O significado dos números na Bíblia

 

 

 

 

 

 

 

Oi pessoal, achei esse texto muito interessante, do mestre medieval Rábano Mauro, traduzido pelo Prof. Jean Lauand da FEUSP e achei super interessante compartilhar com vocês. Dei uma editada e acrescentar algumas coisas que encontrei em outros textos.
Vai lá:

Discípulo de Alcuíno, Rábano Mauro (c.784-856) foi abade de Fulda. Pelo seu trabalho de educador e escritor, recebeu o epíteto de Praeceptor Germaniae, o mestre da Germânia. Rábano Mauro não teve a intenção de ser um autor original, mas a de ensinar e formar seus monges.

Rábano Mauro distingue dois sentidos na Sagrada Escritura: o literal e o figurado. Este divide-se em alegórico (revela verdades sobrenaturais ocultas para os profanos), tropológico (ou moral, move a agir bem) e anagógico (conduz ao fim último e revela a razão de ser da vida).

Rábano Mauro está convencido de que, para decifrar o sentido figurado, é muito útil conhecer a natureza das coisas e as etimologias das palavras. Para ajudar seus leitores a alcançar esse significado místico, presente em tudo, escreveu o De universo, do qual apresento aqui a tradução do Capítulo III do Livro XVIII: De numero (PL CXI, 489-495).

A alegoria e o pensamento medieval:

Em várias línguas há expressões ou frases feitas para indicar que sobre aquilo que é evidente não se precisa gastar uma palavra: goes without saying, va sans dire, selbstverständlich, per se notum etc. Essa observação tão simples (e, também ela, evidente) explica uma das maiores dificuldades de compreensão de um autor antigo: o que era evidente para ele e para os leitores de sua época (e, precisamente por isso, ficou oculto) freqüentemente não é evidente para nós, que sequer suspeitamos dos “óbvios ululantes” escondidos no autor antigo.

Nesse sentido, há no Tratado de Rábano Mauro diversas passagens lacônicas e enigmáticas para o leitor contemporâneo, que não está nem um pouco preocupado em saber o que significa o número 153 (se é que tem algum significado…) quando o Evangelho diz que os apóstolos, na pesca milagrosa após a ressurreição de Cristo, apanharam justamente 153 peixes. S. Agostinho, por exemplo, teólogo e pregador genial, de perene atualidade, tratava do significado dos números em vários sermões, pois considerava o simbolismo numérico um elemento a mais para a compreensão da Revelação:

“Estes 153 são 17. 10 por quê? 7 por quê? 10 por causa da lei, 7 por causa do Espírito. A forma septenária é por causa da perfeição que se celebra nos dons do Espírito Santo. Descansará – diz o santo profeta Isaías – sobre ele, o Espírito Santo (Is 11,23) com seus 7 dons. Já a lei tem 10 mandamentos (…). Se ao 10 ajuntarmos o 7, temos 17. E este é o número em que está toda a multidão dos bem-aventurados. Como se chega, porém, aos 153? Como já vos expliquei outras vezes, já muitos me tomam a dianteira. Mas não posso deixar de vos expor cada ano este ponto. Muitos já o esqueceram, alguns nunca o ouviram. Os que já o ouviram e não o esqueceram tenham paciência para que os outros, ou reavivem a memória, ou recebam o ensino. Quando dois são companheiros no mesmo caminho, e um anda mais depressa e o outro mais devagar, está no poder do mais rápido não deixar o companheiro para trás (…). Conta 17, começando por 1 até 17, de modo que faças a soma de todos os números, e chegarás ao 153. Por que estais à espera que o faça eu? Fazei vós a conta”.

O cristão de hoje sorri ao ver o autor medieval, munido de calçadeira, explicar que o número 120 é soma da progressão aritmética: 1+2+3…+14+15, e que isto representa misticamente aquelas passagens dos Atos dos Apóstolos em que se descreve a vinda do Espírito Santo (cfr. 2,1) quando estava reunida a assembléia de 120 pessoas (cfr. 1,15), “todos num mesmo lugar” (a soma simboliza essa reunião).

Precisamente nessas diferenças é que se capta a mentalidade da época. O homem medieval está seriamente convencido de que não há palavra ociosa na Sagrada Escritura e que tudo o que está revelado “é inspirado por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça” (II Tim 3,16). E o próprio apóstolo Paulo afirma o caráter alegórico de algumas passagens bíblicas: “Na lei de Moisés está escrito: ‘Não atarás a boca ao boi que debulha’ (Deut 25,4). Mas, acaso Deus se ocupa dos bois? Não é, na realidade, em atenção a nós que Ele diz isto?” (I Cor 9,9-10). Ou, em outro momento, ao considerar alegórico (cfr. Gál 4,24) o fato de que Abraão teve dois filhos: um da escrava e outro da livre.

