corrida comigo mesmo… Foi uma ótima idéia alugar a
bicicleta. Confesso, que a bunda ficou meio doída… Jemimah mal conseguiu
andar por um dia, mas mesmo assim valeu.

 

Tomamos banho, fomos até a
estação comprar o ticket, mas esta já se encontrava fechada desde às 22h.
Voltamos andando parte do caminho em busca de um restaurante e terminamos
comendo paella de frutos do mar na Plaça Reial, nada mal, mas nada demais
também na verdade. Após um sorvete, dormimos cedo e cansados por volta da uma
da manhã.

 

19.06.07 ::: Terça-feira
::: Barcelona

 

Hoje acordei cedo, pelas
oito e pouco e finalmente consegui comer o café da manhã do hostel: cereais com
leite, torradas com manteiga e geléia de pêra e um suquinho mais ou menos de
laranja. Após o check out no hostel, passamos na estação de trem, onde fomos
surpreendidos pelo preço da reserva do ticket de €72,00.

 

A estação fica próxima ao
Museu Picasso, no qual, depois de cerca de quarenta e cinco minutos na fila,
entramos. Na verdade a experiência ficou aquém das minhas expectativas, pois, o
museu expõe apenas obras dos primeiros anos da carreira e dos estudos de
Picasso, o que, além do baixo apelo estético ou revolucionário, eram
completamente desconhecidas por mim.

 

De almoço finalmente comi
os famigerados Tapas. Estes, são a comida típica de Barcelona, e talvez, da
Espanha e ainda não provara. Na verdade os Tapas não são apenas um prato
específico, mas sim, pequenas porções de diferentes petiscos, que podem ser
mais sofisticados ou mais simples. Mas, de acordo com o que vi, sempre são
caros.

 

Paguei €18,00 pelo combo
de 4 Tapas: presunto de Parma defumado e melão (que tornou-se um dos meus
pratos favoritos no mundo); almôndegas ao molho de tomate, cebolas e cogumelos;
vagens (daquelas longas e fininhas), cenouras, micro tomates ao molho de vinagre
balsâmico; e casquinhas de batata com um molhinho de maionese ao lado. Quase
morri pra conseguir comer tudo e mais uma pint de chopp San Miguel. Passamos
mais de uma hora pra finalizarmos o almoço. E depois, andamos bem devagar ao
Palácio de Barcelona, que ficava também, no alto de uma colina. No entanto,
para nossa sorte e comodidade, disponibilizavam-se escadas rolantes ao lado das
convencionais para facilitar o percurso.

 

Normalmente, o Palácio é
um dos pontos turísticos mais bonitos da cidade, com chafarizes, luzes e tudo
mais. Porém, havia acabado a poucos dias a feira internacional do Automóvel,
então, tudo em volta estava uma bagunça, com vários estandes senso desmontados
e lixo por todo lado. Mas, mesmo assim, continuava sendo suntuoso e oferecia
uma vista panorâmica da cidade.

 

Fizemos algumas comprinhas
no supermercado e depois de uma breve passada pelo hostel fomos pegar o trem
para Paris.

 

Por coincidência os
Americanos que estavam dividindo o quarto conosco, também compartilhavam a
cabine do trem comigo. Conversávamos na nossa cabine, quando Mai Lee, uma
venezuelana de Caracas, veio desesperada pedir ajuda ao seu namorado, pois,
como apenas falava castelhano, não entendia uma palavra que as meninas em sua
cabine falavam entre si.

 

Assim, passamos todos para
a cabine feminina e depois de muito papo em inglês, português, espanhol,
francês e árabe, todos fomos para o bar.

 

Quando sentamos e
tomávamos nossas cervejas rodeados por mochileiros do mundo todo encontramos
duas mochilas ao pé dos nossos bancos. Examinamo-las para nos certificarmos que
não era nenhuma bomba e deixamo-las com o barman. Poucos minutos depois, chegam
dois americanos bombados e desesperados perguntando se havíamos visto alguma
mochila por ali. Assim que os informamos que o barman as guardava, quase nos
beijaram de tanta felicidade. Dentro das mochilas estavam os passaportes,
cartões de crédito, Ipods, passagens, ou seja, suas vidas. E por agradecimento
nos pagaram duas cervejas cada e se juntaram ao nosso grupo.

 

Ou seja, depois do bar, só
acordei em Paris. A viagem foi tudo.

 

Anúncios