O mestre S. Isidoro de Sevilha, pouco anterior a Rábano Mauro, tinha escrito um capítulo das Etimologias (III,4) dedicado à importância dos números: “Não se deve desprezar os números. Pois em muitas passagens da Sagrada Escritura se manifesta o grande mistério que encerram. Não foi em vão que se escreveu o louvor de Deus no livro da Sabedoria (11,20): ‘Dispusestes tudo com medida, número e peso’”.

O Significado Místico dos Números

Rábano Mauro (c.784-856)

(trad. e notas: Jean Lauand)

Os números, através de alegorias, mostram-nos muitos aspectos do mistério que devemos venerar.

O número 1

Já o primeiro número, o um, indica a unidade da divindade. Dele se escreveu no Deuteronômio (6,4): “Ouve, ó Israel! O Senhor teu Deus, é o único Senhor”. O um expressa também a unidade da Igreja e da fé. Daí que nos Atos dos Apóstolos (4,32) se tenha escrito: “Eram um só coração e uma só alma”. E o número um diz respeito ainda à unidade da fé e à perfeição de uma obra. E até a unidade dos maus é expressa pelo um, como se lê em Mateus (22,11): “E viu ali um homem que não trazia a veste nupcial” Trata-se da parábola em que Cristo compara o Reino dos Céus a um banquete que um rei oferece a várias pessoas que se recusam a comparecer. O rei ordena então a seus servos que convidem a todos que acharem pelos caminhos: “e a sala do banquete ficou repleta de homens maus e bons”. Rábano Mauro pretende explicar o enigmático singular, “um homem que não trazia veste nupcial” pela unidade dos maus.

O número 2

Já o dois diz respeito aos dois testamentos. Daí que em I Reis (6,23) esteja escrito: “E fez dois querubins que tinham dez côvados de altura”. Dois também são os mandamentos da caridade: “Estes dois mandamentos resumem toda a lei e os profetas” (Mt 22,40) – “<<Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito>>. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: <<Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos resumem toda a lei e os profetas>>.”. O dois expressa ainda as duas dignidades: a régia e a sacerdotal, figuradas por aqueles dois peixes que acompanhavam os cinco pães naquela passagem do Evangelho. O dois significa ainda os dois povos: os judeus e os gentios. Daí que em Zacarias (6, 13) se diga: “E haverá paz entre eles dois”. Também o dois significa a união da alma e do corpo. Daí que o Senhor diga no Evangelho (Mt 18,19): “Se dois de vós estiverem reunidos sobre a terra…”. Sobre isso também fala o profeta Amós (3, 3): “Acaso podem dois andar juntos se não estão em união?” O caráter elíptico do latim, que prefere dizer “dois” ao invés de explicitar os “dois homens” dá margem ao pensamento alegórico: o “dois” passa a representar corpo e alma. O dois prefigura também a separação entre os eleitos e os condenados, como diz o Senhor no Evangelho (Mt 24, 40): “Estarão dois no campo: um será tomado; o outro, deixado”.

O número 3

O número três é próprio do mistério da Santíssima Trindade, tal como se diz na Epístola de João (I Jo 5,7): “Três são os que dão testemunho”. O três também representa o mistério da Paixão, Sepultamento e Ressurreição do Senhor. Jesus ressuscitou no terceiro dia. O três exprime ainda a fé, a esperança e a caridade, figuradas também por aquelas três cidades do Deuteronômio (cap. 19) nas quais o involuntário homicida encontrava refúgio. O três significa ainda os três tempos: o primeiro, antes da lei; o segundo, sob a Antiga Lei, e o terceiro, sob a graça. É por isso que se lê na parábola evangélica (Lc 13, 7): “Eis que já são três anos que venho buscar fruto da figueira e não o encontro”. O três representa também as três formas do agir humano para o bem ou para o mal: pensamentos, palavras e obras. Como diz o Apóstolo (I Cor 3,12): “Se alguém edifica sobre este fundamento: com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas; com madeira, ou com feno, ou com palha”.

O número 4

O número quatro é próprio dos quatro Evangelhos, como diz Ezequiel (1,4): “E no centro havia a semelhança de quatro animais”. Quatro também diz respeito às quatro partes do mundo a partir das quais a Santa Igreja se reunirá. Do mesmo modo, o quatro pode simbolizar os quatro elementos dos quais é formado o corpo humano, pois principalmente deles depende a força e a subsistência do corpo. Com efeito, no Evangelho está escrito que o paralítico no leito era transportado por quatro. Os quatro elementos que compõem tudo que há no mundo e, particularmente, o corpo humano. No tratado de Isidoro de Sevilha sobre o homem lê-se: “O corpo vivo é integrado pelos quatro elementos: a terra está na carne; o ar, no hálito; o liquído, no sangue; e o fogo, no calor vital” (Etym. XI,16).

O número 5

O cinco traz o significado dos cinco livros da lei de Moisés, dos quais diz o Apóstolo (I Cor 14,19): “Quero dizer cinco palavras de sentido”; ou para os cinco sentidos do corpo: visão, audição, paladar, olfato e tato.

O número 6

O número seis significa os seis dias nos quais Deus criou as criaturas, como diz o Êxodo (20, 11): “Em seis dias criou Deus o céu e a terra”. Significa também as etapas do tempo deste mundo, que comporta seis eras. Isidoro dedica um dos livros de suas Etimologias (o livro V) às leis e aos tempos. No cap. 39, Sobre a divisão dos tempos, afirma que há seis eras: 1) A que vai da criação do mundo até o dilúvio; 2) Do dilúvio até Abraão; 3) De Abraão a Davi; 4) De Davi ao cativeiro na Babilônia; 5) Do cativeiro da Babilônia a Júlo César e 6) Do nascimento de Cristo a… – “quanto tempo resta nesta era, só Deus sabe”. Daí que Deus, que perfaz todas as suas obras, tenha vindo a este mundo na sexta era, tenha padecido na sexta-feira, no sábado tenha repousado no sepulcro, e no domingo ressuscitado dos mortos. Deus, Perfector, escolhe o número 6 que, como se sabe, é, já desde a Matemática grega, um número perfeito (é igual à soma de seus divisores: 6 = 1 + 2 + 3).

O número 7

O número sete é um número de múltiplos significados. Pode significar o sétimo dia, no qual, concluída sua obra, Deus repousou. Pelo mesmo motivo, um número sagrado, pois Deus abençoou o 7 dia. Também por sete se designa todo o tempo presente deste mundo, que se desenvolve em ciclos de sete dias. O número sete costuma simbolizar a totalidade, pois o tempo se desenvolve em ciclos de sete dias, e, completados esses sete dias, começa de novo etc.” (Agostinho, Sermão 83,7). Também os males se representam pelo sete; sete é o número da plenitude do pecado, isto é, o sete representa todos os principaisvícios – os 7 vícios capitais (soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, acídia e ira), fonte de todo o mal. Bem como os sete dons do espírito santo: Sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. E, além disso, sete e oito simbolizam a Antiga Lei e o Evangelho. Por isso diz o Eclesiastes (11,2): “Faze sete partes e também oito”. Do mesmo modo o sete e o oito representam o repouso definitivo e a ressurreição. Também, segundo Marco Palladino, a palavra chéba, no hebraico pode ser traduzida seja como sete, seja como aliança.

O número 8

O oito representa o dia da ressurreição do Senhor e também a futura ressurreição de todos os santos. Daí que nas indicações junto ao título do salmo 6 conste: “Para o oitavo”. O número oito – ensina Agostinho – simboliza o mundo futuro. Pois o oito sucede o sete, número que representa o tempo. Após a mutabilidade desta vida (simbolizada pelo sete) o oitavo dia é o do juízo. Daí, conclui Agostinho, o título do salmo 6: “Para o oitavo”, onde se diz: “Não me repreendas, Senhor, em tua indignação; em teu furor não me castigues” (Agostinho, Sermão 260 C,3).

O número 9

O número nove representa misticamente a Paixão do Senhor: porque o próprio Senhor, na hora nona, tendo dado um forte brado, expirou. Lê-se também que nove são as categorias dos anjos: anjos, arcanjos, tronos, dominações, virtudes, principados, potestades, querubins e serafins. E o nove está presente nas noventa e nove ovelhas que, na parábola evangélica, são deixadas no deserto ou nos montes. Nove pode indicar ainda imperfeição em relação aos mandamentos de Deus, ou a insuficiência dos bens: como está escrito no Deuteronômio a respeito do leito de Og – rei de Basan e tipo do diabo – que media nove côvados de comprimento.

O número 10

O dez é o número do Decálogo. Por isso o Salmista (Sl 32,2) diz: “Entoar-Te-ei hinos na harpa de dez cordas”. É também o número da perfeição das obras e da plenitude dos santos, o que é simbolizado por aquelas dez cortinas que, por ordem do Senhor, foram feitas no tabernáculo do testemunho. *O testemunho é o texto do Decálogo

O número 11

O número onze é figura da transgressão da lei e também dos pecadores, tal como mostra o salmo 11 (cujo número de per si já é símbolo) quando diz: “Salvai-me Senhor, pois desaparecem os homens santos”. Trans-gredir, etimologicamente, é ultra-passar, dar um passo além da lei, que é figurada pelo número dez. “A lei é o número dez; o pecado, o onze. Mal ultrapassas o dez, cais no onze. Portanto, grande é o mistério simbolizado nas ordens dadas para a instalação do tabernáculo. Muitos mistérios estão nelas representadas. Entre outras coisas foi mandado que se fizessem não dez, mas onze cortinas de pele de cabra, pois no pêlo de cabra se simboliza a confissão dos pecados” (Agostinho, Sermão 83,7).

O número 12

O número doze é próprio dos apóstolos, como se evidencia no Evangelho: “Os nomes dos doze apóstolos são…” (Mt 10,2) e o próprio Senhor diz a seus discípulos: “Não vos escolhi eu doze?” (Jo 6,70). O número doze também representa a totalidade dos santos que, eleitos das quatro partes do mundo pela fé na Santíssima Trindade, formam uma só Igreja. Esses eleitos são figurados por aquelas doze pedras preciosas com as quais, no Apocalipse, se descreve a construção da cidade do grande Rei. São as doze tribos de Israel, que vêem a Deus.

O número 14

O número quatorze simboliza misticamente as gerações que antecederam o Senhor, como suficientemente se mostra no início do Evangelho de Mateus: “De Abraão a David, quatorze gerações”. O número quatorze também diz respeito ao tempo presente e futuro, tal como se mostra no Levítico (cfr. 12,5), onde se indica que a mulher que der à luz uma menina será impura por duas semanas, isto é, o presente e o futuro.

O número 17

O número dezessete representa misticamente a totalidade dos profetas (Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias), pois os dez mandamentos da lei operam pela septiforme graça do Espírito Santo.

O número 22

O número vinte e dois representa misticamente os livros divinos, correspondentes às letras dos hebreus. Diz Isidoro: “Os hebreus se valeram das 22 letras (de seu alfabeto) para indicar os livros do Antigo Testamento” (Etym. I,3,4).

O número 24

O número vinte e quatro representa os vinte e quatro livros do Antigo Testamento, segundo a tradição dos hebreus. Outros, por este número, entenderam os patriarcas do Antigo e do Novo testamento: “E, sentados sobre os tronos, vinte e quatro anciãos” (Apoc 4,4).

O número 32

O número trinta e dois refere-se misticamente à idade que Nosso Senhor cumpriu na carne, daí que (como parece a alguns) diga o Apóstolo (Ef 4,13): “Até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos a idade de homem feito, na medida da idade da maturidade de Cristo”.

O número 40

O quarenta é número que representa misticamente a Antiga Lei e o Evangelho. Daí que no Evangelho (Mt 4,1) se escreva do Senhor: “E foi conduzido pelo Espírito ao deserto por quarenta dias”. Representa misticamente também a Ressurreição do Senhor, pois está escrito em Atos (1,3): “E apareceu-lhes durante quarenta dias”. E, além disso, o número quarenta figura ainda o tempo deste mundo. Pois quatro são as partes do mundo e quatro são também os elementos de que está constituída toda criatura visível; já o dez indica plenitude: tanto a do bem como a do mal. E dez por quatro dá quarenta. Daí que o salmista (Sl 94,10) diga: “Durante quarenta anos desgostou-me aquela geração”; e no dilúvio foi por esse número de dias e de noites que Deus fez chover sobre a terra. E no livro de Jonas (3,4) está escrito: “Daqui a quarenta dias Nínive será destruída”, o que não chegou a ocorrer com aquela cidade, mas ocorrerá com o mundo por ela figurado. Quarenta é o número da permanência no deserto e o das gerações de Abraão a Jesus Cristo.

O número 50

O número cinqüenta é Pentecostes, o do advento do Espírito Santo. Daí que se diga em Atos (2,1): “Chegando o dia de Pentecostes…” É também o número da penitência dos pecadores: esse é o número do salmo penitencial por excelência.

O número 60

Sessenta é o número que representa misticamente todos os perfeitos. Por isso se diz noCântico dos Cânticos (3,7): “É a liteira de Salomão – isto é, a Igreja de Cristo – escoltada por sessenta guerreiros, sessenta valentes de Israel”. Também sessenta é o fruto dado pelas viúvas e continentes. Daí que se leia no Evangelho (Mt 13,23): “E prooduzirão fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um”.

O número 70

O número 70 é o que representa misticamente os antigos pais, figurados pelos setenta mil operários carregadores que Salomão escolheu para edificar o templo. Pois setenta e oitenta são figura da Antiga Lei e do Evangelho, conforme diz o salmo (Sl 89,10): “Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta”. O setenta é também o número dos presbíteros de Moisés. E setenta e dois são os discípulos enviados pelo Senhor para pregar o Evangelho. Setenta é o número das almas que desceram com Jacó ao Egito como se narra no Gênesis (46,27).

Link original: http://www.hottopos.com/videtur23/jean.htm